A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

SUÍNOS

O MOMENTO É ÚNICO

Depois de dois anos difíceis e de preços deprimidos em conseqüência de embargos sanitários, o mercado brasileiro de suínos voltou a experimentar aquecimento. Em São Paulo, o suíno encerrou o primeiro semestre cotado a R$ 2,73 ao quilo vivo contra R$ 2,35 de abertura, uma valorização de 16,17% no período. O desempenho positivo teve continuidade na abertura do segundo semestre. O suíno começou julho cotado a R$ 3,33 por quilo vivo no mercado paulista para fechar o mês a R$ 3,49, alta de 4,8% no período. “A suinocultura apresenta um quadro ajustado de oferta e demanda. Qualquer variável favorável à demanda ajuda os preços”, comenta o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari. Durante o primeiro semestre, o mercado foi favorecido pela boa demanda, mas também ganhou sustentação nos preços elevados da carne bovina, vendida a preços recordes no atacado nacional.

Os ganhos só não foram maiores devido à alta dos custos de produção. “Com os insumos em alta, os custos de produção tendem a se manter acima da média, o que leva o mercado a necessitar da manutenção de preços de venda elevados”, diz Molinari. De acordo com o analista, a preocupação do setor com a elevação de custos ocorre em várias frentes e envolve uma série de fatores, entre os quais dificuldades no quadro norteamericano de milho, risco de problemas na safra de soja dos Estados Unidos, andamento da safrinha brasileira de milho e perfil das exportações brasileiras do cereal em um ano de estoques governamentais zerados.

“A expectativa é de que a entrada de uma difícil entressafra de boi gordo ajude o mercado de suínos a ganhar espaço na demanda interna e também nos preços”, diz o analista, para quem a tendência é de um mercado crescente demográfico e de renda, em âmbito mundial. Molinari observa que o Brasil está bem colocado para atender a demanda por carne suína, até porque dispõe de boas condições de oferta de insumos como milho e soja, mas se faz necessário que o setor imponha um controle de produção prévio para inibir variáveis negativas envolvendo excessos de produção e crises de sobreoferta. “Este ajuste nacional ou controle é importante para uma melhor maturidade do setor e sustentabilidade no longo prazo”, defende o analista de Safras.

Na opinião dele, os suinocultores devem aproveitar o bom momento vivido pelo setor para melhorar margens e corrigir deficiências com aumento de custos. “A suinocultura está num bom momento – o boi, subindo, alavanca também o preço do suíno – mas não pode haver disparada de produção. E a produção tem que ir crescendo de forma gradativa e paulatina, para não gerar excesso de oferta de carne suína no mercado”, recomenda. Nesse sentido, a orientação deixada aos produtores é de um crescimento cadenciado da produção, de acordo com o fluxo de demanda.

Do ponto de vista de mercado externo, a avaliação também é positiva, com o Brasil centralizando foco na busca de novos mercados. “O Brasil é o 4o maior exportador de carne suína, mas está tentando fugir do mercado russo e de mercados como a Argentina e Hong Kong. Tem procurado outros mercados que compram menos, como, por exemplo, os países africanos e Armênia, mas são mercados que compram, que têm rotina de compra”, enfatiza o analista.

Preço em dólar alto – Já os preços em dólar no mercado mundial pagos à carne brasileira são os maiores até hoje. “Estamos exportando menos, mas com receita recorde. A carne suína brasileira está sendo vendida a US$ 3.129/tonelada (preço de julho, conforme a Secex), contra R$ 2.000/tonelada de igual período do ano passado”, compara o analista de Safras. A última sinalização de novo comprador para a carne do Brasil foi dada em julho, pelo Chile. O país andino anunciou a reabertura formal de mercado para a carne suína produzida por frigoríficos brasileiros, impedida de entrar no Chile desde outubro de 2005, em razão da ocorrência de casos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul. Um mês antes – em junho – o governo chileno havia reconhecido o Estado de Santa Catarina como livre de aftosa sem vacinação, habilitando plantas de suínos e de frangos daquele Estado, do Paraná e de São Paulo.

Para o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto, a reabertura de mercado chileno às exportações de Santa Catarina, embora com atraso, ajudará o setor a superar as vendas de 2007. O dirigente alerta, porém, que novos frigoríficos de Santa Catarina precisam ser incluídos na lista dos habilitados.

Balanço da Abipecs mostra que no primeiro semestre o Brasil exportou 270,674 mil toneladas de carne suína, volume inferior às 281,027 mil toneladas embarcadas no mesmo período do ano passado. Em receita, no entanto, os embarques atingiram US$ 707,86 milhões, superando o valor obtido entre janeiro e junho de 2007, de US$ 548,77 milhões. A Rússia permanece como o maior comprador de carne suína brasileira, com 115,826 mil toneladas adquiridas no primeiro semestre, totalizando US$ 364,69 milhões. Comparado com igual período do ano passado, houve uma queda de 15,40% em volume e um aumento de 16,76% em valor.

Os outros principais destinos da carne suína brasileira são Hong Kong, Ucrânia, Argentina e Cingapura. No primeiro semestre de 2008 houve aumento das exportações para a Argentina (16,30%), Armênia (88,32%), Bolívia (49,44%) e Hong Kong (38,45%). Hong Kong e Moldávia (crescimento de 290%) estão entre os cinco maiores compradores da carne suína brasileira.