A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

HORTALIÇAS

DISTANTE DAS NOSSAS MESAS

Consumo de hortaliças entre as famílias brasileiras é inferior ao de outros países e até mesmo ao gasto com salgadinhos e refrigerantes

O trinômio tecnologia, qualidade das sementes e precocidade é responsável pela mudança do perfil da horticultura brasileira na última década. No período, a produção de hortaliças no país aumentou 33%, enquanto a área foi reduzida em 5% e a produtividade, incrementada em 38%. Ou seja, os produtores investiram mais e não necessitaram aumentar o espaço para colher mais. Com esta receita, a produção total de hortaliças nos últimos três anos tem se mantido na casa de 17,5 milhões de toneladas, ocupando uma área cultivada de 771,4 mil hectares. O valor total da produção foi da ordem de R$ 11,5 bilhões, respondendo por 2% do Produto Interno Bruto do agronegócio brasileiro.

Para a pesquisadora de Economia Rural da Embrapa Hortaliças, Nirlene Junqueira, os produtores investiram com o apoio de entidades de pesquisa. Mas ressalva que o momento econômico do setor não mudou muito nos últimos anos porque a cultura dos brasileiros ainda se mantém. Como exemplo, cita pesquisa do IBGE que mostra a despesa mensal por brasileiro: R$ 6,85 são gastos com hortaliças e R$ 9,65, com frutas, totalizando R$ 16,50. Em contrapartida, o brasileiro desembolsa R$ 13,87 com salgadinhos e biscoitos e R$ 20,91 com refrigerantes e cervejas, no montante de R$ 34,78. Ou seja, 110% maior do que com frutas e verduras.

O poder econômico também pesa. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Horticultura (ABH), Paulo César Tavares de Melo, três quartos do volume de produção concentram-se nas regiões Sudeste e Sul enquanto o Nordeste e o Centro-Oeste respondem pelos 25% restantes. Apenas seis hortaliças são responsáveis por aproximadamente 60% da produção total: tomate, batata, melancia, cebola, cenoura e batata-doce. “Nos estados do Norte, a produção de hortaliças é incipiente e os mercados consumidores são abastecidos por produtos oriundos do Sudeste e Nordeste”, aponta.

Outra peculiaridade é que a maior parte da produção de hortaliças (60%) está concentrada em propriedades de exploração familiar com menos de dez hectares. Como atividade agroeconômica, diferenciase, ainda, por exigir altos investimentos, em contraste com outras atividades agrícolas extensivas. De outro lado, permite a obtenção de elevada produção física e de altos rendimentos por hectare cultivado e por hectare/ano, dependendo do valor agregado do produto e da conjuntura de mercado. “Trata-se de uma atividade econômica de alto risco em função de problemas fitossanitários, da maior sensibilidade às condições climáticas adversas e da maior vulnerabilidade à sazonalidade da oferta, gerando instabilidade de preços na comercialização”, pondera Melo.

Além disso, gera grande número de empregos devido à elevada exigência de mão de obra desde a semeadura até a comercialização. Melo estima que cada hectare plantado com hortaliças propicia, em média, entre três e seis empregos diretos e um número idêntico de indiretos. Em condições normais de mercado, as hortaliças proporcionam receitas líquidas por hectare muito superiores a qualquer outro cultivo temporário. Enquanto as culturas tradicionais alcançam menos de US$ 500 por hectare, as hortaliças geram uma renda de US$ 2 mil a US$ 25 mil.

Consumo — O entrave continua sendo o consumo interno. A Organização Mundial de Saúde (OMS) tem incentivado em todo o mundo campanhas de estímulo ao consumo de hortaliças e frutas. No Brasil, este trabalho tende a ser árduo. De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares, do IBGE, a quantidade de hortaliças e frutas consumida pelo brasileiro atualmente está bem abaixo do mínimo preconizado pela OMS.

A recomendação é que de 6% a 7% da energia total consumida seja proveniente desses alimentos. Mas os resultados da pesquisa mostram que hortaliças e frutas respondem apenas por 1% a 3,5% das calorias totais ingeridas pelo brasileiro. A pesquisa evidencia ainda que o aumento da renda familiar é refletido automaticamente no maior consumo de hortaliças. Nas famílias em que a renda mensal é superior a R$ 3 mil, o consumo médio anual de hortaliças é de 42 quilos por pessoa. Já entre as famílias com renda de até R$ 400 por mês, o consumo por pessoa cai para 15,7 quilos por ano. A título de comparação, o consumo anual médio por pessoa na Itália é de 157,7 quilos; nos Estados Unidos, 98,5 quilos; e em Israel, 73 quilos.

A participação do Brasil no mercado mundial de hortaliças é ainda pouco significativa e está restrita a um número limitado de espécies. Destacam-se, em volume exportado, melão, pimentas e pimentões, tomate, melancia e gengibre. O valor total exportado em 2008 alcançou US$ 240,6 milhões, enquanto as importações totalizaram US$ 389,7 milhões, resultando em um saldo negativo de US$ 149 milhões na balança comercial brasileira de hortaliças. As principais hortaliças importadas são alho, batata, cebola, ervilha e tomate.

Peculiaridade: a maior parte da produção de hortaliças (60%) está concentrada em propriedades de exploração familiar com menos de dez hectares