Palavra de Produtor

ATENÇÃO AO CAMPO

Palavra

Rui Alberto Wolfart

A visão que o Estado brasileiro tem em relação à agropecuária nacional lembra o quadro político da Bélgica em 1936, assim descrito por Victor Serge: “No lº de maio, homens e mulheres gordos iam à grande manifestação socialista e se pareciam com os burgueses, tal como são representados através do cinema, na imaginação popular na Rússia. Pacíficos, contentes com o seu destino, eu entrevia que esses operários do Ocidente não sentiam nenhuma vontade de lutar pelo socialismo nem, aliás, pelo que quer que fosse”. Aqui, o Governo está satisfeito com o desempenho da agropecuária, mas a maioria dos produtores rurais luta contra uma ordem econômica excludente. Resulta, paradoxalmente, de um quadro de “prosperidade” e de continuada ausência de políticas públicas consistentes, que objetivem manter o homem no campo e que ele tenha renda. Mesmo sendo a agropecuária vital para o País, falta-lhe espaço na agenda governamental, e o discurso de suas entidades de representação não sensibiliza, sendo relativizada sua contribuição.

Muitos continuam acreditando e pregando a concepção que a “produção primária” é fator de atraso ao desenvolvimento nacional, provocando a “doença holandesa” e gerando apreciação cambial. Infelizmente, criam ruídos nos meios de comunicação, confundindo a população, mas estão com o olhar postado na concepção de desenvolvimento, fruto do ranço político e ideológico reinante em passado recente. Essa percepção precisa ser modificada. A agropecuária – que vem sendo pressionada por custos crescentes, ativismo ambiental, insegurança jurídica, barreiras sanitárias e não tarifárias, e sobretaxação – deverá gerar novo salto tecnológico a partir da biotecnologia, da nanotecnologia, da Int...

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