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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

OVINOS / CAPRINOS

Segmento se profissionaliza

Mesmo com toda a crise que vive o agronegócio, a ovinocultura e a caprinocultura ainda são alternativas rentáveis ao produtor. O principal motivo é o grande potencial de desenvolvimento de ambas as atividades no mercado brasileiro, que produz apenas 10% do que consome. A pouca oferta interna abre um leque de opções do grande ao pequeno produtor, que podem comercializar desde o leite, a carne e produtos derivados, até a pele dos animais. “Quem está investindo em genética não se queixa”, avalia o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Ovinos (Arco), Paulo Afonso Schwab.

Como o consumo de produtos de caprinos e ovinos ainda é pouco difundido no Brasil, a grande aposta dos criadores é a comercialização de produtos com alto valor agregado como cortes especiais, carne com menor teor de gordura, queijos e outros derivados. A região que mais tem sabido aproveitar o nicho de mercado é a Sudeste, principalmente São Paulo, que se destaca na produção de queijos e cortes especiais. O Estado, que tem o consumidor mais exigente do País, obteve um aumento de 26,5% no rebanho de caprinos e de 26,1% no de ovinos de 1996 a 2005. Os caprinos passaram de 64,9 mil para 82,1 mil cabeças, e os ovinos, de 257,4 mil para 324,7 mil cabeças.

Para o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Caprinos (ABCC), Albérico Azevedo, o preço da carne de caprino, por exemplo, é um dos atrativos para o caprinocultor. “Ele recebe aproximadamente R$ 6 pelo quilo da carne”, enfatiza. Na região Nordeste, por exemplo, que concentra 10,4 milhões de caprinos e 7,2 milhões de ovinos, uma das opções mais utilizadas está sendo o cruzamento das raças nativas com a boer. “O caprino boer é usado para qualificar o rebanho e agregar valor à carne que possui baixo teor de gordura e alta qualidade”, detalha Azevedo. Segundo ele, o brasileiro está descobrindo a carne de caprinos recentemente. “O pernil do cabrito está custando ao consumidor até R$ 18 o quilo. É um produto fino”, declara. De acordo com a ABCC, no último ano, a atividade registrou crescimento de 5% a 10% no Brasil. “A renda do pequeno produtor aumentaria muito se ele atuasse na caprinocultura”, diz Azevedo, lembrando que o desenvolvimento das culturas destaca-se onde há apoio governamental.

Melhoramento do rebanho — A inseminação artificial de caprinos e ovinos no Brasil também é outro subsídio da atividade que se mostra emergente e lucrativa. Conforme o presidente da Associação Paulista de Criadores de Caprinos (Capripaulo), Vicente Ribeiro, a inseminação artificial é, hoje, o método mais acessível para melhorar o nível do rebanho do País. “No caso dos caprinos e ovinos, só temos duas maneiras: trabalhar diretamente com o animal, adquirindo reprodutores, o que é muito caro, ou com o sêmen congelado”, argumenta. O método, segundo Ribeiro, tem possibilitado a melhora e o aumento do rebanho de ovinos e caprinos no País, e está atraindo novos criadores como em São Paulo. “O Estado vêm crescendo nos últimos anos, tanto pelo aumento efetivo dos rebanhos quanto pelo incremento do número de propriedades rurais destinadas à atividade”, coloca.

Para os ovinocultores, a rentabilidade pode não estar sendo das melhores, mas, ao menos, garante as vendas no mercado interno com a carne e a lã, que ainda é exportada para a China e Europa. Mesmo com a valorização do real frente ao dólar, que fez despencar o quilo da lã de R$ 7,50 para R$ 4 nas últimas duas safras, e com o ingresso de carne e produtos ovinos do Uruguai, o que provocou a queda do preço do quilo da carne de R$ 3 para menos de R$ 2, o ovinocultor conseguiu sair pela tangente.

O rebanho ovino continua aumentando no País. Até o ano passado, o plantel estava calculado em 16,05 milhões de cabeças no Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os rebanhos ovinos cresceram 3,44% em 2004. Os Estados de São Paulo e Bahia são os que despontam na criação, assim como a região Centro-Oeste, onde condições alimentares e climáticas são favoráveis. Conforme a Embrapa Caprinos, a importação de carne ovina passou de 2,3 mil toneladas em 1992 para 14,7 mil toneladas em 2000, um crescimento acima de 600%. A importação de carne caprina foi de US$ 833 em 1996 para US$ 17,1 mil em 2000. Mas o presidente da Federação das Cooperativas de Lã do Brasil (Fecolã), Álvaro Lima da Silva, afirma que o fato de o rebanho continuar se mantendo já é um bom sinal. “Na última safra de lã, recolhemos 8,5 milhões de quilos e vendemos tudo”.

Alternativa para diversificação — Por isso, a Associação Brasileira dos Criadores de Ovinos está desenvolvendo junto aos seus associados um trabalho de certificação do rebanho. Escolhendo pequenas propriedades, que criam de 20 a 30 animais, a associação quer regularizar a oferta de ovinos, que, atualmente, apresenta-se maior somente nas datas festivas de final de ano. “Hoje, temos um dos melhores materiais genéticos do mundo”, justifica Schwab. O trabalho também consiste em mostrar o quanto a ovinocultura pode ser utilizada paralelamente com outras culturas. “É a carne que apresenta o melhor rendimento de quilo por hectare, além disso, tem a mais rápida rotação no campo (em um ano)”, diz o dirigente da Arco. Outro objetivo é tirar a máxima rentabilidade dos ovinos. “O mercado interno produz apenas 15% do total da lã consumida aqui”, lembra o presidente da Fecolã, Álvaro Lima da Silva.

Segundo o pesquisador da Embrapa Caprinos, Enéas Reis Leite, o Brasil conta com rebanho ovino e caprino que, somados, representam 32 milhões de cabeças, equivalente a 3,3% do efetivo mundial, o qual é superior a 990 milhões de animais. A região Sul representa 31,6% dos ovinos e 2,0% dos caprinos, e ainda a região Sudeste é responsável por 3,4% do rebanho de ovinos e 2,4% do rebanho de caprinos.