Reportagem de Capa

DIAS DE POUCO, ANOS DE MUITO

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Walter Horita

Com o passar dos anos e, naturalmente, ganhando experiência, cheguei à conclusão de que tudo no universo acontece em ciclos. Alguns deles são bem evidentes e aprendemos nos livros da escola: o clico da água, da vida dos seres, das fases da lua. Outros, nem tanto, como os ciclos econômicos, políticos e climáticos. Ciclos não são controláveis, mas já são objeto de intensos estudos, que envolvem mentes brilhantes e computadores potentes para prever sua ocorrência e, principalmente, sequenciar historicamente a sua frequência e duração. Muitos estariam dispostos a pagar caro por esses dados – caso seja possível mapeá-los – para tornar seu planejamento e decisões mais assertivos.

Experimentamos no Matopiba, acrônimo formado com as iniciais dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, um ciclo de quatro anos de chuvas abaixo da média histórica, que findou em 2016. Esse revés no clima prejudicou seriamente a produção agrícola da região, e, consequentemente, levou os agricultores a uma profunda e longa crise econômica. Antes desse ciclo perverso, tivemos dez anos de clima favorável para a agricultura, que foi, justamente, o período de maior crescimento da área cultivada e de valorização das terras na região.

Comecei minha atividade agrícola em 1984, no Oeste da Bahia, e já passei por ciclos de bonança e de crise. Após a pior colheita da nossa história, em 2016, tivemos um ano agrícola espetacular em 2017 e seguimos para outra safra muito promissora, agora, em 2018, devido às condições climáticas favoráveis. Arrisco a dizer que estamos no início de um novo ciclo de chuvas, dentro da média histórica da região, que varia de 1.300 a 1.600 milímetros anuais.

Se enfrentar esse ciclo climático desfavorável exigiu muita coragem e profissionalismo, explicar e convencer nossos financiadores a continuar investindo e acr...

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