A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

UVA/VINHO

UM BRINDE NO HORIZONTE

Nos primeiros meses de 2009 houve aumento da comercialização de vinhos nos mercados interno e externo, depois de um ano de quedas

O desempenho do setor vitivinícola brasileiro está em desenvolvimento graças ao movimento em defesa da uva e dos vinhos brasileiros, face à importação desenfreada de anos anteriores. A produção de uvas em 2008 foi de 1.399.262 toneladas, 3,27% mais em comparação a 2007. Caiu na Região Nordeste e também em São Paulo, mas a compensação ocorreu nos demais estados, especialmente o Rio Grande do Sul, com acréscimo de 10,4%.

De acordo com a pesquisadora da Embrapa Uva e Vinho, Loiva Maria Ribeiro de Mello, 50,60% do total de uvas produzidas foram destinadas à elaboração de vinhos, sucos e outros derivados em 2008. Em 2007, a uva que foi para o processamento representou 47,02%. “As condições climáticas favoráveis para a produção de uvas no Rio Grande do Sul, principal polo de produção de vinhos, igualadas no Nordeste, foram as principais razões do aumento da participação das uvas para processamento”, destaca.

O setor vinícola não apresenta igual resultado. Usando como base o Rio Grande do Sul, responsável por mais de 90% da produção nacional, a venda de vinhos e suco de uva teve uma redução de 2,51% em 2008. Os vinhos de mesa mostraram redução na quantidade comercializada de 11,78%, enquanto os finos apresentaram queda de 13,63% em 2008, comparativamente ao ano anterior. “Os reflexos negativos são visíveis para alguns segmentos. Várias ações estão sendo tomadas para que o setor continue em ritmo de desenvolvimento, minimizando os reflexos da atual conjuntura”, diz a pesquisadora.

Mas a recuperação já está acontecendo. No Rio Grande do Sul, a comercialização de vinhos aumentou 1,7% nos primeiros cinco meses de 2009 em comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), foram vendidos 74,42 milhões de litros de vinho de janeiro a maio de 2009, ante 73,17 milhões de litros nos cinco meses iniciais de 2008. Os números apurados abrangem o mercado interno. Se forem incluídas as exportações, o crescimento nas vendas passa para 12%, com a comercialização de 82,7 milhões de litros nos primeiros meses deste ano, frente a 73,9 milhões de litros colocados no mesmo período do ano passado. Os dados têm por base o Cadastro Vinícola, mantido em parceria com a Secretaria da Agricultura gaúcha e o Ministério da Agricultura. As informações não abrangem o restante do país em razão de outros estados brasileiros não implantarem o Cadastro Vinícola. “É o melhor resultado dos últimos dois anos”, garante o gerente de Promoção e Marketing do Ibravin, Diego Bertolin. Conforme ele, o resultado mais importante obtido é a reversão da tendência de queda na comercialização de vinhos sentida por três anos consecutivos. “Iniciamos bem o ano porque os produtos importados subiram de preço e os vinhos finos brasileiros ficaram mais competitivos na ponta. Os fabricantes estão fazendo promoções coletivas”, explica.

O diretor-executivo do Ibravin, Carlos Paviani, observa que o bom resultado do mercado externo deve-se aos leilões de Prêmio de Escoamento da Produção (PEP), que escoaram aproximadamente 8 milhões de litros de vinhos (25% comuns e 75% finos). “Não significa ganho de mercado e sim um acontecimento ocasional”, adverte. De acordo com Paviani, a elevação do dólar em relação ao ano passado, que poderia afetar os produtos importados, ainda não foi sentida no mercado. Basicamente por duas razões: o alto volume de estoques dos importados aqui no Brasil e, sobretudo, a margem folgada de preços praticada.

Importações — De janeiro a maio deste ano, o Brasil recebeu 16 milhões de litros de vinhos de outros países, contra 16,07 milhões de litros que ingressaram no mesmo período em 2008. A queda foi mínima, de 0,43%. Apesar de pequena, esta diminuição interrompe uma curva ascendente de 2004 a 2008 na presença de vinhos importados no Brasil.

Loiva diz que a situação dos anos anteriores fez surgir a necessidade de repensar o setor, culminando na melhoria da qualidade do produto. Surgiram novas regiões de produção, a concepção de valorização da marca e do produto diferenciado. Como exemplo, cita os vinhos produzidos nos Campos de Cima da Serra (Rio Grande do Sul), a valorização da tradição – colocação do nome da família no rótulo – e a Indicação de Procedência do Vale dos Vinhedos. Além disso, a magia do vinho gerou riqueza no território onde é produzido, pela soma de atividades desenvolvidas no entorno. A pesquisadora diz que, no segmento de vinhos de mesa, houve melhoria da qualidade do produto e na forma de apresentação no mercado (embalagem, rótulos, entre outras). Hoje, representa o maior volume de vinhos vendidos no Brasil, com características distintas daqueles tradicionalmente consumidos no mundo. Vários novos produtos surgiram. De acordo com a gerente de Promoção Comercial do Wines From Brazil, Andreia Milan, no mercado externo houve um aumento no volume de 2,15 milhões de litros para 2,85 milhões de litros no primeiro semestre de 2009. Um crescimento de 32% em relação ao mesmo período do ano passado. Porém, a executiva destaca uma diminuição no valor exportado, de US$ 2,72 milhões para U$ 2,097 (-29%), mostrando que as empresas tiveram que se adaptar ao cenário atual da crise, principalmente para os mercados americano e alemão, grandes importadores de vinho mundial, que buscaram produtos mais econômicos para se adaptarem à crise. A expectativa é de que, no segundo semestre de 2009, o quadro possa ser revertido. “Nossas metas não foram modificadas. Pretendemos fechar 2009 com 4 milhões de litros exportados e US$ 6 milhões”, revela Andreia.