A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

FLORES

BELO É O CRESCIMENTO

Nos últimos anos, o mercado de flores, que chega a movimentar US$ 1,4 bilhão/ ano, tem conquistado cada vez mais espaço no Brasil. Um dos fatores que impulsionaram a economia nesse setor, que chega a crescer 10% ao ano, foi a crise financeira mundial, que abriu um leque de possibilidades para a conquista do nosso mercado nos EUA e Canadá. No entanto, o foco principal nesse segmento ainda continua sendo o mercado interno.

De acordo com Antonio Hélio Junqueira, pesquisador da Hortica Consultoria e Treinamento, apesar do consumo per capita de flores ao ano no Brasil ser de US$ 7,42, índice ainda considerado pequeno. O tamanho populacional do país faz com que o mercado interno represente 97,5% do escoamento da produção, sobrando apenas 2,5% para as exportações, o que é, segundo ele, satisfatório para o setor.

Neste momento, o Brasil não depende do mercado externo para se sustentar, como os vizinhos Colômbia e Equador, até porque o aumento das exportações deverá ser em longo prazo. Segundo Junqueira, a principal meta do setor é a ampliação do consumo interno, por meio dos setores ligados ao paisagismo, jardinagem e supermercadista, cuja meta de participação de mercado é de 23%.

Kees Schoenmaker, presidente do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), salienta que o momento ainda é de preservação de mercado, pois nunca se sabe os rumos da economia. Para ele, a crise chegou a atingir o setor de forma muito leve. “Peço aos produtores que não reduzam os seus investimentos, mas que tenham cuidado, sendo que devem agir com moderação e analisar os melhores lugares para realizar aplicações”, explica. Além dos polos de produção tradicionais, como o município de Holambra, interior de São Paulo, outros estados como Alagoas, Ceará, Rio de Janeiro e Pernambuco já começam a elevar a produção de plantas ornamentais, incentivados principalmente por produtores paulistas que descobriram nessas regiões excelentes condições climáticas para o cultivo de flores.

Logística é o gargalo — Um dos problemas que ainda persistem nesse mercado e prejudicam até no crescimento das exportações é a logística. Ana Rita Pires Stênico, responsável pelo setor de flores do Ceasa Campinas, maior centro de distribuição de plantas ornamentais do Brasil, diz que o longo processo de transporte prejudica as plantas, sendo impossível transportá-las para grandes distâncias. O volume de negócios de flores em Campinas/SP em 2008 teve um aumento de 1,96%, se comparado ao anterior. Para este ano, o mercado deverá ficar estável.

Segundo Junqueira, o Brasil precisa padronizar a sua produção de flores, principalmente quanto à qualidade dos produtos e também à criação de patamares estáveis de preços. Para isso ocorrer, ele sugere que o mercado brasileiro adote as regras internacionais de produção e qualidade de flores, principalmente no que diz respeito à rastreabilidade, produção integrada, registro e proteção de cultivares, prática do comércio justo e solidário, defesa e proteção da natureza e do meio ambiente.