A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

AVES

FUTURO IMEDIATO PROMISSOR

Exportações têm receitas quase 60% maiores no primeiro semestre. Custo de produção brasileiro é uma vantagem. Consumo interno também cresceu

O levantamento do primeiro semestre de 2008 indicou um cenário muito promissor para a avicultura brasileira, com recorde nas exportações, tanto em volume quanto em faturamento. “Os embarques alcançaram 1,842 milhão de toneladas, contra 1,539 milhão nos seis primeiros meses do ano passado, o que representa um incremento de 19,65%. Já a receita teve um acréscimo ainda maior, de 57,41%, passando de US$ 2,133 bilhões para US$ 3,378 bilhões, com a ampliação de negócios em mercados já consolidados e o aumento das vendas de produtos com maior valor agregado”, destaca o analista de Safras & Mercado Eduardo Sarmento.

Conforme Sarmento, os principais fatores de estímulo ao crescimento da avicultura são os preços do milho e da soja, associados à crise mundial de alimentos, o que possibilitou ao setor estabelecer valores mais altos para o produto, ainda que a taxa cambial tenha atuado como ponto negativo. Ao longo da primeira metade do ano, o Brasil consolidou embarques para seus principais mercados, como Oriente Médio (461,809 mil toneladas), Ásia (398,224 mil toneladas), União Européia (271,474 mil toneladas) e África (113,419 mil toneladas). Em receita, que chegou a US$ 968,692 milhões, a liderança de compras do país seguiu com o Oriente Médio, seguido da Ásia, com US$ 849,626 milhões.

A abertura das exportações de frangos do Brasil para o Chile, obtida no final de julho, mostra o empenho do país na busca de novos mercados e representa uma grande conquista. Até o final do ano, a expectativa é de que os embarques a esse destino, sobretudo de cortes de frango, possa alcançar 30 mil toneladas. Além de garantir o abastecimento dos consumidores chilenos, a idéia dos exportadores brasileiros é de instalar unidades de processamento no Chile. Além disso, pela localização geográfica, a colocação do Brasil neste mercado como processador de frango também se tornaria interessante, visando à possibilidade de ingresso no mercado norteamericano ou mesmo em outros países, via Oceano Pacífico.

Ao longo de janeiro a junho, a produção também cresceu significativamente, alcançando 5,328 milhões de toneladas de frango, com incremento de 7,11% frente ao primeiro semestre do ano passado. O consumo per capita de carne de frango nos seis primeiros meses do ano chegou a 37,896 quilos, incremento de 1,61% em relação ao mesmo período de 2007. No segmento de pintos de corte, o Brasil registrou produção de 2,651 bilhões de cabeças no primeiro semestre, uma expansão de quase 6% frente ao mesmo período do ano passado, de 2,501 bilhões, segundo informações da Associação Brasileira dos Produtores de Pintos de Corte (Apinco).

No primeiro semestre o segmento de pintos de corte registrou expansão de quase 6% frente ao mesmo período do ano passado

Para Eduardo Sarmento, há uma tendência de um crescimento menor na produção de pintos de corte de frango para o segundo semestre na comparação com os primeiros seis meses do ano, em torno de 4% a 5%. “Temos um indicativo de que essa expansão será 3,6% superior à do segundo semestre de 2007, com um quadro de menor oferta interna, o que abriria a possibilidade de preços mais altos no País”, explica. Os resultados para o frango foram tão favoráveis na primeira metade do ano que a União Brasileira de Avicultura e a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango decidiram revisar as estimativas do setor para 2008. A produção deverá totalizar 11,020 milhões de toneladas, alta de 7,55% em relação a 2007 e de 1,28% frente ao volume de 10,880 milhões de toneladas indicado no início do ano.

Aumento das exportações – A expectativa é de que, do total produzido, 7,2 milhões de toneladas fiquem no mercado interno. Deverão ser embarcadas 3,820 milhões de toneladas de carne de frango para o mercado externo, incluindo cortes industrializados, com aumento de 16,25% frente ao volume exportado em 2007. A expansão da produção e os elevados preços das demais carnes concorrentes deverão favorecer um incremento do consumo interno na segunda metade do ano, que deverá chegar a 38,5 quilos per capita, superando em 1,79% a média do ano passado.

Na avaliação de Sarmento, as expectativas para o setor avícola serão ainda melhores neste segundo semestre, com previsão de que a disponibilidade interna venha a diminuir em função de dois fatores: a retração da oferta interna e o aumento da demanda externa. “A inflação de custos que está ocorrendo de forma global segue dando suporte para a alta dos preços e uma procura maior do produto brasileiro, pois continuamos a apresentar o custo de produção mais baixo em nível mundial. No entanto, com a queda do dólar e o fortalecimento da moeda, o nosso produto segue mais caro no exterior”, afirma.

Safras & Mercado trabalha com uma estimativa de produção de 10,955 milhões de toneladas de 2008, o que representaria um crescimento de 6,63% frente a 2007, de 10,274 milhões de toneladas. A produção média mensal estimada para o período é de 939,2 mil toneladas. Nas exportações, o indicativo de alta é de 17,29%, com embarques previstos na ordem 3,842 milhões de toneladas, ante as 3,275 milhões de toneladas registradas em 2007. O volume médio de embarques previsto para os próximos seis meses é de 333,33 mil toneladas.

A disponibilidade interna prevista por Safras & Mercado é de 7,113 milhões de toneladas em 2008, 1,64% superior à verificada em 2007, de 6,999 milhões de toneladas. O Dia dos Pais aparece como um fator importante nesse segundo semestre, representando um período de demanda bem elevada. Já para o final do ano, o mercado espera uma demanda elevada, com um potencial de oferta em crescimento. “O setor está aguardando uma forte demanda, tanto interna quanto externa, o que deve movimentar os negócios mais ao final do ano”, afirma Sarmento.

Por outro lado, ele entende que o fracasso da Rodada Doha poderá trazer interferências para o setor avícola brasileiro no mercado externo. “Foram sete anos de discussão que deram em nada, pois havia um indicativo de que os Estados Unidos poderiam reduzir os subsídios. Como a negociação não avançou, a abertura do mercado norte-americano a países interessados, caso do Brasil, deve seguir difícil, já que o incentivo do governo daquele país aos produtores seguirá firme nos segmentos agrícola e pecuário”, avalia. Sarmento destaca que, embora os números previstos pareçam estrondosos, a demanda interna no decorrer do ano deverá ficar 5% maior, o que contribuirá para inflacionar o mercado, pois a disponibilidade interna deve ficar próxima de 1,6%. “Com uma oferta interna menor, os preços do frango neste segundo semestre deverão ter aumento nas principais praças de comercialização.”