A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

PRODUTOR DE MILHO

Profissionalismo da lavoura à comercialização

A Granja do Ano — Quais as perspectivas e planos da empresa para o milho na safra 2006/2007 quanto à produção e à produtividade? Haverá manutenção da área da última safra? Por quê?

Arlindo Moura — Para a safra 2006/2007 estamos projetando um incremento de 16% na área plantada de milho nas fazendas da empresa. O maior incremento de área será no cultivo de milho de segunda safra, com um incremento de 28% na área plantada, tudo com vistas a buscarmos o melhor custo-benefício nessa cultura. Estamos trabalhando com cultivares que tiveram melhor desempenho nas últimas colheitas e o nosso objetivo é buscarmos um incremento de 5% na produtividade média geral da empresa nessa próxima safra.

P — O senhor considera o “pacote” recentemente anunciado pelo governo para auxiliar o campo de real relevância dentro do contexto de crise por que passa o setor atualmente?

R — O governo estabeleceu uma série de medidas de apoio para o setor agrícola, especialmente ligada ao apoio na comercialização dos produtos, e que de certa forma poderão impactar positivamente na renda do produtor no curto prazo. Entretanto, o setor carece de medidas estratégicas de médio e longo prazo e que realmente venha a estabelecer condições favoráveis para a produção, algo que não foi atendido nas medidas anunciadas. O setor produtivo precisa de medidas conjunturais e estruturantes, que resolvam as principais razões por trás da crise que assola o setor: câmbio excessivamente valorizado, deficiências logísticas em todas as regiões do País, elevada carga tributária e juros elevados.

P — Como a empresa mantém a rentabilidade, especialmente na produção de milho, em tempos difíceis como os atuais?

R — O grão de milho é um produto com baixo valor agregado. 60 kg de milho representam mais ou menos 50% do valor da soja e 10% do valor dos mesmos 60 kg de algodão. Com isso, o valor do frete passa a representar grande peso no valor do produto. Como o sistema de transporte brasileiro apresenta grandes limitações e as regiões produtoras estão distantes dos portos, o frete sempre será um fator que limitará a competitividade do milho brasileiro no mercado internacional. Além disso, a produtividade média brasileira é menor que a produtividade americana ou argentina, sendo outro fator importante que limita nossa competitividade. Resumindo, o Brasil precisa melhorar o sistema de transporte e aumentar a produtividade, para melhorar a competitividade, mas são dois fatores que exigem investimentos de longo prazo e, com certeza, muitos anos serão necessários para alcançarmos estes avanços.

P — Como a empresa comercializa a sua safra para esquivar-se dos altos e baixos do preço do milho? Quais mecanismos de comercialização a empresa faz uso?

R — O mercado de milho no Brasil ainda não conta com um mercado futuro de elevada liquidez e totalmente adaptado às diferentes regiões brasileiras. Também não existe um mercado a termo muito desenvolvido, o que significa dizer que a maior parte do produto é comercializado apenas após a sua colheita. Assim, o produtor, na sua maioria, não tem condições de fazer de forma eficiente o hedge do preço do produto, o que em alguns momentos pode impactar de forma negativa no resultado da cultura. No caso da SLC Agrícola, a empresa possui assessoria interna e externa para apoiar estrategicamente nas decisões de comercialização, sendo que procura utilizar ferramentas de comercialização de mercado a termo, procurando vender parte da produção antecipadamente, especialmente a safrinha, e o restante ao longo do ano após a colheita. Ao contrário da soja, café e algodão, o mercado futuro é pouco utilizado para esta cultura, tendo em vista a baixa correlação de preços da bolsa com algumas das regiões que atuamos, além da baixa liquidez na comercialização. A empresa vende a produção na sua maior parte para grandes empresas produtoras de ração e de alimentos.