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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

FLORES

LONGE DOS MERCADOS MUNDIAIS

Setor mobiliza 8 mil agricultores em 6,5 mil hectares. O país não está nem entre os 20 principais exportadores

As exportações brasileiras de flores e plantas ornamentais no ano passado alcançaram a marca dos US$ 35,28 milhões, valor 9,18% maior que o obtido no ano anterior. No mesmo período, houve o saldo de US$ 24,74 milhões, mantendo-se a performance de importação entre 29% e 30% de equivalência com os valores exportados. Segundo o Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), esse indicador aponta para a estabilidade da produção de flores e plantas ornamentais no Brasil. Já as importações apresentaram em 2007 a soma de US$ 10,51 milhões, principalmente na aquisição de insumos como bulbos, tubérculos, rizomas e similares em repouso vegetativo (39,29%), mudas de outras plantas (18,39%), mudas de outras plantas ornamentais (10,63%), mudas de orquídeas (13,17%) e estacas nãoenraizadas e enxertos (0,02%).

De acordo com o Ibraflor, a produção brasileira de flores e plantas ornamentais ultrapassa 6,5 mil hectares de área plantada. Mais de 90% da produção é consumida pelo mercado interno. O setor gera um faturamento de US$ 400 milhões e US$ 1,3 bilhão ao ano para produtores e varejo, respectivamente. A expectativa para 2008 é de crescimento de 6% a 7% no mercado interno. O Brasil possui 8 mil produtores de pequeno, médio e grande portes. O principal Estado produtor é São Paulo, que corresponde a mais de 70% da produção nacional. Em seguida, Minas Gerais, Ceará, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

A participação brasileira no mercado internacional é pequena, e o país não está nem entre os 20 maiores exportadores. Isso se deve ao fato do mercado mundial de flores ainda ser pequeno, da forte competição de países da América Central e das próprias condições geoclimáticas do Brasil. Os principais mercados consumidores estão na Europa e no Hemisfério Norte, aumentando as chances de perdas, visto que os produtos são muito sensíveis. Os problemas burocráticos no processo de exportação brasileiro reforçam a situação. “Apenas 5% da produção total de flores é exportada”, diz Renato Optiz, presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Flores e Plantas Ornamentais.

O presidente da Cooperativa de Flores Veiling, de Holambra, Theodorus Breg, não acredita no potencial do Brasil como exportador, no longo prazo, devido a limitações geoclimáticas que impedem o País de concorrer em pé de igualdade com os grandes produtores mundiais. “Os grandes exportadores como Quênia, Etiópia e Colômbia, por exemplo, possuem clima ameno e estão a altitudes de 2,5 mil metros. O principal produto para exportação é a rosa e ela precisa de temperaturas baixas e altitude, algo que não temos por aqui.”

Consumo interno baixo — Em relação ao mercado interno, o consumo de flores no país é pequeno se comparado ao europeu. O consumo médio per capita na Europa é de 50 euros. Aqui é de 11 reais (4,5 euros). Ampliar a demanda interna depende de propaganda, e o dirigente revela que é muito difícil fazer divulgação para os produtos da floricultura em um mercado em que não há união entre os agentes da cadeia produtiva para se realizar ações em conjunto. Essa falta de elo prejudica todas as operações, inclusive a comercialização, a precificação, etc. “Essa é a maior dificuldade para expandir o nosso mercado”, afirma.