A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

CANA-DE-AÇUCAR

Líder do mundo da cana

A Granja do Ano — O que levou a Cosan a se tornar o maior produtor independente de açúcar e álcool do Brasil?

Luís Carlos Veguin — Entre os principais fatores que fazem da Cosan líder no setor sucroalcooleiro está a profissionalização da companhia, com a contratação de profissionais do mercado que são líderes em suas áreas de atuação. A empresa também foi a primeira do segmento a abrir capital, com a operação de IPO (Oferta Inicial de Ações) realizada em novembro de 2005. Além disso, a Cosan mantém investimentos constantes em pesquisa para inovações e o desenvolvimento tecnológico de produção. A companhia foi fundada em 1936 na cidade de Piracicaba, no interior de São Paulo. Atualmente possui 17 unidades produtoras e dois terminais portuários. É a maior produtora e processadora mundial de cana-de-açúcar, além de estar entre uma das maiores produtoras e exportadoras de açúcar e álcool do mundo. A Cosan iniciou a expansão de suas operações a partir de 2000 por meio de aquisições, parcerias e reestruturação societária.

P — Quais foram as conquistas do último ano da empresa e quais são as metas para os próximos 12 meses?

R — A Cosan registrou receita líquida de R$ 2,48 bilhões no exercício social 2006 (maio de 2005 a abril de 2006), um incremento de 30% em relação ao exercício anterior. A companhia também elevou sua capacidade de moagem em mais de 30% para 40 milhões de toneladas de cana, por meio da aquisição das usinas Corona, Mundial e Bom Retiro e incorporação total do capital da FBA. Além disso, a companhia realizou captação de US$ 403 milhões por meio de seu IPO (Oferta Pública Inicial) e a emissão de US$ 450 milhões em bônus perpétuos. Para os próximos 12 meses a empresa pretende dar continuidade ao seu plano de expansão e também ao processo de absorção e integração das aquisições recentes, visando sempre incrementar a produtividade e otimizar custos. Um exemplo disso é o investimento no replantio de 75 mil hectares nesse exercício social, visando incrementar a produtividade agrícola.

P — Quais são os maiores entraves hoje para o desenvolvimento do segmento sucroalcooleiro do Brasil? Quais as conseqüências desses para o setor?

R — Um grande entrave a ser superado está relacionado à parte logística. A infra-estrutura rodoviária, ferroviária e, principalmente, portuária, precisa ser melhorada para aumentar a eficiência e reduzir custos do setor. Investimentos em álcool-dutos também seriam fundamentais para que o Brasil conseguisse se firmar como o grande fornecedor mundial de etanol, em termos de preço e confiabilidade.

P — Qual é a sua visão quanto ao futuro do País neste segmento?

R — Do ponto de vista da oferta, sem a menor sombra de dúvida, o Brasil possui vantagens competitivas ímpares na produção de cana-de-açúcar, açúcar e etanol. Do ponto de vista da demanda, tanto para o açúcar quanto para o etanol, e também para a energia, o crescimento é elevado, seja pela queda das barreiras tarifárias e subsídios em regiões desenvolvidas, seja pelo maior interesse por combustíveis limpos, renováveis e baratos em função dos altos preços do petróleo e preocupações ambientais; seja pelo crescimento econômico brasileiro que demanda cada vez mais energia elétrica. Assim, o futuro do setor é bastante promissor.