Palavra de Produtor

E SE O AGRO PUDESSE PARAR?

Palavra

Walter Horita

Aos leitores de A Granja, dizer que o Brasil lidera a produção mundial de diversos produtos agropecuários, e que, se não lidera, disputa sempre nas cabeças, quando se fala de café, carne bovina, aves, suínos, soja, suco de laranja, açúcar e etanol, dentre outros, é repetir o que todo mundo já sabe. Falar que produzimos um terço das riquezas do País e garantimos um terço dos empregos tampouco é novidade. Mas o que eu, e, certamente, muitos dos leitores, não sabemos explicar é por que, mesmo sendo o mais forte pilar da economia brasileira, o agro não consegue converter seus atributos positivos em força político-institucional.

O agro é invisível, como ressalta o nosso ex-ministro Roberto Rodrigues. Só se percebe sua importância na escassez, eventualmente causada por uma seca, um ataque de pragas ou doenças em suas lavouras e plantéis. Na normalidade, poucos são os que se lembram dele. Mas existem outros setores que também são invisíveis. Ninguém pensa, por exemplo, na eletricidade, salvo quando ela falha. E, quando isso acontece, é um pesadelo.

Poucos também são os que se lembram dos caminhoneiros, se não necessitam diretamente do trabalho desses profissionais. Mas, recentemente, não houve um só cidadão brasileiro que não tenha percebido o impacto dessa categoria nos aspectos mais prosaicos do cotidiano. A cada dia de greve, produtos sumiam das prateleiras, das despensas, dos postos de combustíveis. Um clima de tensão se instaurou. Ruas vazias, lojas fechadas. A notícia de que, nas granjas, aves e suínos estavam se canibalizando por falta de ração chocou a sociedade.

Só de prejuízos imediatos a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) contabilizou R$ 3,15 bilhões, fora os custos...

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