A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

FLORESTAMENTO

SETOR NÃO PÁRA DE CRESCER

A projeção é de que nos próximos dez anos as indústrias de papel e celulose invistam US$ 20 bilhões

O setor de florestamento é um dos mais expressivos no agronegócio brasileiro. Somente a indústria de base florestal representa 3,5% do PIB nacional, ou seja, US$ 37,3 bilhões, enquanto a de madeira processada mecanicamente contribui com 1,2%, ou US$ 12,8 bilhões. As condições climáticas e a tecnologia desenvolvida pelas empresas e instituições de pesquisa no Brasil são referências mundiais. Enquanto nos Estados Unidos, maior produtor mundial, o custo de produção de uma tonelada de celulose é de US$ 304, no Brasil é de US$ 157. O Brasil também supera outros países em produtividade. Segundo o diretor de assuntos setoriais da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), Francisco Saliba, para se produzir 1 milhão de toneladas o Brasil necessita apenas de uma área de 100 mil hectares, enquanto o Canadá, por exemplo, necessita de uma área sete vezes maior.

A indústria produziu 11,9 milhões de toneladas de celulose em 2007. Com este resultado, o setor registrou crescimento de 6,6% em relação aos 11,1 milhões de toneladas de celulose produzidos no ano anterior. Na produção de papel, os números de 2007 registram um aumento de 2,8% em relação ao ano anterior. As empresas fecharam 2007 com a fabricação de 8,96 milhões de toneladas de papéis de todos os tipos, volume que supera os 8,7 milhões de toneladas de 2006. De acordo com os dados da Bracelpa, as perspectivas para 2008 são ainda mais positivas. Neste ano, as indústrias do setor devem produzir 12,8 milhões de toneladas de celulose, crescimento de 7,4%. Além disso, os fabricantes de papel devem produzir 9,2 milhões de toneladas de papéis, volume 3,2% maior do que o alcançado em 2007.

Uma das explicações do sucesso são os investimentos das empresas brasileiras. A Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas (Abraf) projeta investimentos na ordem de US$ 20 bilhões durante os próximos dez anos. Conforme a Bracelpa, o setor deu continuidade ao programa de investimento para o período 2003 a 2012, com o valor de US$ 14,4 bilhões. Devido à demanda por madeira certificada das indústrias de celulose e papel, painéis de madeira reconstituída, siderurgia a carvão vegetal e produtos de madeira sólida, o total foi revisto para US$ 15,2 bilhões, quase US$ 1 bilhão acima do estimado inicialmente. Até este ano já foram aplicados US$ 6,5 bilhões. O programa tem como objetivo ampliar a capacidade produtiva e a competitividade da indústria brasileira de celulose e papel, com crescimento das exportações e criação de novas oportunidades de trabalho.

Câmbio não incomoda — A valorização do real em relação ao dólar não está sendo um gargalo para o setor. De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Secex/Mdic), a receita com as exportações de celulose de janeiro a junho deste ano atingiu US$ 1,8 bilhão, contra US$ 1,4 bilhão no mesmo semestre de 2007. O desembolso da China foi o principal motivo pelo crescimento, que passou de US$ 188 milhões para US$ 358 milhões, alta de 90%. “O câmbio está sendo compensado pelo aumento na demanda. A produção é contínua e não podemos voltar atrás por causa da desvalorização da moeda norteamericana”, comenta Saliba. A União Européia, principal mercado brasileiro, também teve papel definitivo no incremento dos ganhos. Os embarques para este continente passaram de US$ 741 milhões para US$ 909 milhões, alta de 22% quando comparados os dois semestres. A Bracelpa projeta que as vendas externas atinjam US$ 3 bilhões este ano.

Mesmo com o cenário positivo, ainda é preciso tomar medidas para regularizar o setor, que convive com a concorrência de empresas clandestinas. O Governo Federal instalou em junho a Câmara Setorial de Silvicultura com o intuito de definir políticas para as florestas plantadas. A câmara pretende contribuir com recursos adicionais para buscar a preservação do meio ambiente e das reservas naturais. Entre as prioridades do setor para este ano destacam-se a divulgação da segurança na plantação de florestas no Brasil e demonstração dos principais benefícios à sociedade.

De acordo com a Bracelpa, a área de florestas preservadas do setor cresceu 200 mil hectares em 2007. Os fabricantes de celulose e papel mantêm hoje 2,8 milhões de hectares de matas nativas e reservas legais protegidas. O setor detém atualmente certificações internacionais para 1,4 milhão de hectares. São áreas de matas nativas e florestas plantadas que passaram por auditorias realizadas por organismos internacionais que atestaram o manejo correto e o cumprimento de normas de proteção do meio ambiente e da biodiversidade. As florestas plantadas de eucaliptos e pinus para fins industriais mantiveram-se em 1,7 milhão de hectares em 2007 e as parcerias com produtores rurais de plantio de eucalipto para a indústria foram ampliadas. A indústria mantém acordos para produção de madeira com cerca de 10 mil pequenos e médios produtores rurais, que hoje representam uma área total de 304 mil hectares.

Efeitos da crise americana — Mesmo com a regularização no setor, há outros desafios a serem enfrentados. A crise com as hipotecas nos Estados Unidos prejudicou o setor de madeiras processadas no Brasil. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), a desaceleração do mercado imobiliário norte-americano comprometeu diretamente o consumo de produtos de madeira sólida (PMS) e conseqüentemente reduziu as exportações brasileiras para aquele mercado em 2007, principal consumidor do produto brasileiro. Aliada a outros fatores, como o aumento do custo de produção, a crise afetou principalmente o volume exportado de madeira comparado a 2006.