A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

COOPERATIVISMO

Gigante no tamnho e na competência

A Granja do Ano — Quais foram as principais realizações da Coamo no último ano e quais são as metas para os próximos 12 meses?

Aroldo Galassini — Nós fizemos um plano de investimento de 2004 a 2006. Estamos terminando alguns entrepostos novos e algumas ampliações em outros, além de um armazém marítimo no terminal do Porto de Paranaguá com capacidade para 75 mil toneladas de grãos. Era um plano de investimento para três anos e o estamos finalizando. Depois disso, daremos um tempo para ver como fica esta situação de crise na agricultura.

P — Quais são as perspectivas da Coamo para a safra 2006/2007 em tempos complicados de agricultura como agora?

R — Achamos que não teremos mudanças de área no Paraná, nem em Santa Catarina e talvez nem no Mato Grosso do Sul. Haverá uma redução de área de soja principalmente no Mato Grosso e em Goiás, é o que trazem os jornais. Quanto ao milho, se fala muito em redução de área no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Mas o produtor não vai deixar de plantar, e vai substituir por soja. Um planta, outro não planta, arrenda... As perspectivas nestes aspectos são boas. O que esperamos são as chuvas. Os meteorologistas dizem que vai chover regularmente a partir de setembro, e esta é a nossa perspectiva. Outra perspectiva é uma reivindicação junto ao governo para mudar um pouco a política cambial a fim de viabilizar os preços da agricultura e de todo o setor exportador.

P — E quais são os planos dos associados? Eles planejam ampliar a área de produção, aumentar ou diminuir os investimentos? Enfim, o que o associado da Coamo está planejando e esperando da próxima safra?

R — Os associados vão manter a área de produção. Estamos fazendo reuniões com todo o quadro social para os associados darem uma freada nos investimentos e uma modernizada na administração da propriedade. Enfim, se tiver máquina sobrando desfazer-se dela, eliminar os custos que nós chamamos de invisíveis. Estamos fazendo reuniões de campo para ver se o pessoal segura as pontas até passar esta crise, este endividamento todo.

P — Que espécie de suporte o cooperativismo pode oferecer ao produtor associado em situações difíceis como a que o campo está vivendo hoje?

R — O suporte, no caso da Coamo, é colocar à disposição do quadro social R$ 140 milhões para beneficiar 11% deles – 2.200 de 19.700 associados, com problemas (endividamento). Estamos terminando os levantamentos para emprestar este dinheiro do FAT Giro Rural do Banco do Brasil. Colocaremos à disposição destes associados o crédito por um prazo de cinco anos com dois de carência, a juros de 7,5% de TJLP e mais 3% do spread bancário. Este é o suporte que estamos oferecendo. Criamos também um plano de aperfeiçoamento da administração da propriedade. Vamos dar um treinamento a todo o quadro social, para o produtor, à mulher, ao filho, para eles acompanharem mais os custos e fazerem uma administração mais profissional. Estamos há muitos anos fazendo assim, mas agora vamos entrar com todo o material, palestras e oferecer um treinamento para eles começarem a trabalhar mais profissionalmente. É um trabalho grande.