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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

SUÍNOS

O MUNDO QUER ESTA CARNE

Apesar da crise global, no primeiro semestre de 2009 o Brasil ampliou a exportação de carne suína. O mercado russo voltou a comprar

Vanda Araújo - Agência Safras - Com colaboração do analista Rafael Blaca

O primeiro semestre de 2009 terminou com saldo positivo para as exportações brasileiras de carne suína, apesar dos preços ainda se mostrarem retraídos. Levantamento da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs) mostra que as exportações de carne suína brasileira de junho de 2009 atingiram 53,92 mil toneladas, incremento de 4,23% frente aos embarques de 51,73 mil toneladas de junho do ano anterior. A receita com exportações ficou em US$ 103,22 milhões, queda de 30,01% ante os US$ 147,49 milhões obtidos no mesmo mês do ano passado.

No acumulado do primeiro semestre, o Brasil exportou 294,47 mil toneladas de carne suína, incremento de 8,79% sobre as 270,67 mil toneladas embarcadas nos seis primeiros meses de 2008. A receita atingiu US$ 587,07 milhões, queda de 17,63% se comparada aos US$ 707,86 milhões obtidos no primeiro semestre de 2008. Para o presidente da Abipecs, Pedro de Camargo Neto, os bons números de junho permitem uma revisão na estimativa de exportação para 2009, que pode chegar a 600 mil toneladas.

Mais mercados em vista — Na avaliação da associação, além da queda de preços e da maior oferta de carne, provocada pelo aumento de produtividade, o setor enfrenta falta de agilidade na conquista de novos mercados no exterior. O Ministério da Agricultura apresentou ao governo russo uma lista de nove frigoríficos auditados. Do total, cinco já têm o aval russo. O mercado interno também está otimista com a possibilidade de reabertura do mercado importador sul-africano. De acordo com a Abipecs, a África do Sul importou do Brasil, em 2005, cerca de 20 mil toneladas de carne suína. Também existe a perspectiva de abertura dos mercados das Filipinas e do Vietnã. Esses dois mercados, somados à África do Sul, devem representar, nas previsões da Abipecs, uma exportação potencial adicional de 8 mil toneladas mensais, dando novo alento ao setor.

O mercado brasileiro de suíno começou o primeiro semestre de 2009 com preço de R$ 48 à arroba e terminou com R$ 45. O patamar máximo alcançado foi de R$ 54 na segunda semana de janeiro, enquanto o mínimo atingiu R$ 37 no final de maio. Em 2008, o mercado começou o primeiro semestre com R$ 58, para fechar junho a R$ 62,50. “A produção do primeiro semestre esteve acima da demanda. Nem a recente abertura de mercado de Santa Catarina pela Rússia deu sustentação aos preços”, comenta Rafael Blaca, analista de Safras & Mercado. De acordo com Blaca, há excesso de oferta de carne no mercado, o que continua pressionando as cotações das carcaças e também do suíno vivo.

Abates em alta — Dados consolidados mostram que a Região Sul fechou o primeiro semestre de 2009 com abates superiores aos de igual período de 2008. Em Santa Catarina foram abatidos cerca de 3,989 milhões de cabeças no período, volume 9,89% maior do que em 2008. No Rio Grande do Sul, o volume total abatido no semestre foi de 3,345 milhões de cabeças ante 3,285 milhões de cabeças do ano anterior. Já no Paraná, os abates apresentam aumento de 11,03% de janeiro a junho se comparado com o mesmo período do ano anterior: 2,413 milhões de cabeças contra 2,173 milhões.

Na tentativa de buscar preços remuneradores, a Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs) vem orientando os produtores desde julho para que reduzam a produção com o abate de 10% de leitões recém-nascidos com baixa viabilidade como forma de equilíbrio. “Queremos diminuir a oferta, pois entendemos que com isso haverá uma tendência de recuperação do preço”, enfatiza o presidente da Acsurs, Valdecir Folador. Nos cálculos do dirigente, o custo de produção do suíno no estado gira em torno de R$ 2,40/2,50 ao quilo para um preço de R$ 1,75 (produtores independentes e integrados).

Na opinião de Folador, a medida, se colocada em prática pelos suinocultores do estado por três a cinco meses, irá equilibrar a oferta frente à demanda. A cadeia produtiva da suinocultura também levou sugestões ao Governo federal na metade de julho com o mesmo objetivo. Entre as sugestões, estão a de que o Governo passe a adquirir carne suína dos pequenos produtores e contratar indústrias para o abate com vistas a direcionar o produto para escolas, presídios e instituições do gênero. Outras medidas solicitadas envolvem a operação de leilões de milho para pequenos produtores de suínos, com um limite de volume a ser definido por CPF, bem como a atenção do Governo para os grandes projetos envolvendo a cadeia da suinocultura.

Também na tentativa de fortalecer o mercado, a Associação Paulista dos Criadores de Suínos (APCS), a Câmara Setorial da Carne Suína do Estado de São Paulo e a Associação Catarinense dos Criadores de Suínos (ACCS) realizaram mesa-redonda no final de julho de 2009, em Campinas/SP, para discutir a formação de preço do suíno no Brasil. O encontro propôs, entre outras ações, a unificação das bolsas de suínos de São Paulo (maior estado consumidor), de Santa Catarina (maior estado produtor), do Paraná (terceiro maior estado produtor) e de Minas Gerais (quarto maior produtor), como forma de definir o preço de referência do suíno e de tentar conseguir financiamento para capital de giro no setor.

De acordo com o presidente da APCS, Valdomiro Ferreira Júnior, mediador do debate, a unificação das bolsas deveria ocorrer já a partir de agosto como forma de balizar um preço de referência mais justo e mais próximo da realidade de mercado. “A bolsa unificada servirá para ouvir os produtores e frigoríficos desses estados. A proposta é fazer uma bolsa no sistema de pregão eletrônico através da internet”, antecipa Ferreira Júnior. Em outra ação, o setor pretende, a médio prazo, fazer uma pesquisa para saber se há excedente de oferta de carne suína no mercado e desenvolver campanha de marketing mais persistente para realçar as qualidades da carne suína.