A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

FLORESTAMENTO

Negócios nas alturas

Asilvicultura brasileira, que atende aos segmentos madeireiros e de papel e celulose, passa por uma boa fase. A afirmação é dos especialistas, que, no entanto, alertam para o fato de que ainda existem muitos obstáculos a serem vencidos para se conquistar uma maior organização e uma produção sustentável. Depois de seguidos picos de crescimento em 2002 e 2003, com forte aumento nos preços de matérias-primas e insumos, o setor madeireiro passou por ajustes, com redução da capacidade instalada, freio nos investimentos, demissões e reposicionamento de produtos e de mercados. Superado esse período, as indústrias do ramo começaram a reagir. “As perspectivas são de que haverá uma pequena ativação nos investimentos, mas longe de atingir índices de anos anteriores recentes. O crescimento acelerado dos anos de 2001 a 2004 deixou de acontecer já em 2005 e, pior, o setor deve operar no negativo em 2006. Mas acredita-se em uma pequena reação nos volumes de produção e vendas para os próximos 12 meses, algo em torno de 5%”, estima Jeziel Adam de Oliveira, superintendente executivo da Associação Brasileira de Madeira Processada Mecanicamente, (Abimci).

Na avaliação do dirigente as dificuldades do segmento devem-se a diversos motivos, dentre os quais a forte e inesperada desvalorização do real em relação ao dólar e ao euro, além da demora na definição de regulamentação para operação de manejo dentro da área da Amazônia Legal. E ainda a concorrência desleal de produtos chineses nos principais mercados de atuação do Brasil, EUA e Europa. Apesar das adversidades, Moacir José Sales Medrado, coordenador da Embrapa Florestas faz uma avaliação otimista do cenário. “O mercado mundial de madeira e derivados é crescente, e a participação do Brasil ainda é muito pequena”. Mas ele adverte. “Para ampliar a atividade, do ponto de vista da produção, é necessário estabelecer uma política setorial que induza, facilite e premie a produção de artigos madeireiros e não madeireiros de forma sustentável, utilizando sistemas de produção rentáveis, ambientalmente adequados e socialmente justos”. Na opinião do coordenador, isto será um antídoto em relação a prováveis ações de concorrentes via barreiras não tributárias.

Nesse contexto, a certificação independente terá importância fundamental para mostrar à sociedade que a matéria-prima utilizada pelo setor provém de áreas submetidas a boas práticas de manejo. “No caso específico de matérias-primas e produtos provenientes da manipulação de florestas naturais, além do processo de certificação independente, evitar a exploração em biomas com problemas de perda de biodiversidade deverá ser uma premissa. Assim, a política deve ser de recuperação das florestas para uso futuro com o enfoque exclusivo de exploração de uso múltiplo”, explica Medrado.

A ausência de marco regulatório para o setor é apontada por Oliveira como um dos principais entraves para o desenvolvimento da atividade. “Precisamos de regras que definam a operação de manejo sustentado nos Estados da Região Norte e que incentivem a ampliação de florestas plantadas em todos os Estados do País. O Ministério do Meio Ambiente conseguiu a aprovação da Lei de Concessão de Florestas Públicas e promete colocá-la em prática ainda este ano. Entretanto, não ofereceu ao setor um modelo de transição, provocando paralisia nos investimentos atuais e também nos futuros”, argumenta Oliveira.

Para o superintendente da Abimci, a grande solução para essas e outras questões está ligada ao suprimento de matéria-prima florestal. “A criação de um programa audacioso de ampliação das áreas de florestas plantadas colocaria o Brasil entre os maiores players do mercado mundial de madeira e tiraria a pressão que é atualmente exercida por madeireiras ilegais e criminosas sobre florestas nativas. E ainda permitiria um melhor aproveitamento e recuperação de áreas degradadas em Estados com baixos índices de IDH, já que o Brasil tem se utilizado de tecnologia de ponta no desenvolvimento genético de espécies importadas e nativas para florestas de plantação, que se encontram entre as de maior e mais rápido crescimento no mundo”, define.

Papel e celulose — Em 2005, a produção nacional de celulose foi de 10,4 milhões de toneladas. Deste total, 8,3 milhões foram de celulose de fibra curta de eucalipto, ou seja, 80,3%. De acordo com o diretor executivo da Bracelpa, Mário Higino Leonel, a recuperação dos preços dos produtos do setor no mercado internacional, no decorrer do primeiro semestre de 2006, tem neutralizado, em parte, a elevação dos custos das empresas por conta da taxa de câmbio excessivamente apreciada e dos juros altos. Por isso, ele considera que o desempenho no mercado internacional tem sido satisfatório. As exportações de celulose e papel somaram no primeiro semestre deste ano US$ 1,95 bilhão, registrando um crescimento de 18% em relação ao período anterior. No mercado interno, as vendas dos produtos do setor também tiveram um bom desempenho. No primeiro semestre de 2006, as vendas de papel cresceram 5,1% sobre igual período de 2005. Representantes do segmento prevêem investimentos da ordem de US$ 14,4 bilhões até 2012, para desenvolver sua capacidade produtiva. “Uma das alternativas adotadas pelas empresas, com muito sucesso, é o fomento florestal. A prática vem ganhando espaço e importância nos empreendimentos do setor. Por meio dessa iniciativa, elas oferecem aos pequenos e médios produtores rurais a oportunidade de plantar florestas em conjunto com outras atividades. Essa parceria constitui um importante mecanismo para o desenvolvimento dos negócios, com a expansão de áreas de florestas plantadas, colaborando ainda com o processo de distribuição de renda e fixação do homem no campo”, afirma Leonel.

Para o encerramento de 2006, a Bracelpa estima que a produção brasileira de celulose deverá alcançar 11 milhões de toneladas, e a de papel, 8,8 milhões de toneladas, um crescimento sobre 2005 de 6,3% e 1,8%, respectivamente. A previsão para as exportações são de US$ 3,9 bilhões, contra US$ 3,4 bilhões em 2005 – aumento de 14,5%. O superávit projetado para 2006 é de US$ 2,9 bilhões, ou de 14,1% sobre 2005. Eduardo Kondo, analista de mercado da Concórdia Corretora, diz que o setor vive um bom momento. “O destaque fica por conta da continuidade dos preços e melhora das vendas no mercado interno. O consumo de papel e celulose no mundo está crescendo e os estoques mundiais são baixos, o que contribui para o aumento de preços. “A expectativa é fechar o ano numa média superior aos US$ 589 de 2005”. E há novos mercados a se explorar. “O aumento na demanda de produtos do setor, principalmente na Ásia, e o fechamento de unidades de baixa produtividade na América do Norte e Europa geram novas oportunidades de crescimento para a indústria brasileira de celulose e papel”, comenta Leonel.