A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

PESQUISA AGROPECUÁRIA

O templo da pesquisa agrícola

A Granja do Ano — Como a iniciativa privada pode (via parcerias com instituições públicas de pesquisa) aumentar o pequeno investimento em pesquisa no Brasil (um dos mais baixos do mundo em relação ao próprio PIB)? Quais são os incentivos para formação destas parcerias?

Silvio Crestana — Na Embrapa, uma das possibilidades que tem sido bastante explorada é o estabelecimento de parcerias para a condução de pesquisas de melhoramento genético. Com o surgimento da Lei de Proteção de Cultivares, a Empresa ampliou o número de parcerias estabelecidas com instituições do setor privado. Um exemplo é o caso da soja, no qual as empresas privadas vêm aplicando cerca de R$ 8 milhões/ano no programa de desenvolvimento de novas cultivares. Em conseqüência disso, a oleaginosa tem evoluído de maneira considerável no cenário do agronegócio brasileiro. Em decorrência dessas parcerias, nos últimos anos é possível observar um aumento na arrecadação de royalties, destinados aos programas de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa.

P — O que é possível esperar da recém-criada Embrapa Agroenergia? Quais são os objetivos da Unidade?

R — A Embrapa Agroenergia será uma unidade descentralizada, com estrutura própria, moderna e com laboratórios e equipes de excelência nas áreas de pesquisa de sua competência. Como se depreende dos objetivos da Unidade de Pesquisa, a Embrapa Agroenergia atuará com a visão estratégica de agronegócio e com o enfoque em inovação tecnológica das cadeias produtivas da agroenergia, constituindo, coordenando e se integrando a várias redes de pesquisa nacional e internacional, envolvendo pesquisadores de outras unidades da empresa e de outras instituições. Com esse cenário, as competências necessárias à Embrapa Agroenergia deverão atender às áreas estratégicas relacionadas com tecnologia agronômica (fisiologia da produção, genética e melhoramento de plantas, biotecnologia, engenharia genética, sanidade agropecuária, nutrição vegetal, pós-colheita, etc.), processamento agroindustrial, química, engenharia química, engenharia mecânica e engenharia de materiais, entre outras.

P — Quais são as pesquisas prioritárias hoje na instituição?

R — O Brasil tem um aparato de pesquisa em agricultura tropical, reconhecidamente competente. Tal aparato, aliado às condições ambientais e espaciais permitem ao agronegócio brasileiro deter uma das mais vantajosas relações de custo-benefício, o que tem contribuído para sua expansão de forma sustentada. A manutenção da competitividade do agronegócio brasileiro exige que o aparato nacional de geração de conhecimentos e tecnologias esteja preparado para enfrentar e superar importantes desafios que se delineiam em perspectivas de longo, médio e curto prazos, os quais se transformam em prioridades de pesquisa para a Embrapa. Assim, o desenvolvimento de uma nova matriz energética baseada na agricultura, a agroenergia, o desenvolvimento da biologia avançada, em todas as suas frentes, o desenvolvimento e as aplicações da tecnologia da informação e os avanços da nanotecnologia, são prioridades de pesquisa que podem provocar, em horizontes de 10 a 20 anos, uma substancial alteração da base técnica do agronegócio que, se não for desenvolvida pelo Brasil, pode significar o surgimento de um “gap” científico-tecnológico de custos sociais e econômicos substanciais.