A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

OVINOCULTURA

Exemplo de exelênciaem ovinos

A Granja do Ano — Quais são os diferenciais da Cabanha Cerro Coroado para manter essa posição de destaque no mercado da ovinocultura?

Armando Garcia de Garcia — Essa situação de ponta deve-se ao fato, em primeiro lugar, da atenção e zelo que meu filho (Teófilo Pereira Garcia de Garcia) dedica à nossa atividade. Esse trabalho, realizado desde 1980, é traduzido nas importações de animais das três raças (ile de france, suffolk e texel) que criamos e na continuidade na compra e criação de carneiros nacionais e fêmeas do mesmo nível, adquiridos em diferentes criatórios do Rio Grande do Sul. Acreditamos na nossa contribuição à ovinocultura nacional, porque ajudamos no aumento da popularização da carne ovina, que hoje é encontrada pelos consumidores em muitos supermercados.

P — Quais foram os principais destaques da Cabanha em 2005

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R — Comemoramos participações muito exitosas nas exposições de Santa Maria e Cachoeira do Sul/RS, com vários grandes campeonatos. Na Expointer de 2005, conquistamos as seguintes premiações: Raça suffolk - reservada de grande campeã ovelha PO, 3º prêmio borrega PO e 3º melhor carneiro PO; Raça ile de france - 3ª melhor borrega PO e 3º melhor carneiro PO; Raça texel - 2º prêmio ovelha PO, 3º prêmio borrega PO fêmea e 4º prêmio borrego PO macho.

P — Quais são os principais projetos da Cabanha para este ano?

R — Em razão da entrada de cortes de cordeiro do Uruguai a preços 50% abaixo dos praticados internamente, saímos do mercado de carne no ano passado. Agora, estamos nos dedicando com mais atenção à produção e venda de reprodutores e matrizes para os rebanhos gaúcho e nacional. Atualmente, o centro do desenvolvimento da produção ovina brasileira está no Nordeste e em São Paulo, onde há um crescimento significativo de determinadas raças, principalmente santa inês e dorper.

P — A ovinocultura vem atraindo um número crescente de criadores no Brasil. Na sua opinião, quais são as tendências do setor para os próximos anos?

R — O rebanho brasileiro está aquém das nossas possibilidades. A Nova Zelândia, que tem condições climáticas inferiores e uma superfície igual a do Rio Grande do Sul, tem um rebanho de 40 milhões de cabeças. O Rio Grande do Sul, que chegou a ter 16 milhões de cabeças nos anos 70, hoje tem perto de 5 milhões. Acredito que o Brasil tem plenas condições de desenvolvimento da atividade e de ampliação do consumo entre a população. Também cabe ressaltar que podemos ser grandes vendedores de carne ovina para o exterior, afinal, o País já é o maior exportador de carne bovina do mundo. Entre os criadores, é natural que exista maior procura pelas raças de corte, afinal, a carne tem maior estabilidade de preços em relação à lã. Embora as estatísticas não sejam confiáveis, o consumo de carne ovina no País fica entre 300 e 500 gramas por pessoa ao ano. O valor é muito baixo em comparação com a França, por exemplo, onde são consumidos 8 quilos por pessoa ao ano.

P — O que é preciso para que o setor continue crescendo e para que os criadores alcancem bons resultados na atividade?

R — Em primeiro lugar, é necessário trabalhar para que seja ampliado o número de nascimentos por 100 ovelhas. Na Nova Zelândia, por exemplo, esse índice é alto, sendo comum a ocorrência de partos duplos. No âmbito comercial, é preciso que ocorra uma reação nos preços da lã para que os produtores se sintam estimulados. Também é necessário um controle maior na importação de carne, para que não seja sustentada essa situação de concorrência predatória.