A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

OVINOS/CAPRINOS

MUITO ESPEÇO PARA CERSCER

A demanda por carne ovina cresce além da oferta. Leite de cabra também desperta interesse

A produção de ovinos e caprinos é um segmento que tem tudo para deslanchar nos próximos anos, segundo se deduz das análises de especialistas no assunto. Logicamente, à medida que forem sendo superados certos gargalos que o segmento enfrenta. Alguns pontos que reforçam essa promissora perspectiva são os seguintes: o Brasil registra uma demanda crescente por carne de ovinos e caprinos, bem como por leite de cabras. Segundo dados da FAO, de 2007, os brasileiros consomem 130 mil toneladas de carne de ovelha por ano (80% dessa carne é importada). O consumo per capita é de 0,7 quilo/ habitante/ano, enquanto a Nova Zelândia bate nos 39,7 kg/hab./ano, o maior consumidor mundial, e a vizinha Argentina, 1,5 kg/hab./ano. “E a demanda vem crescendo ano a ano, muito mais que a oferta, pois novos consumidores estão buscando a carne de ovinos. E isso sem qualquer ação de marketing do setor”, observa Vicente de França Turino, da GT Consultoria Agropecuária.

Há nichos de mercado crescentes para a carne de cordeiro, não só na alta gastronomia, mas também os diversos cortes especiais de cordeiro são disputados nas gôndolas de varejo mais sofisticado. E para atender a essa exigência por qualidade, alguns frigoríficos especializados no abate de cordeiros oferecem uma gama variada de cortes diferenciados e de produtos derivados. São hambúrgueres, lingüiças, caftas, espetinhos, dentre outros. Para essas empresas outro filão de negócio é fornecer tais cortes para o food service (restaurantes, hotéis, caterings, cozinhas industriais).

Por suas características de produção, a ovinocultura é o tipo de atividade que se ajusta bem às pequenas propriedades familiares. E para essa categoria de agricultor têm sido direcionados diversos programas para estímulo da atividade, via associações e alguns órgãos de Governo. Segundo dados da Comissão Setorial de Caprinos e Ovinos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em 2005 o rebanho ovino brasileiro era de 15,6 milhões de cabeças, assim distribuídas: 9,7 milhões no Nordeste (58,4%); Sul, 4,5 milhões (28,6%) e 937 mil, no Centro-Oeste (6%). Ainda segundo essa mesma fonte, as importações de carne ovina e caprina atingiram US$ 14,9 milhões, provenientes, sobretudo, do Uruguai (94,9%).

Caprinos — Correndo paralelamente está a caprinocultura, que também tem apresentado um crescimento bastante promissor, conforme destaca Espedito Cezário Martins, pesquisador da Embrapa Caprinos, sediada em Sobral/CE. Ele cita o Censo Agropecuário do IBGE, de 2006, que mostra a evolução e um mapa da caprinocultura no país, onde se registra que todas as regiões tiveram crescimento. Levantamento da comissão da CNA (referente a 2005) aponta o seguinte em número de cabeças: 10,3 milhões, das quais 9,5 milhões no Nordeste (92,6%).

Segundo aponta Martins, nas regiões Sul e Sudeste a caprinocultura apresentou crescimento bastante expressivo, embora não existam dados atuais. O censo do IBGE aponta que de 1996 a 2006, no Sul, a expansão foi de 91%; no Sudeste, 30%; e no Centro-Oeste, 26%. Em seu entender, esse aumento se deve, sobretudo, à produção de leite para suprir a demanda do mercado por esse produto, em razão da mudança de hábitos de parcelas dos consumidores que buscam uma vida mais saudável. “Esse mesmo censo mostrou que a caprinocultura é uma atividade de pequenos produtores familiares. Certamente há alguns grandes criadores, com tecnologias de ponta, mas o que predomina são os pequenos produtores, com a média de 25 animais, no Nordeste, e 18 no Sul”, observa. Ele acrescenta que os dados apontam também uma queda (embora pequena) da concentração de caprinos no Nordeste e aumento no Sul. A tendência da caprinocultura é crescer cada vez mais e principalmente no Sul e Sudeste, até porque está se tornando uma atividade alternativa nessas regiões, inclusive em integração com a bovinocultura e lavouras.

A tendência da caprinocultura é crescer e principalmente nas regiões Sul e Sudeste, inclusive na integração com bovinos e lavouras

Leite — Como perspectivas futuras da caprinocultura, Martins, sem querer citar números, assinala que o segmento está crescendo consideravelmente na produção de leite, inclusive no Nordeste. “Há um aumento expressivo da demanda do mercado corporativo, com diversos programas governamentais comprando leite caprino para distribuir às populações mais carentes. Isso já vem implementando a produção de leite de cabra em regiões da Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, onde funcionam tais programas”, analisa. Esta realidade tem levado a uma maior demanda por caprinos leiteiros, o que é constatado em diversos leilões das raças Anglonubiana e Saanen, de genética mais aprimorada para produzir leite. “Agora é preciso salientar que o segmento de produção de leite de cabra, embora seja mais rentável para o criador, exige maior inversão de capital e o domínio de tecnologias”, observa Martins.

Para Carla Francescone Noznica, zootecnista da Associação Paulista de Criadores de Caprinos (Capripaulo), há muita procura de pessoas interessadas na produção de leite caprino, mas há poucas indústrias compradoras. “Por isso, é importante que o criador estude bem a cadeia produtiva: como vai beneficiar e como vai vender. Graças a esse interesse, estamos trabalhando a parte comercial. Esse é um dos focos do trabalho da Câmara Setorial de Caprinocultura do Estado São Paulo”, diz.

Já quanto ao mercado de carne caprina em São Paulo, há demanda, mas não existe volume suficiente. “Os rebanhos do Sudeste e do Sul são predominantemente de raças puras, que os criadores não abatem. Falta então incrementar o rebanho comercial com carcaça padronizada”, analisa. Ela acrescenta que o setor carece de ações para impulsionar o segmento. Carla observa ainda que geneticamente as raças leiteiras e de corte mais utilizadas vêm avançando por meio de testes de progênie desenvolvidos por diversas unidades da Embrapa, a partir de parcerias com alguns criadores.