A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

FLORICULTURA

O negócio é explorar

A floricultura é uma atividade que conquista adeptos em todas as regiões do Brasil dia após dia. O segmento, que concentrava sua produção no Estado de São Paulo, especialmente nos municípios de Aratiba e Holambra, convive, hoje, com a consolidação de pólos florícolas também no Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás e o Distrito Federal. Segundo o Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), despontam também as regiões Norte e Nordeste, principalmente Alagoas, Pernambuco e Ceará. Atualmente, a floricultura soma mais de 4 mil produtores em todo o País – em 304 municípios – que cultivam, anualmente, 6 mil hectares. O setor é responsável pela geração de 3,8 empregos diretos/hectare, o que equivale a 14,2 empregos numa propriedade dedicada à floricultura.

Apesar de ter fechado o ano de 2005 com um incremento de 9,58% nas exportações de flores e plantas ornamentais sobre 2004, o segmento luta contra a desvalorização do dólar frente ao real. As vendas externas significam um potencial nicho de mercado para o segmento, que tem sua participação global em apenas 3%. “O câmbio baixo está tendo um impacto grande. As exportações de flores se reduziram muito, sendo que este produto está sendo escoado para o mercado interno, pressionando os preços”, ressalta o presidente da entidade Kees Schoenmaker.

Os números do primeiro semestre deste ano confirmam a tendência. De janeiro a junho, as exportações de flores e plantas ornamentais somaram US$ 15 milhões, valor 7,95% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. “Com este câmbio, o nosso setor não é competitivo! Produções de mudas estão sendo transferidas para África e os demais setores continuam exportando, porém em volumes menores, tentando manter os clientes e os mercados conquistados a duras penas”, diz Schoenmaker. O principal item vendido para fora do País são as mudas de plantas ornamentais. Só no primeiro semestre, o produto representou 53,49% das vendas internacionais. Os principais destinos foram Holanda, Estados Unidos, Japão e Bélgica.

Mudança de perfil — No mercado interno, a floricultura enfrenta a mudança e perfil do seu público consumidor. A preferência do público passou das flores pouco duráveis para folhagens e plantas de maior durabilidade. “As folhagens são mais baratas para serem usadas em arranjos e tem um efeito muito bonito”, explica Schoenmaker. A orquídea é um exemplo. “A planta é bonita, se adapta a qualquer ambiente e tem uma boa durabilidade”, ressalta ele. Fora isso, grande parte das floriculturas não sabem como se diferenciar dos supermercados, onde o setor aumenta gradativamente sua participação. “Ao contrário de outros anos estamos tendo muitos altos e baixos, porém de um modo geral os preços estão baixos e o rendimento de uma grande parte dos produtores está abaixo do necessário”, explica.

O que poderia contribuir para melhorar as vendas seria a introdução de variedades e tipos novos, já que o mercado sempre é ávido para algo diferente ou melhor. “Em virtude das exigências burocráticas com a Análise de Riscos de Pragas (ARP), fica quase impossível conseguir novidades”, diz o presidente. No mercado doméstico, avalia-se que a floricultura brasileira movimente, anualmente, um valor global em torno de US$ 750 milhões a US$ 800 milhões. O consumo gira em torno de US$ 4,70 per capita, valor, esse, que já experimentou notável crescimento no período de 1994 a 1998, quando somou US$ 6,00 per capita. Contudo, tais números são, ainda, muito baixos frente aos padrões mundiais. Na Suíça e na Noruega, por exemplo, o consumo per capita chega a US$ 170,00 e US$ 143,00, respectivamente. Na Alemanha, US$ 137,00; nos EUA, US$ 36,00 e na Argentina, US$ 25,00.

Para sobreviver nestes cenários, o Ibraflor orienta os floricultores a se associarem através e cooperativas ou associação. “Os atacadistas aproveitam-se mesmo da situação”, enfatiza Schoenmaker.