A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

FRUTAS

POTENCIAL PARA EXPLODIR

O Brasil ainda explora mal o segmento de frutas, que tem todas as condições para ser muito maior

No universo do agronegócio nacional, a fruticultura é um dos setores que ainda não desenvolveram grande potencial de produção para substituir as importações e para abastecer o crescente e exigente mercado interno. Não acompanha, por exemplo, desempenhos como o dos segmentos de grãos e carnes, que auxiliam o Brasil na obtenção de superávits na balança comercial e contribuem para o esforço nacional exportador, hoje a principal alternativa em adoção pelo Governo para a estabilidade econômica. Segundo o Ministério da Agricultura, cada hectare de fruticultura pode gerar até seis empregos diretos, com um investimento de aproximadamente R$ 25 mil.

Para o pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Luiz Belarmino, esta cifra é amplamente superior às demais alternativas nos variados sistemas agroindustriais do país. “Foi esta a opção adotada pelo Chile, que exporta dez vezes mais frutas que o Brasil porque privilegiou a fruticultura e abandonou a produção extensiva de grãos e carnes, devido à escassez de terras agricultáveis”, explica. Na sua avaliação, a produção de frutas gera maiores volumes de recursos por área, propicia novos empregos de qualidade e duradouros e representa alimentos adequados com as preocupações com a saúde da população.

Além disso, Belarmino diz que a privilegiada diversidade de ecossistemas e de microclimas do território brasileiro permite o cultivo de praticamente todas as principais espécies presentes no comércio mundial. Cria inúmeras possibilidades de exploração comercial das amplas e exclusivas espécies de frutas nativas, exóticas e exclusivas, muitas delas já incorporadas aos hábitos (regionais ou não) de consumo da sociedade brasileira.

O panorama é propício, mas a crise financeira mundial terá promovido uma travada nos negócios? Para o presidente do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), Moacyr Saraiva Fernandes, a situação poderá ter um efeito menor na fruticultura do que em outros setores da economia. Ele nota, no entanto, uma grande pressão por preços mais baixos, o que pode comprometer a rentabilidade do exportador brasileiro. “No primeiro semestre de 2009, exportamos 6% menos do que no ano anterior, mas isso se deve principalmente a problemas climáticos ocorridos no Nordeste e Sul do país, que afetaram as produções de melão, abacaxi, manga, mamão e maçã”, informa o dirigente. Considerando o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil entre 1% e 2% este ano, Fernandes acredita na manutenção do consumo de frutas e derivados básicos no país nos próximos 12 meses.

Crédito escasso — O principal entrave para este ano, na avaliação do presidente do Ibraf, é o crédito. A crise financeira mundial reduziu a oferta tanto no exterior quanto no próprio Brasil. “Estamos buscando acessar linhas de financiamento para o setor por meio da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva das Frutas, ligada ao Ministério da Agricultura”, informa. Berlamino diz que, há muitos anos, a fruticultura não é atendida pelas entidades de apoio, em especial na organização e na gestão da cadeia produtiva. “Salvo honrosas exceções, o quadro ainda é caótico, principalmente se for considerado que a fruticultura é o setor agroalimentar mais protegido pelos países de alta renda, onde existem exigências de segurança do alimento, consumido ‘in natura’”, ressalta. O pesquisador aponta as saídas: disponibilidade de crédito, de capacitação técnica e de mão de obra rural.

O setor está preparado para o salto, se tiver apoio. De acordo com o presidente do Ibraf, o consumo de frutas do brasileiro ainda é considerado baixo – 61 quilos/per capita por ano, muito baixo se comparado com países desenvolvidos, que gira em torno de 100 quilos/per capita ao ano.

Exportações — O Brasil tem grande potencial de aumentar os números de exportação, principalmente para países do Oriente Médio e Ásia. Segundo o presidente do Ibraf, o projeto Brazilian Fruit é desenvolvido em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e tem o objetivo de promover a fruta brasileira fresca e processada no exterior. “Para o período de 2009/2010, estamos prevendo ações em mercados emergentes, mas continuaremos promovendo a fruta também em mercados tradicionais como o europeu, que atualmente é responsável por mais de 70% das nossas exportações”, aponta Fernandes.

Porém, Belarmino diz que, para alcançar estes objetivos, é preciso buscar soluções que atendam aos requisitos ambientais e aos sinais do comércio mundial de frutas. Por exemplo, cita que a fruticultura possui um dos comércios mais distorcidos da agricultura e é, ao mesmo tempo, a atividade econômica mais protegida do comércio internacional, em especial pelas restrições técnicas de acesso aos mercados. “Precisamos adotar medidas sanitárias e fitossanitárias compatíveis com as normas e padrões de segurança ambiental e alimentar de consenso supranacional, em especial contra as contaminações bióticas e abióticas de frutas”, aponta.

A situação econômica de uma fruta é o retrato perfeito do setor. Os produtores de maçã enfrentaram algumas turbulências, como a crise mundial, a boa safra em algumas regiões e a qualidade prejudicada pelo granizo em outras. De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM), Pierre Nicolas Pérès, no primeiro semestre de 2009 a fruta deveria ter sido vendida para a indústria, mas foi negociada para os supermercados, pressionando mais ainda uma situação complicada. “A falta de qualidade da fruta atingida pela chuva de pedra fez que o consumidor se retraísse, embora o volume de venda no primeiro semestre tenha sido considerado bom”, diz o dirigente.