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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

BATATA

SEGMENTO EM APUROS

Clima e aumento dos custos reduzem a área de batata. Faltam linhas de crédito e incentivo à produção

Devido às oscilações climáticas e o aumento dos custos de produção, principalmente referentes à elevação dos preços dos insumos em geral, a bataticultura brasileira passa por momentos difíceis em toda a sua cadeia produtiva. A área de plantio do país, que corresponde hoje a 100 mil hectares/ ano, tem decrescido de forma expressiva. Um dos motivos desse fenômeno é a falta de acesso a linhas de créditos e programas de incentivo à produção de batata.

Natalino Chimowama, gerente da Associação Brasileira da Batata (Abba), que reúne os maiores centros produtores do país, revela que uma das consequências de todos os problemas citados acima é o desestímulo do produtor brasileiro. “A queda na oferta do produto no mercado nacional é devida, também, às extensas estiagens que tivemos na Região Sul, principalmente no Rio Grande do Sul, além dos excessos de chuvas em Minas Gerais e São Paulo, os quais sofreram perdas irreparáveis de produção”, afirma.

Em 2008, de acordo com Valdemar Pires, pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA), de São Paulo, a produção brasileira de batata foi de 3,7 milhões de toneladas, 200 mil toneladas a mais do que no ano anterior. Para 2009, porém, o pesquisador estima que o Brasil não deverá chegar a esse número, principalmente com a elevação no volume de chuvas nessa safra de inverno, que ocorre inclusive nos estados de São Paulo e Minas Gerais, principais polos produtores.

Mercados regionais — Mas nem tudo está perdido. A Região Sul, por exemplo, obteve bons resultados no início do primeiro semestre de 2009. A região foi responsável por 1,6 milhão de toneladas, sendo que o Rio Grande do Sul produziu a maior fatia, 850 mil toneladas, número bem acima do registrado no ano anterior. No plantio da safra de inverno no Sul, em abril e maio, para ser colhida em outubro, a região representou em 2008 um bom crescimento. A produção chegou a 360 mil toneladas só no RS, sendo que PR e SC geraram, respectivamente, 280 e 60 mil toneladas.

Minas Gerais, que representa 1/3 da produção brasileira, principalmente no cultivo da variedade ágata, deverá produzir 1,1 milhão de toneladas em 2009, 100 mil a menos do que no ano passado, segundo informa Pierre Santos Vilela, coordenador da Câmara Técnica da Batata, da Secretaria da Agricultura de Minas Gerais. Segundo ele, a falta de incentivos em fomentar a logística da produção do estado foi um dos principais fatores de queda, além das questões climáticas, outro motivo da depreciação do setor em Minas.

Em São Paulo, onde a bataticultura movimenta R$ 252 milhões/ano, a tendência é diminuir a produção devido aos altos custos agregados ao produto no estado. Flávio Godas, do departamento de Economia e Negócios da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), diz que os preços do produto deverão continuar aumentando, porque, segundo ele, os produtores estão descapitalizados. A média de preço da variedade asterix na Capital paulista está em torno de R$ 50 a saca de 50 quilos. A conjuntura futura do mercado não deve continuar positiva, já que os produtores não estão produzindo como antes, sendo que o Brasil ainda tende a continuar importando batata dos EUA e Canadá, principalmente para atender as redes de fast-food.