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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

MILHO

Área e tecnologia em baixa

O refinanciamento da dívida agrícola com prorrogações e parcelamento, contemplado no Plano Safra 2006/07, anunciado em julho pelo governo federal, dará boa ajuda aos produtores de milho, mas não deve motivar um incremento de área com a safra de verão 2006/07. A primeira intenção de plantio de Safras & Mercado divulgada na segunda quinzena de julho aponta para queda na área plantada no verão, com tendência de retração também na tecnologia aplicada devido às condições de liquidez do produtor.

A safra de verão que começa a ser plantada a partir de agosto tem área pré-estimada em 5,6 milhões de hectares, 2,6% inferior à da temporada 2005/06, de 5,7 milhões de hectares. O potencial de produção é de 26,4 milhões de toneladas contra 27,7 milhões de toneladas da safra anterior, com redução atribuída basicamente à menor área e tecnologia. Entre os fatores de desestímulo à produção de milho estão o quadro de descapitalização do produtor decorrente de dois anos de perdas de produção, câmbio sobrevalorizado, impedindo uma paridade de exportação equilibrada e problemas de logística com duas safras praticamente cheias disputando espaço nos armazéns.

produção em 2006. “A provável quebra de safra de trigo em 2006 pode apontar para uma maior concorrência do milho da safrinha com o trigo de inverno em 2007”, observa o analista.

Pelas suas projeções, a safra brasileira de milho de 2006/07 terá área de 10,91 milhões de hectares, 2,4% inferior à de 11,18 milhões de hectares de 2005/06. A produção está estimada em 41 milhões de toneladas, com retração de quase 1 milhão de toneladas se comparada à safra 2005/06, de 41,9 milhões de toneladas. “Esse volume, se confirmado, poderá trazer algum benefício positivo para os preços do milho neste segundo semestre, bem como a já tradicional dependência de uma ótima safrinha 2007”, avalia o analista de Safras. A entrada da safrinha 2006 vai confirmando o que o mercado já esperava. Com 31,6% da safrinha colhida até 21 de julho conforme levantamento semanal de Safras, o mercado brasileiro de milho enfrenta baixa generalizada de preços diante da necessidade de venda por parte do produtor.

No Paraná, primeiro produtor nacional do cereal com produção estimada em 3,14 milhões de toneladas na safrinha de 2006, o preço de balcão ficou abaixo de R$ 12 na primeira quinzena de julho na região oeste do Estado, com o mercado de lotes a R$ 12,30/12,50 à saca, patamares muito abaixo do preço mínimo de R$ 14,00/saca. No norte do Estado, onde houve perdas acentuadas com a safrinha, os preços também estão abaixo de R$ 14,00/saca. No sul do Mato Grosso do Sul, preços oscilaram entre R$ 11,50/12,00 apesar do leilão de Prêmio de Risco de Opção Privado (Prop) dar algum suporte às primeiras colheitas. Em São Paulo, onde a colheita deve avançar nos próximos dias, a saca foi cotada abaixo de R$ 15 na região sorocabana. Em Goiás, o mercado ficou abaixo do preço mínimo, com indicações de negócios a R$ 12/12,50 em Rio Verde no fechamento da primeira quinzena de julho e abaixo deste patamar no sudoeste do Estado. Diante desta condição de preços, cooperativas do Paraná e do mercado do Mato Grosso do Sul já se mobilizam na tentativa de sensibilizar o governo para a retomada dos leilões de Prêmio de Escoamento do Produto (PEP) como forma de viabilizar o escoamento e retomar preços, pelo menos em nível de preço mínimo.

“Seja para quitar dívidas ou para comprar insumos para o plantio, o milho novamente volta a ser moeda de troca em várias regiões do País, exercendo pressão de venda regional que implica em baixa de preços”, constata o analista de Safras. Observa que sem um fluxo forte de exportações devido ao câmbio, o mercado deve voltar a solicitar leilões de PEP, mesmo nas regiões onde o governo mantém os leilões de Prêmio de Risco de Opção Privado. Mesmo com o governo já tendo absorvido mais de 500 mil toneladas em AGF e com fluxo constante de Prop a cada semana, os preços de mercado estão abaixo dos preços mínimos, observa o analista. Na sua avaliação, o leilão de Prop não tem gerado fatores positivos para a formação de preços internos e nem evitado novas baixas com o avanço da colheita. “Muitos produtores fogem do mecanismo e passam a ofertar milho a preços inferiores aos preços mínimos nas regiões de safrinha. Nem mesmo para os produtores que entram nos leilões os preços de liquidação têm resgatado o preço mínimo”, pondera Molinari.

Exportações — No mercado internacional, o sazonal fator climático continua sendo preponderante para os preços do milho na Bolsa de Chicago. Os preços recordes do petróleo alimentam os preços do etanol e também oferecem solidez aos preços do milho, cotados entre US$ 110/112 à tonelada FOB. Entre uma condição de pouca chuva ao longo de julho e uma previsão de retomada do clima mais úmido para agosto, o mercado internacional aguarda a definição do potencial de produtividade da safra norte-americana deste ano. A produtividade esperada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) se manteve em 149 bushels por acre, e a partir de agora segue como o ponto especulativo neste quadro de oferta e demanda para o próximo ano comercial.

O relatório de julho de oferta e demanda do USDA trouxe novidades em termos de produção e de área plantada para a safra 2006/07. Para a safra 2005/06, o destaque ficou com a expectativa de “O agronegócio nacional passa por um ano difícil principalmente na região Centro-Oeste. A dificuldade de liquidez na comercialização a partir de um câmbio sobrevalorizado, associada ao alto nível de endividamento dos produtores é a ‘chave’ da crise brasileira de 2006", comenta o analista de Safras & Mercado, Paulo Molinari. Destaca que o governo vem tentando melhorar a capacidade de pagamento das dívidas e dar liquidez à comercialização da safra nacional, mas que enquanto o câmbio não retomar um patamar mais equilibrado de forma a compatibilizar os preços externos, considerados razoáveis neste momento, com uma conversão para preços em reais de forma equilibrada, os produtores tendem a plantar a safra da forma que for possível.

Molinari diz que como a dificuldade é de liquidez, o produtor fará uso de tecnologia com os instrumentos de financiamento que estiverem à disposição em linhas oficiais ou privadas, bem como sistemas de troca e venda da safra para viabilizar a compra de insumos. Por este motivo, é esperada uma queda média de tecnologia na safra 2006/07, que em princípio pode determinar um potencial de produtividade mais baixo. A poucos dias do início do plantio, a safra de verão não apresenta indicações problemáticas de clima. A previsão, no entanto, é de que as chuvas devem demorar para retornar, com início da regularização apenas em setembro, o que pode implicar num plantio mais tardio principalmente na região Sul, de semeadura prevista para agosto.

Na avaliação do analista de Safras, as regiões Sul e Sudeste estão sem problemas graves com o milho, o que permite apontar um plantio com alguma perda regional de área. Já no Centro-Oeste as condições de liquidez são péssimas, com o milho sujeito a perda de área e de tecnologia. Os produtores do Centro-Oeste receberam baixos preços pelo cereal no primeiro semestre, com recuperação apenas em função das ações de governo junto ao mercado e também tiveram preços baixos na soja. “Os preços da soja são ruins em todo o País, mas são piores no Centro-Oeste. Isto mantém a soja com certo potencial competitivo em relação ao milho no Sul e Sudeste, inclusive com avanço significativo do plantio de soja transgênica”, avalia Molinari.

A relação de troca soja/milho no Sul e Sudeste também é favorável à oleaginosa. Conforme o analista, a relação entre 2,00/2,10 sacas de milho por uma de soja pode orientar o produtor a plantar soja no Sul e no Sudeste, mas não induz a um maior plantio de milho verão. A possibilidade de alguma melhoria cambial também pode ajudar mais o plantio da soja do que do milho no segundo semestre.

Safrinha beneficiada — Já a área do milho safrinha dependerá dos fatores de mercado, financiamento e lavouras concorrentes. A visão inicial é de que poderá haver alguma acomodação de área plantada regional, seja em favor do trigo no Paraná ou por questões de custos de produção e comercialização no Centro-Oeste. Em âmbito nacional, a projeção inicial de Safras & Mercado aponta para uma queda potencial de área de 3,9%, com a safra de 2007 atingindo 2,72 milhões de hectares contra 2,83 milhões de hectares de 2006. A produtividade média, no entanto, tende a ser maior – de 3.518 kg/hectare para 3.746 kg/hectare, o que numa situação de clima normal deve resultar numa produção de 10,2 milhões de toneladas. Na última temporada, os produtores colheram 9,9 milhões de toneladas de milho safrinha.

“A retração no nível de tecnologia dependerá das condições de preços de mercado e de financiamento das lavouras no próximo ano”, antecipa Molinari, para quem a safrinha 2007 poderá refletir ações de plantio se for confirmada a retração de área plantada no verão. Entre os fatores de estímulo ao plantio da segunda safra figuram o binômio soja verão–milho safrinha, a possível retração da área no verão, a expectativa de um câmbio um pouco mais desvalorizado ajudando a formação de preços e a necessidade do produtor realizar duas safras no ano devido ao acúmulo de dívidas para 2007. Também podem favorecer o plantio da safrinha o consumo interno ainda sólido, um possível perfil de baixos preços na soja exigindo um plantio de inverno e a forte concorrência com o trigo no Paraná devido a um quadro de menor

O refinanciamento da dívida agrícola com prorrogações e parcelamento, contemplado no Plano Safra 2006/07, anunciado em julho pelo governo federal, dará boa ajuda aos produtores de milho, mas não deve motivar um incremento de área com a safra de verão 2006/07. A primeira intenção de plantio de Safras & Mercado divulgada na segunda quinzena de julho aponta para queda na área plantada no verão, com tendência de retração também na tecnologia aplicada devido às condições de liquidez do produtor.

A safra de verão que começa a ser plantada a partir de agosto tem área pré-estimada em 5,6 milhões de hectares, 2,6% inferior à da temporada 2005/06, de 5,7 milhões de hectares. O potencial de produção é de 26,4 milhões de toneladas contra 27,7 milhões de toneladas da safra anterior, com redução atribuída basicamente à menor área e tecnologia. Entre os fatores de desestímulo à produção de milho estão o quadro de descapitalização do produtor decorrente de dois anos de perdas de produção, câmbio sobrevalorizado, impedindo uma paridade de exportação equilibrada e problemas de logística com duas safras praticamente cheias disputando espaço nos armazéns.

produção em 2006. “A provável quebra de safra de trigo em 2006 pode apontar para uma maior concorrência do milho da safrinha com o trigo de inverno em 2007”, observa o analista.

Pelas suas projeções, a safra brasileira de milho de 2006/07 terá área de 10,91 milhões de hectares, 2,4% inferior à de 11,18 milhões de hectares de 2005/06. A produção está estimada em 41 milhões de toneladas, com retração de quase 1 milhão de toneladas se comparada à safra 2005/06, de 41,9 milhões de toneladas. “Esse volume, se confirmado, poderá trazer algum benefício positivo para os preços do milho neste segundo semestre, bem como a já tradicional dependência de uma ótima safrinha 2007”, avalia o analista de Safras. A entrada da safrinha 2006 vai confirmando o que o mercado já esperava. Com 31,6% da safrinha colhida até 21 de julho conforme levantamento semanal de Safras, o mercado brasileiro de milho enfrenta baixa generalizada de preços diante da necessidade de venda por parte do produtor.

No Paraná, primeiro produtor nacional do cereal com produção estimada em 3,14 milhões de toneladas na safrinha de 2006, o preço de balcão ficou abaixo de R$ 12 na primeira quinzena de julho na região oeste do Estado, com o mercado de lotes a R$ 12,30/12,50 à saca, patamares muito abaixo do preço mínimo de R$ 14,00/saca. No norte do Estado, onde houve perdas acentuadas com a safrinha, os preços também estão abaixo de R$ 14,00/saca. No sul do Mato Grosso do Sul, preços oscilaram entre R$ 11,50/12,00 apesar do leilão de Prêmio de Risco de Opção Privado (Prop) dar algum suporte às primeiras colheitas. Em São Paulo, onde a colheita deve avançar nos próximos dias, a saca foi cotada abaixo de R$ 15 na região sorocabana. Em Goiás, o mercado ficou abaixo do preço mínimo, com indicações de negócios a R$ 12/12,50 em Rio Verde no fechamento da primeira quinzena de julho e abaixo deste patamar no sudoeste do Estado. Diante desta condição de preços, cooperativas do Paraná e do mercado do Mato Grosso do Sul já se mobilizam na tentativa de sensibilizar o governo para a retomada dos leilões de Prêmio de Escoamento do Produto (PEP) como forma de viabilizar o escoamento e retomar preços, pelo menos em nível de preço mínimo.

“Seja para quitar dívidas ou para comprar insumos para o plantio, o milho novamente volta a ser moeda de troca em várias regiões do País, exercendo pressão de venda regional que implica em baixa de preços”, constata o analista de Safras.

Observa que sem um fluxo forte de exportações devido ao câmbio, o mercado deve voltar a solicitar leilões de PEP, mesmo nas regiões onde o governo mantém os leilões de Prêmio de Risco de Opção Privado. Mesmo com o governo já tendo absorvido mais de 500 mil toneladas em AGF e com fluxo constante de Prop a cada semana, os preços de mercado estão abaixo dos preços mínimos, observa o analista. Na sua avaliação, o leilão de Prop não tem gerado fatores positivos para a formação de preços internos e nem evitado novas baixas com o avanço da colheita. “Muitos produtores fogem do mecanismo e passam a ofertar milho a preços inferiores aos preços mínimos nas regiões de safrinha. Nem mesmo para os produtores que entram nos leilões os preços de liquidação têm resgatado o preço mínimo”, pondera Molinari.

Exportações — No mercado internacional, o sazonal fator climático continua sendo preponderante para os preços do milho na Bolsa de Chicago. Os preços recordes do petróleo alimentam os preços do etanol e também oferecem solidez aos preços do milho, cotados entre US$ 110/112 à tonelada FOB. Entre uma condição de pouca chuva ao longo de julho e uma previsão de retomada do clima mais úmido para agosto, o mercado internacional aguarda a definição do potencial de produtividade da safra norte-americana deste ano. A produtividade esperada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) se manteve em 149 bushels por acre, e a partir de agora segue como o ponto especulativo neste quadro de oferta e demanda para o próximo ano comercial.

O relatório de julho de oferta e demanda do USDA trouxe novidades em termos de produção e de área plantada para a safra 2006/07. Para a safra 2005/06, o destaque ficou com a expectativa de aumento das exportações e redução dos estoques finais de passagem. O USDA manteve a estimativa de produção de milho dos Estados Unidos em 11,112 bilhões de bushels na temporada 2005/06. Para a safra 2006/07, a produção foi aumentada de 10,550 bilhões de bushels para 10,740 bilhões de bushels. Para a safra 2006/07, o USDA estima plantio de 79,4 milhões de acres, acima dos 78 milhões de acres projetados no relatório de junho. A previsão de área a ser colhida passou de 70,8 milhões de acres para 72,1 milhões de acres.

A produção mundial foi estimada em 691,74 milhões de toneladas, abaixo das 692,24 milhões de toneladas estimadas no relatório de junho. Os estoques finais de passagem foram reduzidos de 130,39 milhões de toneladas para 127,08 milhões de toneladas na safra 2005/06. Para a temporada 2006/07, o USDA aponta uma produção mundial de 686,75 milhões de toneladas ante 682,13 milhões de toneladas projetadas em junho. Os estoques finais de passagem foram reduzidos de 92,18 milhões de toneladas para 91,22 milhões de toneladas.

“O quadro apontado pelo USDA revela que os estoques mundiais estarão novamente caminhando para patamares baixos, de 91,2 milhões de toneladas contra 127 milhões atuais. Somente uma safra norte-americana de 2006 muito acima da esperada e uma supersafra em 2007 poderia neutralizar esta trajetória. Portanto, estamos caminhando para um novo ciclo no mercado mundial de milho talvez mais especulativo que o normal devido à combinação de queda mundial dos estoques e sustentação via mercado de energia”, comenta o analista de Safras.

Destaca que para o Brasil, o perfil de quadro mundial mantém as portas abertas para um ótimo fluxo de exportações nos próximos meses, desde que o País consiga se adequar de forma competitiva aos preços internacionais. Os patamares de US$ 120/122 por tonelada hoje indicados para o milho brasileiro historicamente são bons na sua avaliação, mas a questão segue centrada no câmbio, já que mesmo com R$ 2,20 a paridade de exportação não passa de R$ 15/15,20 à saca no Porto de Paranaguá. “O mercado brasileiro segue com disponibilidade para exportação mas sem condições de escoar grandes volumes de forma autônoma devido à paridade cambial ainda péssima”, enfatiza.

De fevereiro a junho as exportações brasileiras de milho atingiram 1,14 milhão de toneladas, volume distante da meta de 2,15 milhões de toneladas para 2006, mas considerado bom para um ano em que não há espaço via câmbio para uma paridade de exportação nivelada ao mercado interno. “Para que haja um maior ritmo de exportações neste segundo semestre, o mercado necessitará retomar a questão cambial na formação da paridade de exportação ou de uma baixa maior nos preços internos para viabilizar o escoamento da safrinha 2006”, diagnostica o analista de Safras.