Palavra de Produtor

CERRADO: A HORA DE PASSAR O BASTÃO SE APROXIMA

Palavra

Walter Horita

Em meio à colheita da soja, às atividades do dia a dia – agronômicas, mercadológicas, administrativas, institucionais, qualquer que seja a ordem – encontro um tempo para contemplar talvez o prenúncio de uma das maiores safras em mais de 30 anos de atividade agrícola, todos eles, no Oeste da Bahia. Deixar a mente, sempre acelerada, se entregar à contemplação não é coisa corriqueira para um agricultor, mesmo sendo seu trabalho uma das mais belas atividades econômicas que existem, no sentido estético mesmo. Em uma pausa rápida, viajo a um só tempo ao passado e ao futuro, e me flagro contente, esperançoso e, também um pouco preocupado, nesse momento em que meus filhos e sobrinhos começam a entrar na empresa, cheios de vontade de fazer, depois do muito que aprenderam nas universidades.

Há pouco mais de 30 anos, chegava, com meus irmãos, a uma terra quase virgem, não antropizada. Não havia certeza sobre nada: se, de fato, dava para plantar soja ali; qual a medida certa do calcário e do adubo. Não tínhamos opções de variedades. Apenas a Tropical, da Embrapa, que, apesar da sua desejável rusticidade, era pouco produtiva. Logo em seguida, foi substituída por outras cultivares melhor adaptadas e de maior rendimento.

Não tínhamos muita informação, mas, também, o controle fitossanitário era mais fácil. Nematoides e tantas outras pragas e doenças, como a ferrugem asiática, não existiam, e as poucas lagartas eram de fácil controle. Os que chegaram antes de nós tinham ainda menos referências. Quase tudo o que conseguiram foi na base do empirismo, testando, observando e tirando conclusões, pois as pesquisas aplicadas à soja no cerrado estavam em fase inicial. Junto a eles, minha família iniciou uma nova hist...

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