A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

SILOS E ARMAZENAGEM

Trabalhando para proteger os grãos

A Granja do Ano — Qual é o cenário da armazenagem atualmente no Brasil? Os índices de armazenagem na fazenda estão evoluindo?

Duílio De La Corte — A capacidade de armazenagem atual, segundo dados da Conab, encontra-se acima de 110 milhões de toneladas. Se compararmos este número com a estimativa de safra 2005/06, que é de aproximadamente 120 milhões de toneladas de grãos, o déficit seria de aproximadamente 10 milhões de toneladas. Porém, 25% dessa capacidade nominal está em armazéns convencionais, ou seja, voltados para armazenagem em sacaria, os quais não são apropriados para armazenagem a granel. Nos últimos anos os investimentos em armazenagem têm propiciado um crescimento médio, na capacidade de armazenagem, de 5 milhões de toneladas/ano. Segundo o Ministério da Agricultura, a capacidade de armazenagem na fazenda tem evoluído nos últimos anos, passando de 8% para 13%, o que significa mais de 14 milhões de toneladas de grãos. Porém, convém ressaltar que ainda estamos muito distantes de países como Argentina e Estados Unidos.

P — Quais os principais desafios do segmento de armazenagem no País?

R — As questões relativas à logística e à infra-estrutura são cruciais para a continuidade da expansão do agronegócio brasileiro, sendo que a armazenagem está inserida neste contexto. Pode-se dizer que os principais desafios estão relacionados ao déficit atual, à localização e à qualidade de muitos armazéns, hoje considerados impróprios ou inadequados. Há a necessidade da continuidade de investimentos no aumento de capacidade de armazenagem e de logística que permita maior agilidade e redução de custos. Além disso, existe uma forte tendência à segregação de grãos, o que também irá demandar maior número de silos para armazenagem. Mas um dos grandes desafios, sem dúvida, é demonstrar ao produtor que além das vantagens em armazenar na propriedade, que ele pode sim, investir, com um retorno razoável, em uma melhora das condições atuais.

  

P — Que tipo de medida econômica/política pode ajudar a impulsionar o setor?

R — Há a necessidade de equalizar a questão das dívidas dos produtores para que possa haver nova captação de recursos. Também é preciso dar continuidade aos modelos de estímulo ao crescimento da infra-estrutura, com programas como o Moderinfra, onde o desafio a ser vencido é a dificuldade no acesso ao crédito.

P — De que forma o momento de dificuldades para o agronegócio influencia o setor de armazenagem?

R — De uma forma negativa, pela ausência de investimentos no setor, devido à descapitalização dos produtores. Por outro lado, pode influenciar positivamente à medida que evidencia a necessidade de redução de custos e possibilidade de obtenção de melhores preços para os grãos. Sem dúvida, com um gradativo retorno dos investimentos, a armazenagem vai ser uma das prioridades do nosso produtor. Precisamos rentabilizar o negócio, dar sustentabilidade, antes de expandir para novas áreas. Assim, os sobressaltos serão menores.

P — Quais foram os principais destaques ou conquistas da empresa em 2005?

R — O ano de 2005 não foi de grandes destaques para o setor, pois o mercado caiu como os demais relacionados com o agronegócio. Podemos citar como fatores importantes no ano passado, a conquista de mercados interessantes no exterior e a consolidação de nossa participação no Porto de Santos, com a venda de obras significativas.