Com produção menor, Estados Unidos abrem espaço para exportações brasileiras

A produção norte-americana de milho e soja será menor em 2018. As estimativas iniciais apontam para 365,5 milhões de toneladas de milho (5,5 milhões de toneladas a menos que em 2017) e 117,5 milhões de toneladas de soja (queda de 2 milhões de toneladas). Mesmo com a redução do potencial produtivo, os Estados Unidos pretendem ampliar sua participação no mercado internacional da oleaginosa. Mas devem recuar no mercado internacional do cereal. O anúncio foi feito pelo Departamento de Agricultura do país, o USDA, durante o 94th Agricultural Outlook Forum 2018, em Arlington, Virginia.

Mesmo ampliando os embarques, os EUA não devem reassumir a liderança nas exportações de soja. Na temporada passada, o Brasil exportou 68,15 milhões de toneladas da oleaginosa, contra 59,16 milhões de toneladas dos norte-americanos. “Este ano eles querem e vão ampliar sua presença no mercado. Mas longe de ameaçar a liderança do Brasil”, afirma o gerente do Núcleo de Agronegócio Gazeta do Povo e coordenador da Expedição Safra, Giovani Ferreira, que participou do evento e acompanhou todos os debates sobre o tema.

Segundo ele, a analista do USDA, Joana Hitchner, anunciou que a intenção é ampliar as exportações para 62 milhões de toneladas este ano – 5,4 mi t a mais que ano passado. “Hitchner destacou que não será uma tarefa fácil, principalmente devido a forte presença do Brasil no mercado global”, explica Ferreira. No milho, os norte-americanos devem perder mercado, sobretudo para o produto brasileiro. “Os embarques de milho dos EUA em 2018 devem somar 48,26 milhões de toneladas, 3,8 milhões de toneladas a menos que no exercício anterior”, completa. Em 2018, conforme estimativas da Expedição Safra, as exportações brasileiras têm potencial entre 69 e 70 milhões de toneladas de soja e 32 milhões de toneladas e milho.

A renda agrícola das propriedades norte-americanas também foi pauta durante o evento. Segundo o economista-chefe do USDA, Robert Johansson, a renda líquida, já descontada a inflação, será 50% menor em 2018 em comparação a 2013. “Há cinco anos, a receita líquida da atividade agrícola atingiu recorde de US$ 120 bilhões. Para este ano, Johansson citou um estudo que aponta para um desempenho de US$ 59,5 bilhões”, ilustra Ferreira. Entre as principais causas estão a retração da agricultura norte-americana, o aumento do endividamento do produtor e a queda nas cotações da soja e do milho. Para solucionar o quadro, o secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Sunny Perdue, falou em reforma tributária e regulatória, investimento em infraestrutura e políticas agrícolas mais eficientes. Em 2019 o país também pretende reformular a Farm Bill, lei agrícola dos EUA.

Data: 05/03/2018
Fonte: Expedição Safras

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