Embrapa apresenta tecnologias sustentáveis na AgroBrasília até sábado

Até sábado, dia 19 de maio, os visitantes da AgroBrasília 2018 vão conhecer as últimas novidades em tecnologias sustentáveis. A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, uma das unidades de pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária levará à feira três tecnologias: a primeira delas é a Embrapa-Carbom Brasil, que associa um extrato vegetal nematotóxico formulado pela Embrapa com um biofertilizante natural. Além dela, um dispositivo liberador em forma de pastilha com dupla função para o controle da broca do rizoma da bananeira. A outra novidade trata do uso de feromônio (substâncias que os insetos utilizam para se comunicar com outros da mesma espécie) para monitorar e controlar percevejos-praga nas diferentes lavouras.

Baseada na associação de extrato vegetal nematotóxico e biofertilizante a Embrapa-Carbom Brasil apresenta atividade nematicida superior a 97% contra o fitonematóide Meloidogyne incognita, também conhecido como Nematóide-das-galhas. Este fito patógeno provoca alterações na raiz da planta prejudicando significativamente a produção e acarretando prejuízos anuais estimados em milhões de dólares. Essa tecnologia, de autoria dos pesquisadores Thales Lima Rocha, Vera Lúcia Perussi Peloz, Dilson da Cunha Costa, João Batista Teixeira e do empresário Leandro Gai Anversa, foi testada em bioensaios conduzidos em casa de vegetação e diminuiu em 98% o número de ovos de M. incógnita. Ela também foi validada a campo em duas diferentes áreas de cultivo de soja localizadas no Paraná e em Goiás, onde foi verificada a redução da densidade populacional de Meloidogyne incognita e Pratylenchus brachyurus. As culturas mais afetadas pelo Nematóide-das-galhas são o algodão, o café, o feijão, o milho, a cana-de-açúcar, entre outros.

O dispositivo liberador em forma de pastilha criado pela Embrapa a partir das união de um fungo entomopatogênico e um feromônio específico de atração de insetos é uma tecnologia que foi amplamente testada e teve comprovada a eficácia do composto para o controle da broca do rizoma da bananeira (Cosmopolites sordidus), um pequeno besouro preto de hábitos noturnos cujas larvas abrem galerias no rizoma (raiz) e na parte inferior dos pseudocaules da bananeira, alimentando-se dos seus tecidos. Essa praga tem ocorrência em todas as regiões do Brasil e causa a diminuição de peso e tamanho dos frutos. Em locais infestados, a diminuição da produção pode chegar a 100%. A tecnologia permite estabelecer uma possível adoção pelo agricultor em casos onde o insumo seja validado a campo. Além disso, o emprego do controle biológico em um dispositivo totalmente biodegradável reduz o uso de insumos químicos, permitindo a manutenção de outros inimigos naturais e a menor contaminação do ambiente e do agricultor, avalia o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Marcos Faria.

O uso do feromônio é um método racional e seguro, com grande potencial de utilização em programas de manejo integrado de pragas, que tem capacidade para reduzir consideravelmente e, até mesmo, eliminar a utilização de defensivos químicos nas lavouras. Os inseticidas além de ineficientes para controlar os percevejos, causam resistência nos insetos, são nocivos a quem os aplica, eliminam insetos benéficos, como as abelhas e inimigos naturais, e, no caso do arroz irrigado pode contaminar a água de rios e mananciais. Para chegar a esta tecnologia os pesquisadores observaram que os insetos utilizam substâncias químicas para “avisar” aos outros sobre demarcação de território, alimentação, risco de predadores, reprodução, entre outros. Então, a partir do momento que ocorre essa comunicação dentro da mesma espécie, o composto químico é chamado de feromônio. O processo ocorre como se fosse a linguagem humana, só que no lugar das palavras são usados feromônios.

Partindo dessa descoberta a equipe da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, liderada pelo pesquisador Miguel Borges, começou a extrair feromônio em laboratório para depois colocá-los em armadilhas a serem distribuídas nas lavouras. Segundo Borges, no caso específico dos percevejos, o trabalho foi direcionado principalmente para o uso de feromônios sexuais produzidos pelos machos. Assim, após a identificação, o feromônio natural do inseto é sintetizado em laboratório e formulado em pequenos dispositivos (pastilhas), que são impregnados pelo feromônio. Depois, são colocados em armadilhas no campo para a captura e monitoramento das fêmeas. As armadilhas com os feromônio são distribuídas nas lavouras com o objetivo de enganar os insetos. Ao identificar o cheiro dos machos, as fêmeas são atraídas e capturadas na armadilha. O intuito final é monitorar e controlar as populações dos percevejos-praga e, consequentemente, reduzir os danos às plantações de forma efetiva e sustentável.

Data: 16/05/2018
Fonte: Embrapa

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