A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

SERINGUEIRA

CONSUMO DE BORRACHA ACELERADO

A alta internacional do petróleo trouxe novas projeções para os seringais brasileiros. Com custo de US$ 125 o barril, o insumo encareceu a borracha sintética e abriu mercado para as variedades naturais. “As indústrias pneumáticas passarão a utilizar maiores quantidades de borracha natural na composição total dos pneus”, confia o pesquisador do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas/SP, Adriano Tosoni da Eira Aguiar. O bom momento aquece os preços, que já se encontram em patamares elevados (R$ 2,01/quilo de coágulo DRC 53%) devido à demanda internacional e sinaliza para aumento na área e na produção mundial nos próximos anos.

No Brasil, a tendência é de crescimento anual entre 3% e 5% na produção, que, em 2007, ficou em 110 mil toneladas frente a um consumo de 337 mil toneladas. A área de cultivo é de 135 mil hectares. Somente em São Paulo, a previsão é de incremento de 25 mil hectares em 2008. “A heveicultura é hoje um excelente negócio, promovendo benefícios econômicos, sociais e ambientais”, aponta o diretor da Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (Apabor) e consultor do Instituto Tecnológico da Borracha (ITeB), Heiko Rossmann.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o maior produtor nacional é o Estado de São Paulo, que responde por 54,2% (57,2 mil toneladas de borracha seca) da borracha natural produzida. A segunda colocação no ranking é ocupada pela Bahia, com 14,5% (15,3 mil toneladas); seguida pelo Mato Grosso, que responde por 13,7% (14,4 mil toneladas). O Espírito Santo ocupa a quarta colocação, com 4,8% (5 mil toneladas). Apesar de os números serem otimistas, a auto-suficiência está longe de ser alcançada. O déficit nacional é suprido, principalmente, com a importação de borracha natural do sudeste asiático. A aquisição, que em 2006 foi de 178 mil toneladas, fechou 2007 em 219 mil toneladas. A borracha natural é o segundo produto agrícola na pauta de importações, atrás apenas do trigo. Segundo levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, em 2007, o Brasil teve um dispêndio de US$ 483,7 milhões com a importação do elastômero, valor 25,5% superior aos US$ 385,4 milhões gastos no ano anterior.

De janeiro a junho de 2008, as importações de borracha natural totalizaram US$ 288,5 milhões, um aumento de 51,2% em relação ao mesmo período do ano passado, de US$ 190,8 milhões. A forte elevação dos preços no mercado internacional é o principal causador do aumento acentuado dos gastos com importação, uma vez que o crescimento em volume é de 19,9% no mesmo período, de 95,6 mil toneladas no primeiro semestre do ano passado para 114,7 mil toneladas em 2008.

Crédito escasso — Um dos principais entraves enfrentados pelo setor é a falta de linhas específicas de crédito que incentivem o plantio da seringueira. A situação agrava-se com o aumento da concorrência com os projetos de eucalipto e pinus na Região Sul. A maior preocupação é pelo fato de que existem apenas três linhas de financiamento para plantio florestal, nas quais a seringueira se enquadra: Propflora, Pronaf Florestal e Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), mas o volume de recursos disponível é insuficiente diante da demanda gerada pelas grandes multinacionais ligadas à produção de celulose. Outro fator é a venda de sementes e mudas sem certificação de origem e fiscalização. “Isso poderá acarretar em sérios prejuízos no futuro próximo, uma vez que os produtores podem não conhecer os clones/variedades que estão plantando”, aponta Aguiar, do IAC.