A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

HORTALIÇAS

CONSUMO INTERNO É PROBLEMA

Setor produz 17,5 milhões de toneladas em 771 mil hectares, quase tudo no Sul e Sudeste

Nos últimos dez anos o mercado de hortaliças no país teve um aumento de 33% na produção e de 38% na produtividade. Em contrapartida, houve uma redução de 5% de áreas cultivadas. Em 2006, a produção total de hortaliças foi de 17,5 milhões de toneladas, ocupando uma área cultivada de 771,4 mil hectares. Em termos de valores, o total da produção foi de R$ 11,529 bilhões. Esses valores têm se mantido estáveis, segundo dados da Embrapa Hortaliças.

Para Nozomu Makishima, pesquisador da unidade, o volume de produção de hortaliças no Brasil é muito baixo. “É muito pouco em comparação ao primeiro mundo. Falta o hábito de consumo. Atendemos somente a demanda interna. No mundo todo são produzidos 125 milhões de toneladas. Geramos pouco mais de 10% da produção mundial”, afirma. “Somente a produção de tomate, batata, melancia, cebola, cenoura e batata-doce respondem por mais de 64% do volume total produzido no país”, explica Paulo César Tavares de Melo, presidente da Associação Brasileira de Horticultura (ABH). “Setenta e cinco por cento do volume de produção concentra-se nas regiões Sudeste e Sul, enquanto Nordeste e Centro-Oeste respondem pelos 25% restantes. Nos Estados do Norte, a produção de hortaliças é incipiente e o mercado consumidor é abastecido pelos produtos do Nordeste e Sudeste”, continua. Cerca de 60% da produção de hortaliças está concentrada em propriedades de exploração familiar com menos de 10 hectares.

Embora com um potencial alto de receita para o produtor – as hortaliças proporcionam receitas líquidas por hectare de US$ 2 mil a US$ 25 mil, muito superiores a qualquer outro cultivo temporário, que giram em torno de US$ 500 por hectare –, a atividade exige altos investimentos na produção e na mão-de-obra. “O custo de produção e as sementes são caros, os insumos encarecem o custo. E outro problema é o risco da atividade, principalmente com relação a intempéries. As perdas podem ser totais para o agricultor”, explica Makishima.

A participação do Brasil no mercado mundial de hortaliças é ainda pouco significativa e está restrita a um número limitado de espécies, como melão, pimentas e pimentões, tomate, melancia, milho-doce, gengibre e batata. As exportações tiveram um aumento de 5%, passando de US$ 228,7 milhões, em 2004, para US$ 240,6 milhões, em 2007; e em relação ao volume, o crescimento foi de 37%, passando de 267,4 mil toneladas, em 2004, para 366,2 mil toneladas, em 2007. Já as importações totalizaram US$ 389,7 milhões em 2007, resultando em um saldo negativo de US$ 149,1 milhões na balança comercial de hortaliças. Os principais produtos importados foram alho, batata, cebola, ervilha e tomate.

Desafios e perspectivas — Para José Amauri Buso, chefe-geral da Embrapa Hortaliças, não haverá perspectivas de crescimento para o mercado brasileiro no curto prazo. “As projeções não serão muito diferentes dos anos anteriores, a menos que tenhamos problemas sérios ambientais ou fitossanitários. Teremos diminuição de preços e alguns produtores poderão ter prejuízos”, avalia. “Um dos grandes gargalos da cadeia produtiva de hortaliças está nas perdas pós-colheita. Dados da Embrapa revelam que os níveis médios de perdas no Brasil atingem 35% a 40%, enquanto, por exemplo, nos Estados Unidos, não passam de 10%. Iniciativas para reduzir essas perdas vêm sendo adotadas, destacando-se embalagens alternativas como as caixas de madeira e a tecnologia de conservação póscolheita”, diz Paulo César Tavares.

Ainda segundo o presidente da ABH, outro desafio reside na inexistência de espírito associativo entre os produtores rurais – desde os que praticam a produção em escala familiar aos grandes produtores das novas fronteiras holerícolas. “Nesse sentido, os produtores precisam ser incentivados a desenvolver maior senso de organização empresarial, ampliando suas competências, em termos de conhecimentos, atitudes, habilidades e valores na implementação de programas de promoção e marketing do agronegócio de hortaliças, bem como na gestão eficiente e eficaz dos recursos da propriedade”, avalia.

O desespero do alho — A cadeia do alho está pedindo socorro, quase quebrando, por conta do alho vindo da China. A Associação Nacional dos Produtores de Alho (Anapa) está tomando providências quanto a isso, dentre elas, conseguiu por meio de negociação que o Governo aumentasse o imposto da caixa de alho. Mas, de acordo com o presidente da ABH, as medidas estão sendo anuladas porque há uma verdadeira empresa de liminares, capitaneada pelos importadores. Ano passado havia 150 empresas importando alho da China, agora são 200.

“Tínhamos 16 mil hectares de produção de alho, agora temos 8 mil e a tendência é reduzir, talvez ficarão somente os produtores regionais. Já “exportamos” para a China 40 mil empregos diretos, porque deixamos de oferecer mão-de-obra interna”, comenta Buso, da Embrapa. O custo de produção é de R$ 22 por caixa de 10 quilos e o alho chinês chega aqui por R$15 a caixa, já incluindo a taxa antiduping. Os institutos de pesquisa estão trabalhando na análise de risco de pragas, porque se forem identificadas pragas nesses alhos, o Brasil poderá entrar com pedido para bloquear a importação na Organização Mundial do Comércio.