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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

FUMICULTURA

Momento ruim

Dificuldade foi a palavra usada pelos líderes do setor fumageiro quando questionados sobre a atual situação da cultura em relação à produção. A comercialização se encerrou em julho e, segundo o presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Marcílio Laurindo Drescher, a estimativa inicial de produção apontava para 840 mil toneladas. “O clima desfavorável, com o excesso de chuvas no período de transplante das mudas e falta de chuvas na época de maior desenvolvimento das plantas, originou menor quantidade, com a colheita em torno de 770 mil toneladas, ou seja, 70 mil a menos, e qualidade inferior. Além disso, o preço mínimo ficou muito aquém do solicitado pelos produtores e a comercialização foi insatisfatória, com as indústrias aplicando critérios de classificação rigorosos e diferenciados, frustrando os fumicultores quanto à obtenção de uma melhor remuneração”, explica.

O presidente do Sindicato dos Fumicultores do Rio Grande do Sul (Sindifumo/RS), Iro Schünke, também traça este quadro para o setor. Conforme ele, a qualidade está sendo considerada média, abaixo da perspectiva inicial em função, principalmente, das altas temperaturas que aconteceram em janeiro deste ano e da falta de chuvas em algumas áreas. “O momento atual apresenta um quadro de dificuldades também, especialmente, no que diz respeito à desvalorização do dólar frente ao real e à retenção de créditos de ICMS no RS. Estes fatores têm contribuído para reduzir a competitividade do fumo brasileiro no mercado internacional”, complementa o dirigente.

As informações do Sindifumo apontam que a safra 2006 envolve cerca de 200 mil famílias de pequenos agricultores na região Sul, com aproximadamente um milhão de pessoas diretamente vinculadas à atividade rural, responsáveis pelo plantio de 416 mil hectares, que tinha uma estimativa inicial de produção de 840 mil toneladas, mas que ficará em 770 mil. Na industrialização do fumo, conforme dados do sindicato, as empresas geram em torno de 30 mil empregos diretos nas usinas de beneficiamento, além de movimentar a economia de aproximadamente 800 municípios com a arrecadação de impostos e no desenvolvimento destas comunidades.

Para a reversão deste quadro de dificuldade. Os presidentes das duas instituições indicam que deve ser feita uma redução na área plantada de 10% a 15% para a próxima safra, num acordo entre produtores e empresas fumageiras. Drescher completa afirmando que também deve ser dada maior atenção aos tratos culturais e processos de cura, visando melhorar a qualidade do produto.

Exportações — Atualmente o Brasil ocupa a posição de segundo maior produtor mundial de fumo, atrás da China. Entre seus maiores concorrentes estão os Estados Unidos, a Argentina e alguns países da África e Ásia. Na África, países limítrofes ao Zimbábue têm aumentado gradativamente a produção, procurando ocupar o espaço que o país perdeu em razão de ter passado por problemas sócio-econômicos. E para fumos de menor qualidade, segundo o presidente do Sindifumo/RS, países como Índia, por exemplo, são mais competitivos que o Brasil.

Em 2005, por exemplo, as exportações renderam ao setor fumageiro do Sul do Brasil a quebra de um recorde: 600 mil toneladas e US$ 1,7 bilhão. “Nos últimos anos a produção e a exportação têm aumentado, aproveitando uma demanda que se criou em função da redução da produção de fumo no Zimbábue e também dos Estados Unidos, que ficou menos competitivo em função do preço do seu produto”, salienta Schünke. Já o presidente da Afubra completa com a informação de que o mercado se mantém estável. “Nas últimas safras, 85% da produção tem sido destinada ao mercado externo e 15% para o doméstico”, revela.

De acordo com o presidente do Sindifumo, o Brasil é o maior exportador de fumo do mundo e é principalmente competitivo em fumos flavour (dão gosto e aroma ao cigarro). Para os fumos de menor qualidade, outros países são mais competitivos devido, especialmente, a um custo de produção menor.

Tecnologias — A utilização do sistema floating teve grande destaque em relação às tecnologias empregadas para o setor. Este método eliminou o uso do brometo de metila no preparo dos canteiros de mudas, trazendo maior segurança ao produtor, além de facilitação ao manejo do cultivo. “Em termos de tecnologias, as empresas têm áreas de pesquisa onde constantemente se buscam avanços, desde a criação de melhores variedades, insumos mais adequados, passando por todo o processo de cultivo e cura do fumo”, diz Schünke. “Tem-se feito avanços também nas unidades de cura do fumo, com a finalidade de melhorar a qualidade e reduzir o consumo de energia necessária neste processo. Assuntos relacionados com o meio ambiente e segurança do produtor têm recebido especial atenção do setor”, complementa o dirigente do Sindifumo. Para o presidente da Afubra, “o cultivo do fumo, através do sistema integrado de produção, introduz a cada safra novas tecnologias no desenvolvimento dos tratos culturais e dos processos de cura, objetivando atender as exigências do mercado consumidor”.

Schünke ainda reforça a questão da responsabilidade social desenvolvida pelo setor fumageiro do Sul do Brasil, com o programa “O Futuro é Agora!”. Realizado desde 1998, consiste em erradicar o trabalho infantil do mundo no meio rural. “Além disso, as empresas fumageiras, individualmente, desenvolvem projetos afins com o programa junto às comunidades onde estão inseridas, bem como políticas de benefícios aos seus empregados, resultando num comprometimento público do setor com a questão da responsabilidade social”, salienta.