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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

BATATA

PRODUÇÃO COMPROMETIDA

Em poucos anos a área de batata no Brasil encolheu de 160 mil para 100 mil hectares

A produção de batata no Brasil é realizada em sete Estados, dividida em aproximadamente 30 regiões produtoras e 150 municípios. Entre 4 e 5 mil agricultores dedicam-se ao cultivo, que ocupa uma área de 100 mil hectares com uma produção de 2,5 milhões de toneladas/ ano, segundo a Associação Brasileira da Batata (Abba). De acordo com o gerente da instituição, Natalino Shimoyama, a situação atual da produção tem sido favorável para poucos produtores, ou seja, para aqueles que conseguem alta produtividade e qualidade dos tubérculos. Estes geralmente possuem tecnologia e usam batata-semente de boa qualidade fisiológica e fitossanitária.

O país não exporta um único tubérculo, e o mercado interno é autosuficiente. “Temos períodos de excesso de produção e outros com boa oferta. Isto se deve à produtividade das variedades atuais. Houve uma redução de área plantada de 160 mil hectares, nos últimos anos, para 100 mil hectares, com o mesmo patamar produtivo”, comenta Shimoyama. Hoje, a principal variedade de batata cultivada no país é a ágata, que responde por mais de 70% da área plantada e cerca de 80% da produção. Embora tenha uma produtividade elevada e seja bastante apresentável ao consumidor, a ágata possui limitações. Cerca de 85% é composta por água, portanto é uma batata mais adequada ao cozimento e totalmente inadequada para a fritura e para massas, os principais usos do consumidor.

“Mas isto não tem sido um problema para o bataticultor brasileiro, pois geralmente o consumidor compra pela aparência e não pela aptidão culinária, e o tubérculo da ágata é bonito e produtivo, além disso, o produtor não vende por matéria seca e sim por tonelagem”, salienta Paulo Eduardo de Melo, pesquisador da Embrapa Hortaliças. O gerente da Abba apóia a criação de novas variedades para que os pequenos produtores possam oferecer tubérculos diferenciados ao mercado. Ele recomenda a bintje, uma batata ovalada, de olho fundo e pele lisa. “Ela é multiuso, em termos de aptidão culinária, tem mais de 80 anos e é importante em vários países, mas produz metade do que a ágata produz e tem o preço igual ao da ágata”, compara.

Perspectivas — Natalino comenta que a alta incidência de problemas fitossanitários e adversidades climáticas resultaram em baixa produtividade e produção de péssima qualidade neste ano. “Destacamos nestes últimos meses a ocorrência generalizada de nematóides e bactérias (sarna comum e murchadeira) em muitas regiões produtoras. Além disso, o calor ou a seca também contribuíram para reduzir a produção. Assim sendo, nos últimos meses temos a escassez de batatas boas e o excesso de batatas ruins.

As perspectivas para os próximos doze meses são, na análise do dirigente, péssimas, devido ao aumento do custo de produção causado principalmente pelos fertilizantes e pelo diesel. Os custos de produção aumentaram de menos de R$ 15 mil para cerca de R$ 20 mil. Diante disto, certamente haverá redução da área plantada. O gerente da Abba diz ainda que há outros entraves que podem impedir a expansão da atividade no país, tais como indisponibilidade de áreas de plantio. “Não há mais novas áreas para plantar e as áreas existentes estão bastante contaminadas com patógenos de solo, (fungos, bactérias e nematóides).”