A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

FUMO

IMUNE À CRISE INTERNACIONAL

Produção do país e preço do quilo do fumo crescem e fazem aumentar o faturamento do setor

A cadeia produtiva do setor fumageiro não sentiu os efeitos da crise econômica mundial que atingiram a maioria dos setores do agronegócio brasileiro. O faturamento com a comercialização da produção na safra 2008/09, de acordo com dados da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), chegou a R$ 4,3 bilhões, contra R$ 3,8 bilhões na safra 2007/08. A diferença de uma temporada para outra foi o aumento do volume produzido e também do preço médio do quilo do tabaco, que respectivamente atingiram 729 mil toneladas e cotação média de R$ 5,90. Na temporada 2007/08, a produção foi de 713 mil toneladas e com valor médio de R$ 5,41.

De acordo com o presidente da Afubra, Benício Werner, a alta no faturamento foi inesperada diante das dificuldades que o setor enfrentou de dezembro de 2008 a maio de 2009 com a falta de crédito em instituições no exterior responsáveis por emprestar recursos a pequenas e médias empresas de tabaco para adquirir a produção dos fumicultores brasileiros. “Até o mês de maio o crédito era escasso, mas depois a situação foi voltando ao normal e as empresas intensificaram as compras a partir de junho com a disponibilidade dos recursos”, explica Werner. Além disso, segundo ele, os fumicultores “seguraram” a produção para que o valor do quilo do tabaco atingisse níveis mais elevados.

Para agilizar a comercialização, os países compradores chegaram até mesmo a adiantar o pagamento para comprar a produção, cientes das dificuldades das empresas em obter crédito. Esta foi a revelação do presidente do Sindicato da Indústria do Fumo (SindiTabaco), Iro Schünke. Ele acrescenta que o crédito, além de escasso, ficou mais caro. “Apesar de todos os problemas que tivemos este ano, o resultado com a comercialização foi muito bom e a qualidade do produto atendeu plenamente as expectativas dos importadores”, enfatiza o dirigente.

O excesso de chuvas que atingiu as regiões produtoras na Região Sul não foi suficiente para reduzir o volume ou a qualidade do produto. Mesmo assim, a produção ficou abaixo da estimativa inicial de 750 mil toneladas, que foi refeita para 715 mil toneladas. “As chuvas na região de Santa Cruz do Sul/RS e no centro de Santa Catarina reduziram a produtividade em torno de 3%. Este índice ficou bem abaixo do que estávamos prevendo, por isso a produção foi considerada muito boa”, salienta Werner. A área nesta safra foi de 370 mil hectares, acima dos 354 mil ha plantados na 2007/2008.

Werner justifica que o diferencial a favor nesta safra foi o desempenho acima do esperado nas lavouras de ciclo tardio devido ao clima favorável, que representa 35% da produção total. A produtividade nas microrregiões onde ocorreu o plantio do tarde ficou acima da média de 1,9 tonelada por hectare, atingindo 2,2 toneladas.

Líder nas exportações — Conforme a previsão do SindiTabaco, os embarques de 2009 devem atingir ao redor de 680 mil toneladas, um pouco abaixo em relação ao desempenho de 2008, que foi de 686 mil toneladas. O Brasil é o segundo maior produtor e líder mundial em exportações de tabaco. De acordo com o Ministério da Agricultura, o fumo e seus produtos apresentaram uma alta de 54% em receita no mês de junho de 2009. Este foi o item do agronegócio brasileiro que mais avançou, em junho, entre todos os produtos exportados.

O desempenho favorável em junho alavancou os resultados no primeiro semestre. A receita com as vendas externas nos seis primeiros meses do ano foi 28% superior em relação ao mesmo período de 2008. Para Schünke, do SindiTabaco, o incremento ocorreu porque os embarques do produto em 2009 tiveram como base os preços praticados no ano passado, enquanto as exportações em 2008, a do ano anterior. “Em 2007 os preços foram mais baixos, por isso que este ano houve um aumento em receita devido aos valores mais altos verificados no ano passado”, justifica Schünke.

Nesta safra, a variedade Virgínia, que ocupa 83% da área cultivada no Sul, apresentou maiores ganhos entre todas. O preço médio desta variedade foi de R$ 6,10/quilo, enquanto o custo de produção foi de R$ 4,91. “O lucro do tabaco Virgínia foi de 24% e ficou acima da média”, salienta Werner. O Virgínia atingiu incremento de preço nesta safra em consequência do custo de produção ter sido 13,5% maior em comparação ao da safra 2007/08, que serviu de base para o reajuste deste ano.

Reajuste no preço — Na negociação que ocorre anualmente entre representantes dos produtores e da indústria fumageira ficou acertado um reajuste de 13,1% para o Virgínia. As duas partes só chegaram a um consenso após muitas reuniões e protestos dos agricultores, que pediam um aumento de 27%. “Mesmo fechando abaixo do solicitado pelos fumicultores, a alta ainda representa um bom lucro”, argumenta Werner, da entidade que representa os fumicultores.

Mas o desempenho da variedade Burley não seguiu o mesmo caminho do Virgínia. O aumento de produção em 2009 nos Estados Unidos, na Argentina e nos países da África, em razão da alta nos preços praticados em 2008, saturou o mercado, que por sua vez reduziu o valor médio do quilo de R$ 5,36, em 2008, para R$ 5,05.

As perspectivas para a safra 2009/10 são divergentes entre as entidades que representam os agricultores e as empresas. Enquanto a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag/RS) orienta os produtores a reduzirem em 6% a área para evitar possíveis endividamentos, o SindiTabaco estima que a área será mantida. A Fetag/RS também justifica o recuo devido ao aumento dos estoques mundiais de tabaco.

Região Sul: a área na safra 2008/2009 foi de 370 mil hectares, acima dos 354 mil hectares plantados da safra anterior, com produção de 715 mil toneladas