A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

FUMO

RECUPERAÇÃO EM CURSO

Custo dos insumos e câmbio atrapalham, mas o preço ao produtor e a qualidade do produto melhoraram muito

O setor fumageiro atravessa um momento difícil, mas ao mesmo tempo de recuperação. A Convenção Quadro para Controle e Uso do Tabaco, ratificada em 2004 pelo Governo Federal, limitou não apenas o consumo de cigarro, mas também a atividade no país. Muitos produtores optaram por outras culturas e os pequenos agricultores que continuaram com o cultivo tiveram uma redução de rentabilidade ao redor de R$ 760 milhões entre 2005 e 2007. Este é o relato que o diretor da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) e presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Fumo, Romeu Schneider, fez em junho em uma audiência pública na Câmara dos Deputados.

O custo elevado de produção tem sido uma barreira para o agricultor seguir no cultivo de fumo. De acordo com a Afubra, o reajuste dos insumos para a lavoura chegou a 144% no período de junho de 2007 até o mesmo mês de 2008. Para a indústria, o problema enfrentado é a valorização do real, que reduz a rentabilidade no momento de comercializar a produção no mercado externo. Aproximadamente 85% do que é produzido no país é exportado.

O resultado das últimas safras no país foi o recuo de área. De acordo com dados do Sindicato da Indústria do Fumo (Sindifumo), o recorde de área plantada foi verificado na safra 2004/05, com 432 mil hectares. Neste período, a redução da oferta em países como Estados Unido Zimbábue principais produtores mundiais, fez com que os agricultores brasileiros aumentassem o cultivo para ocupar este mercado. Depois desta temporada, a área no Brasil foi diminuindo gradativamente, passando para 416 mil hectares em 2005/06, 362 mil hectares em 2006/ 07 e 341 mil hectares em 2007/08. A estimativa para 2008/09 é de estabilidade em relação à última safra. A produção também vem diminuindo desde a safra 2004/05, passando de 839,1 mil toneladas para 678 mil toneladas na temporada 2007/08.

Qualidade e bom preço — Mesmo com todos os problemas enfrentados, os produtores tiveram bons motivos para comemorar a safra deste ano em razão da qualidade do produto. Até mesmo o recuo de produção colaborou para a valorização. Em fevereiro ficou acertado entre representantes dos produtores e dirigentes de empresas fumageiras o reajuste de 7,6% no preço do produto. Cada empresa assinou um protocolo com a representação dos produtores em que, além do preço, foram abordados diversos outros aspectos relacionados ao sistema integrado de produção. Com os preços em alta, os produtores decidiram segurar o fumo nos galpões para atrasar a comercialização e provocar uma valorização ainda maior. O prazo, que terminava em 30 de junho, foi estendido até julho.

Mesmo com todos os problemas, os produtores podem comemorar a safra deste ano em razão da qualidade do produto

Esta atitude resultou em uma das maiores rentabilidades até hoje no setor. Segundo a Afubra, o preço médio do quilo este ano está na média de R$ 5,55, enquanto no ano passado foi negociado a uma média de R$ 4,36, o que significa uma elevação de 21%. “Acredito que este valor seja recorde. Não me lembro do preço ter atingido um nível tão elevado”, comenta Schneider, da Afubra. No período de um ano, a receita bruta do agricultor passou de R$ 9,5 mil por hectare para um patamar acima de R$ 10 mil em 2008.

Para determinar o preço do produto colhido em uma determinada safra, a base de cálculo utilizada é o custo de produção da temporada anterior. Em 2007, o preço do fumo, mesmo de boa qualidade, não foi reajustado porque as empresas e os produtores não entraram em consenso quanto ao custo da safra 2005/06, visto que os fertilizantes e defensivos estavam em um patamar de preços mais baixos. Para agravar a situação, a estiagem no final de 2005, que atingiu as lavouras da Região Sul, que concentra 95% da produção brasileira, reduziu a qualidade do produto e as indústrias decidiram retrair as compras em 2006.

Mas com o aumento nos custos a partir de 2006, os preços para a safra 2007/08 foram revistos e houve uma compensação ao fumicultor este ano. Outro fator que contribuiu foi a queda de 5% nos estoques no período de safra em relação ao da temporada anterior. Ainda pode ser acrescentado que a qualidade do produto colhido este ano ficou acima das expectativas, o que colaborou para que as indústrias aumentassem a compra de tabaco. Com mais produto de qualidade na mão das empresas, a expectativa para este ano é ampliar as exportações de fumo.

Em 2007, os embarques tiveram recorde em receita e volume. As empresas da Região Sul embarcaram 700 mil toneladas para o exterior, 25% a mais que em 2006. A receita no ano passado totalizou US$ 2,2 bilhões, alta de 28% em relação ao ano anterior. O último recorde em volume havia sido registrado em 2005, com o embarque de 610 mil toneladas de tabaco, movimentação de US$ 1,7 bilhão. O produto brasileiro é enviado para mais de cem países, tendo como principal mercado a União Européia, com 45% do volume embarcado. Depois, o Extremo Oriente, com 16%, o Leste Europeu, com 14%, a América do Norte, com 13%, a África, com 7%, e, por último, a América do Sul, com 5%. O fumo responde por 1,4% das exportações brasileiras.

Perspectivas favoráveis — Para a próxima safra as perspectivas são positivas para os produtores. Caso o clima colabore, a tendência é de uma safra de qualidade superior, que deve manter aquecida a compra de tabaco por parte das indústrias. De acordo com o presidente do Sindifumo, Iro Schünke, uma publicação recente da Organização Mundial da Saúde indica que o número de fumantes deve continuar crescendo nos próximos anos. Com isso, ele aposta que o produtor deve elevar ou manter a área de fumo para suprir esta demanda. “Neste momento o produtor está satisfeito com a rentabilidade da lavoura, o que pode levá-lo a repensar a área para a safra 2008/09”, salienta Schünke.

Entretanto, a Afubra aconselha o produtor a não aumentar a área para evitar dificuldades no momento de comercializar a produção a partir do início do próximo ano. “O fumicultor tem autonomia para decidir quantos hectares vai plantar”, afirma Schneider. O dirigente confessa que algumas empresas, que têm produção integrada com o produtor, fazem incentivos para ampliar a área. Contudo, ele projeta que a área na safra 2008/09 deverá aumentar em 5% em razão do setor atravessar um período de preços valorizados.