Armazenagem

Manejo e cuidados com os grãos no SILO

Antes, armazenar significava “guardar”, mas agora, nos conceitos modernos, significa “guardar conservando”. Ou seja, permitir poucas perdas quantitativas e, sobretudo, qualitativas, para que se preserve o valor nutricional do produto. É a busca pelos conceitos “segurança alimentar e alimento seguro”

Prof. Dr. Moacir Cardoso Elias, Prof. Dr. Nathan Levien Vanier e Prof. Dr. Maurício de Oliveira (Laboratório de Pós-Colheita, Industrialização e Qualidade de Grãos LabGrãos. Faculdade de Agronomia “Eliseu Maciel”, da Universidade Federal de Pelotas/RS, eliasmc@uol.com.br

A sociedade brasileira vem apresentando alteração demográfica tão intensa nos últimos tempos, com a crescente urbanização ocorrida nas últimas décadas, de tal modo que já estamos próximos da proporção de vinte habitantes no meio rural em cada cem brasileiros. Esse fato, por si só, já seria motivo para a pós-colheita ser encarada como algo importantíssimo na logística do abastecimento urbano, pois na maioria das espécies de grãos a colheita ocorre em um curto espaço de tempo, entre 30 e 60 dias em cada região, uma vez por ano, e a demanda ocorre durante todos os dias do ano.

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Considerando-se o consumo interno, é inegável que há cada vez mais pessoas distantes do local de produção, e ao se incluir na análise a exportação, aumenta o número de pessoas e aumenta a distância dos consumidores. Essas realidades recentes estão na base da concepção moderna do que se convencionou denominar cadeias produtivas, que integradas formam o agronegócio. Produção, armazenamento, agroindustrialização e distribuição constituem-se nos principais componentes da cadeia produtiva dos agronegócios, os quais têm efeitos decisivos nos preços dos alimentos, principalmente de grãos. Ainda temos que evoluir, pois os avanços verificados na produção ainda não são acompanhados pelo que se verifica na pós-colheita.

Há algumas décadas, armazenar significava guardar, mas nos conceitos modernos armazenar significa guardar conservando. Conservar é ter poucas perdas quantitativas e, principalmente qualitativas, pela necessidade de preservar valor nutricional e propriedades tecnológicas e sanitárias dos grãos. Une dois conceitos distintos, mas complementares: segurança alimentar e alimento seguro. A qualidade dos grãos é influenciada principalmente por fatores como características varietais, condições de desenvolvimento da cultura, condições edafoclimáticas, manejo agronômico na produção, época e condição de colheita, método e sistema de secagem, sistema de armazenamento e manejo tecnológico da conservação.

Armazenamento é uma área relativamente nova como conhecimento e prática, mas que tem se caracterizado como gargalo na evolução da cadeia produtiva de grãos. Para uma boa conservabilidade, é importante que os grãos apresentem umidade uniforme e relativamente baixa, pequena percentagem de impurezas e/ou materiais estranhos, de grãos quebrados e de defeitos, baixa suscetibilidade à quebra, alto peso específico, boa conservabilidade, baixos índices de contaminação por microrganismos, ausência de micotoxinas e alto valor nutricional.

Cuidados no armazenamento — A boa conservação de grãos começa na lavoura. À medida que passa o tempo após a maturação, diminui a resistência dos grãos ao ataque das pragas e dos microrganismos. A colheita deve, portanto, ser realizada no momento próprio e de forma adequada, pois o retardamento e os danos mecânicos podem determinar que os grãos tenham qualidade já comprometida na colheita, com pré-disposição para grandes perdas no armazenamento.

As colheitas devem ocorrer quando os grãos atingirem umidade entre 18% e 24%, dependendo da espécie e do genótipo (variedade ou híbrido), do sistema de colheita e de secagem, com regulagem correta de máquinas e equipamentos. No transporte, entre a lavoura e a unidade armazenadora, deve ser evitada exposição prolongada dos grãos ao sol, assim como não se deve mantê-los abafados sob a lona do caminhão ou outro transportador, antes de ser submetido à pré-limpeza e à secagem e, principalmente, devem ser evitadas grandes filas de espera e/ou longos tempos de carga. Para algumas espécies como arroz e feijão, os grãos de cada variedade devem ser recebidos separadamente e assim mantidos, para não prejudicar o beneficiamento industrial. Nessas espécies, e em outras como milho, trigo e soja, a segregação dos grãos na recepção deve levar em consideração a estrutura operacional e os parâmetros de qualidade dos grãos.

A secagem deve ser efetuada tão logo seja realizada a colheita ou, no máximo, até o dia seguinte. Não sendo possível, é importante pré-limpar, aerar e/ou pré-secar os grãos, mantendo- os em aeração constante ou com resfriamento até a secagem, de modo a reduzir o metabolismo dos próprios grãos e dos organismos associados.

Grãos não devem permanecer úmidos na moega, sem aeração ou resfriamento por período superior a 12-24 horas para não comprometer a conservabilidade e reduzir a incidência de defeitos metabólicos, que se intensificam ao longo do armazenamento. Se o sistema de secagem for o contínuo, bastante utilizado para milho, soja e trigo, é importante regular o fluxo dos grãos no secador, bem como as temperaturas do ar e dos grãos.

Se o sistema for o intermitente, mais utilizado para arroz, aveia e café, mas que pode ser utilizado também para outras espécies, sempre é preferível usar temperaturas crescentes, desde que sem choque térmico e sem superaquecimento dos grãos. Em geral, 40ºC é o limite de temperatura da massa no final da operação de secagem, sendo maior a segurança operacional com 37- 38ºC. Devem ser evitados aumentos e/ ou reduções bruscas de temperatura do ar durante a secagem.

Silos e armazéns graneleiros são cada vez mais utilizados. Eles apresentam comportamento semi-hermético, havendo necessidade do uso de ventilação forçada, a aeração ou resfriamento, para reduzir e uniformizar a temperatura dos grãos, visando controlar o metabolismo deles e dos organismos associados. Sempre que possível, é recomendável o uso de resfriamento no armazenamento de grãos, da mesma forma que essa técnica é recomendável para sementes. Secagem e aeração, com ar natural ou resfriamento controlado, necessitam seguir rígidos preceitos de engenharia, e em engenharia quem improvisa geralmente se dá mal. Em qualquer manejo conservativo é necessário um eficiente sistema de exaustão.

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A qualidade dos grãos durante o armazenamento deve ser preservada ao máximo, em vista da ocorrência de alterações químicas, bioquímicas, físicas, microbiológicas e da ação de seres não microbianos

A qualidade dos grãos durante o armazenamento deve ser preservada ao máximo, em vista da ocorrência de alterações químicas, bioquímicas, físicas, microbiológicas e da ação de seres não microbianos a que estão sujeitos. A velocidade e a intensidade desses processos dependem da qualidade intrínseca dos grãos, do sistema de armazenagem utilizado e dos fatores ambientais durante a estocagem.

Um adequado manejo e as boas condições de higiene e sanidade em silos e armazéns são fundamentais para a conservabilidade. Controles dos ataques de insetos e de roedores são também decisivos na conservação da qualidade dos grãos, devendo haver um bom programa de manejo fitossanitário, incluindo o manejo integrado de pragas. Afinal, o grande uso dos grãos é como alimento que a maioria da população consome. Isso exige consciência social, bom conhecimento e muitos cuidados na preservação de seu valor nutritivo e de sua sanidade.

Boas condições de higiene e sanidade em silos e armazéns são fundamentais para a conservabilidade dos grãos. O manejo integrado de pragas é a alternativa tecnológica mais eficiente. Aparecendo pragas, qualquer que seja a população, deve ser realizado o expurgo de acordo com o Receituário Agronômico e sob a orientação, supervisão e responsabilidade técnica do engenheiro agrônomo que emitir a receita, considerando as prescrições. Em grãos destinados à alimentação humana, por exigências legais e riscos de desenvolvimento de fungos micotoxigênicos, principalmente, a partir do ataque de insetos e/ou de ácaros, são necessários ainda mais cuidados. Para “produtos orgânicos” existem tecnologias específicas.

Fundamental também é o controle de roedores, devendo ser colocados raticidas ao redor do armazém. Buracos, fendas, vãos entre telhas e paredes devem ser calafetados ou fechados com argamassa. Aberturas de aeração, entrada de condutores de eletricidade ou vãos de qualquer natureza devem ser vedados com tela metálica de malha inferior a 6 milímetros. Árvores próximas aos armazéns devem ser podadas para que os galhos não tenham contato com paredes e/ou telhado. Quando possível, fechar esgotos e canais efluentes ou de limpeza, utilizando tampas de ralos pesadas, sempre que esses tenham comunicação com a rede de esgoto cloacal ou pluvial.

ratos no mundo usam raticidas anticoagulantes, devido à grande segurança de uso e a existência de um antídoto altamente confiável, a vitamina K1. Os raticidas anticoagulantes exigem dose única (o roedor necessita ingerir apenas uma dose para ocorrer o efeito letal) ou dose múltipla (necessita ingerir várias doses para isso). Nos raticidas anticoagulantes de dose única, a morte acontece em três a cinco dias, embora possa ocorrer até 14 dias após. Na prática, são recomendadas no mínimo duas aplicações com intervalos de oito dias.