A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

PRODUTOR DE VINHO

O melhor do vinho verde-amarelo

A Granja do Ano — Quais foram os lançamentos da Miolo no último ano e quais são os previstos para os próximos 12 meses?

Antônio Miolo — A empresa realizou uma série de lançamentos este ano, a começar pelo Brandy Osborne, destilado de vinho produzido na Fazenda Ouro Verde (Vale do São Francisco, Bahia) em parceria com a empresa espanhola Osborne, umas das mais conceituadas naquele país. Também apresentou ao mercado o Seleção Rose e a linha Seleção Branco e Tinto, em garrafas de 1,5 litro. Em julho, apresentou os primeiros produtos da categoria ultrapremium: o Espumante Millésime e o Merlot Terroir, ambos da safra 2004. Promoveu, ainda, lançamentos de novas safras de linhas como Fortaleza do Seival, Gamay e a Linha Reserva. A partir de novembro estará disponível o Espumante Brut Rosé.

P — Qual é o perfil do apreciador de vinhos da Miolo? Em que ele é mais exigente?

R — O Miolo Wine Group produz hoje mais de 60 tipos de vinhos em cinco regiões do Brasil: Vale dos Vinhedos, Serra Gaúcha, Campanha Gaúcha, Campos de Cima da Serra (RS) e Vale do São Francisco (BA). Assim, produz vinhos com características diferentes e atende aos mais diversos paladares. Ao adquirir um vinho Miolo, o consumidor está ciente de ter escolhido um produto com a qualidade atestada.

P — Existe hoje algum movimento na esfera política para resolver a injustiça da concorrência desleal de vinhos estrangeiros, sobretudo do Mercosul. que chegam ao País com baixa tributação?

R — O setor é representado pelo Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho). A entidade busca a redução dos tributos do vinho nacional, que hoje está em mais de 40%. Por praticamente não pagar impostos, o vinho importado possui preço muito atrativo, reduzindo a competitividade do vinho brasileiro.

P — Qual é hoje e qual deveria ser o espaço do vinho brasileiro no mercado externo? Qual é o nível de competitividade do vinho nacional?

R — Os investimentos em qualidade feitos pela vitivinicultura nacional nos últimos anos abriram um importante espaço para o vinho brasileiro no exterior. Através do Wines From Brazil, consórcio de exportação apoiado por Ibravin, Apex, Sebrae e Fiergs, as vinícolas brasileiras passaram a participar de feiras no exterior e a ganhar a simpatia dos compradores internacionais. A Miolo é a empresa que mais exporta hoje no Brasil. Está presente em 11 países, como França, Estados Unidos e Alemanha. Em 2005, representaram 6% do faturamento e deverão representar 30% até 2012. Para 2006, a estimativa é dobrar o volume deste ano, para 524 mil garrafas de vinhos e espumantes, aumentando as vendas para esses países e conquistando outros mercados na Ásia e no Caribe.

P — Quais são os caminhos para uma vinícola ter competitividade?

R — A Miolo busca alternativas para tentar ganhar competitividade. Uma delas foi expandir a produção de vinhos para outras regiões. Assim, conseguimos atingir um público mais amplo, considerando que cada produto possui a sua identidade. Também estamos investindo no mercado internacional. As joint-ventures com empresas internacionais feitas no ano passado e em abril deste ano são muito importantes para fortalecermos nossa participação no mercado internacional, através do uso dos canais de comercialização já estabelecidos. No ano passado, fechamos uma joint-venture com a Via Wine, uma das maiores vinícolas do Chile, para produzir vinhos no Brasil e no Chile. Este ano, selamos uma parceria com a Espanhola Osborne para produzir Brandy no Brasil e ser o canal de comercialização dos vinhos da empresa aqui no País.