Herbert & Marie Bartz

A MONOCULTURA E SUAS CONSEQUÊNCIAS NO DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO

Herbert

Por Herbert Bartz: “Semanas atrás, comecei a ler, pela terceira vez, a obra magistral de Gilberto Freyre, Casa-Grande & Senzala. Li a obra pela primeira vez aos 14 anos, por insistência de minha mãe. Naquele tempo, vivíamos na Alemanha Ocidental, e meu pai tratava de reerguer sua vida após ter ficado dois anos como prisioneiro de guerra nas minas de carvão na região de Kiev, na atual Ucrânia. Naquele tempo, eu estudava no ginásio e, todos os dias, fazia o caminho de bicicleta, por oito quilômetros, saindo às 07h30 e voltando às 13h. À tarde, tinha que cumprir tarefas na pequena propriedade da família, que se estendiam até o escurecer. Era à noite, após o jantar, que fazia as tarefas do ginásio e, normalmente, depois das 21h, dedicava meu tempo para leituras extras. Devorei as quase 500 páginas da obra em cerca de 14 dias, tanto que me fascinou essa vida tão estranha narrada por Freyre.

A segunda vez que li a obra foi uma edição na língua inglesa, emprestada de um amigo. Naquela época, eu ganhava a vida como arrendatário, plantando soja e trigo, e tinha por volta dos 27 anos. A leitura levou muito mais tempo, porque demorava para descobrir o significado de muitas palavras na língua inglesa. Mas me impressionou, nessa segunda leitura, o fato de que a principal atividade econômica girava em torno da cana-de-açúcar, que era a fonte de renda dos donos dos grandes latifúndios: as capitanias. Ficou na minha memória que um desses senhores mandou arrancar os dentes de um jovem escravo que tinha mastigado um pedaço de cana-de-açúcar, o que era expressamente proibido. Essa demonstração brutal de disciplina ficou registrada na minha consciência. Eu, que sempre praticava atividades esportivas, sabia da i...

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