A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

PRODUTOR DE ALGODÃO

Algodão para o planeta

A Granja do Ano — Quais são as metas e perspectivas da Maeda para a próxima safra? Aumentar ou diminuir a área? E o que a empresa está esperando em relação à produtividade e à rentabilidade?

Jorge Maeda — Em relação a áreas de plantio, em geral, o grupo diminuirá em 10% da área em relação à safra 2005/06. No caso do algodão, o aumento da área será de 20%, a produtividade esperada é de 100 a 110 arrobas por hectare e a rentabilidade líquida de 15%. Já em relação à soja, haverá redução de 30% na área, a produtividade esperada é de 54 sacas/hectare e a rentabilidade líquida de 10%.

P — Por que houve uma redução tão drástica da área de algodão na última safra no País em relação à anterior? Qual é o perfil do produtor que deixou de plantar algodão?

R — A redução da área ocorreu em função da queda dos preços, câmbio baixo e custo alto, elevando, assim, o ponto de equilíbrio (custo de produção) da cultura, fazendo com que o risco aumentasse muito, o que comprometeu a rentabilidade do produtor. São dois os perfis dos produtores que reduziram a área: os que deixaram de plantar algodão e os que reduziram a área de plantio. Deixaram de plantar aqueles produtores endividados com créditos comprometidos perante às instituições financeiras e fornecedores. E diminuíram o plantio produtores que precisaram reduzir tecnologia e que optaram por não arriscar, pois isto refletiria em queda de produção (baixa produtividade). Nesta situação o produtor plantou menos e o que plantou manteve a aplicação adequada de tecnologia.

P — Como a Maeda reduz custos na produção sem comprometer a adoção e uso de tecnologias?

R — Nós fizemos um diagnóstico detalhado de nossos custos fixos, onde conseguimos reduzir 30%. O trabalho envolveu todas as divisões e departamentos da empresa. Foi difícil, mas foi a alternativa que encontramos para adequarmos nossos custos/despesas. Com isto mantemos nossa aplicação de tecnologia (custos variáveis).

P — E como mantém a rentabilidade do algodão em tempos tão complicados como os atuais?

R — Mantemos a rentabilidade com alta produtividade, custo adequado, qualidade da pluma e clientes de primeira linha.

P — Como a Maeda comercializa a sua safra?

R — Comercializamos nossa produção antecipadamente para procurar escapar da pressão de preços que normalmente ocorrem durante a safra. A título de exemplo, estamos comercializando a safra 2007/08 de pluma quando ainda nem plantamos a safra 2006/07. O foco da empresa é o mercado externo. A exportação ocupa um lugar de destaque no planejamento da companhia. Para a pluma, cerca de 75% do total produzido é exportado para aproximadamente 50 países diferentes (especialmente mercado asiático). Já para a soja, exportamos 100% com uma especial atenção para o mercado chinês. As vendas são realizadas sempre FOB e via “tradings companies”. Essa postura visa o gerenciamento do risco de crédito assegurando para a empresa uma maior confiabilidade nos recebimentos. Além disso, a relação comercial entre a Maeda e tais empresas foi construída ao longo da existência da companhia sendo isso muito valorizado. Entre os mecanismos de gerenciamento de riscos de preços a Maeda circula com uma excelente desenvoltura nos mercados a termo, de futuros e de opções, tanto em bolsas nacionais e principais bolsas internacionais. A companhia reduz o impacto da grande volatilidade de preços do mercado internacional em seu resultado. Resumidamente, podemos dizer que a política comercial da Maeda é guiada por três nortes: a) relação comercial de longo prazo com os compradores; b) venda na maioria das vezes via “trading co.” e, c) foco no cliente (comprador).