A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

OVINOS/CAPRINOS

PEQUENO MERCADO DE GRANDE VALOR

Baixa produção leva o país a importar 95% da demanda por carne ovina, estimada em 8 mil toneladas/ano. Na caprinocultura, existe um déficit de 5 mil toneladas de leite por ano

Ovinos e caprinos se mostram atividades promissoras no Brasil. Demanda grande e oferta mínima garantem o contraste ideal para o aquecimento do mercado. O quilo da carcaça de um pequeno ruminante pode chegar a R$ 10 e o litro de leite, a R$ 3 em algumas praças, de acordo com empresários do setor. Apesar do enorme potencial, alguns fatores prejudicam a competitividade do negócio, como a irregularidade de abastecimento, falta de padronização das carcaças e falhas de manejo na propriedade. O resultado é a concorrência de produtos da Nova Zelândia, maior exportador mundial, e do Uruguai, hoje o maior fornecedor de produtos ovinos do Brasil. Juntos, os dois países abocanham cerca de 50% da procura.

O problema resume-se à organização. Dentro da porteira, o produtor peca na gestão e demonstra dificuldade no controle sanitário do rebanho. “O maior gargalo é o planejamento da produção, que poderia ser feito com a implantação de um sistema de escrituração zootécnica e financeira”, explica Fernando Albuquerque, veterinário da Embrapa Caprinos e Ovinos. “Doenças parasitárias também continuam a ser um fator limitante na criação”, lembra Cezar Cavalcante, pesquisador da entidade. Fora dela, o desafio é maior. “Falta organização das cadeias produtivas, tanto na sintonia entre os vários elos quanto na união dos produtores em cooperativas para atender a crescente demanda”, destaca Albuquerque.

Segundo os pesquisadores, diferentemente dos bovinos, a grande maioria dos cruzamentos realizados de ovinos e caprinos são absorventes, indicando um baixo número de rebanhos puros. “As importações de raças puras ocorrem em menor escala, atualmente. No caso dos ovinos de corte, são trazidos mais exemplares Dorper, e dos caprinos de corte, animais Boer”, constata Luciana Villela, também da Embrapa. Em relação à qualidade de carcaça, o mercado comprador demonstra preferência pelos animais confinados, abatidos mais cedo e com carne mais macia, apesar de existir nichos para animais mais erados. “Churrascarias aceitam cordeiros de até um ano, enquanto a alta gastronomia prefere animais de oito meses”, informa Paulo Schwab, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Ovinos (Arco).

Ovinos: busca pela genética — O consumo per capita de carne de cordeiro superou a expectativa mais otimista e já registra 700g/habitante/ ano. Aumentam os investimentos na formação de plantel, principalmente em São Paulo, segundo o dirigente da Arco. “Há uma busca por genética em todo o país, em especial no Rio Grande do Sul”, esclarece Schwab. Mas, para ele, a atual situação esconde um desconhecimento histórico do setor. Explica que durante décadas o Sul especializou-se na produção de raças laneiras, cuja demanda desapareceu com a entrada dos tecidos sintéticos nos anos 1970. Por outro lado, as regiões do Centro, Norte e Nordeste mantiveram a criação das raças deslanadas para corte focadas no abastecimento local. Agora, faltam animais especializados e o real conhecimento do mercado. “Ainda hoje desconhecemos o desejo do consumidor, se ele quer carne fatiada ou quais tipos de corte prefere. A solução seria elevar o nível de profissionalismo da porteira à gôndola do supermercado”, sugere. A meta é avançar 10% ao ano, apoiado no crescente interesse por pele, carne, lãs finas, leite e seus derivados. O preço da carcaça de ovino varia entre R$ 3-3,50/quilo, em média, no Brasil. Mercados diferenciados chegam a oferecer até R$ 10.

Caprinos: cortes valorizados — A caprinocultura desponta como negócio de alto valor agregado. O leite possui propriedades funcionais, custa entre R$ 2 e R$ 3 o litro e depois de industrializado resulta em queijos finos de R$ 60/quilo. “O segmento leiteiro conta com tecnologias para produção de sabonetes, xampus, cremes, cosméticos, queijos, leite em pó e UHT”, destaca Alessandro Cornélio, presidente da Associação Paulista dos Criadores de Caprinos (Capripaulo). Um problema desta cadeia é sazonalidade de produção. “Isso poderia ser resolvido com uma inseminação em tempo fixo, o que proporcionaria ganhos extras para o produtor ao vender leite na entressafra”, lembra Marcelo Roncoletta, empresário de genética.

Para Cornélio, já é visto um equilíbrio entre os rebanhos caprinos para leite e corte devido à descoberta das qualidades da carne e pela chegada de raças especializadas, como a Boer. “Somente em São Paulo existe um déficit de mais de 3 milhões de cabeças”, informa o dirigente. A entidade estima um crescimento em torno de 20% para 2010. “Só não crescemos mais por falta de divulgação e organização dos setores produtivos e sanitários”, conclui. Os cortes de cabritos ganham espaço na alta gastronomia. Pratos simples custam R$ 40 em restaurantes sofisticados, levando, inclusive, renomados chefs de cozinha a investir na criação.