Algodão: Brasil envia ao mundo uma pluma responsável

Da totalidade da produção mundial de algodão certificada, 30% é gerada em lavouras brasileiras. E da produção de pluma dos cotonicultores brasileiros, 80% é certificada. Ou seja, atende a normas de produção referentes aos pilares social, ambiental e trabalhista, de acordo com um total de 179 itens que atendem ao selo Algodão Brasileiro Responsável (ABR), gerenciado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e implementado pelas associações estaduais. A ABR engloba uma centena de normas a mais que a própria certificação internacional, a Better Cotton Initiative (BCI), visto que que a iniciativa brasileira contempla aspectos ambientais que são específicos da agricultura brasileira.

A responsabilidade do algodão brasileiro foi apresentada e descrita pelo presidente da Abrapa, Arlindo de Azevedo Moura (na foto), em evento à imprensa agrícola na semana passada, na Fazenda Pamplona, que pertence ao Grupo SLC Agrícola, em Cristalina/GO. A propriedade do grupo que plantará nesta safra mais de 455 mil hectares (também em outras 15 fazendas) é um exemplo de produção agrícola responsável, visto uma série de certificações obtidos pela companhia, inclusive em nível internacional. “A SLC Agrícola pode atender a qualquer mercado no mundo, até os mais exigentes”, definiu Álvaro Dilli, diretor de Recursos Humanos e Sustentabilidade do grupo. “Entrar no processo de sustentabilidade dá lucro”, esclareceu, ao mencionar os custos da adesão às normas, que são altos, além da posterior manutenção anual, em comparação aos retornos obtidos de gerar produtos responsáveis e viáveis até para nichos de mercado.

O presidente da Abrapa descreveu em detalhes todo o processo de adesão dos cotonicultores à certificação ABR, que foi lançada em 2012, mas precedida de outras iniciativas. O produtor, por exemplo, precisa atender 85% dos 179 itens exigidos no primeiro ano, e evoluir em dois pontos percentuais por ano até chegar a 90%. A esclarecer: no caso de trabalho infantil e trabalho análogo à escravidão, é preciso sempre estar 100% de acordo com as exigências. Moura esclareceu que o maior incentivo ao produtor certificado não é um eventual bônus de preço pela pluma, mas a necessidade de estar apto a atender aos mercados internacionais. E há um ganho em paralelo, também observado na SLC Agrícola: são mais altas a produtividade e a rentabilidade das propriedades certificadas, justamente por serem melhor executadas. Em relação aos associados à Abrapa, a produtividade dos certificados é 13% superior. (crédito da foto: Carlos Rudiney Mattoso)

A reportagem d'A Granja esteve no evento a convite da Abrapa

Data: 16/07/2018
Fonte: A Granja

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