Eduardo Almeida Reis

MAQUINARIA

Eduardo

Trator sem cabine, tudo bem: os meus não tinham. Chovendo, o operador ficava molhado; ao sol, região muito quente, torrava sem protetor solar, negócio desconhecido naquele tempo que não é tão distante quanto se imagina.

Trator sem tratorista, tudo bem: já vi na tevê alguns operando no Canadá e dei notícia aqui n’A Granja assustado com a invenção. Quanto ganha um bom tratorista? Ou dois operando o mesmo trator? Com a onda do desemprego nacional e mundial vale a pena inventar trator sem tratorista? Dir-se-á (viva a mesóclise!) que existe alguém mexendo nos computadores que dirigem as máquinas, e mais alguém botando combustível. Não é a mesma coisa. Tratorista sentado na cabine fechada, refrigerada ou aquecida, nos conformes do clima em que esteja trabalhando, não faz mal a ninguém.

Mas trator sem cabine, sem pedais e controles manuais, sem assento, como aquele exibido em recente exposição agropecuária paulista, ultrapassou os limites da minha compreensão. A capital do Estado de São Paulo, maior cidade do Brasil, não tinha uma: tinha nove cracolândias dominadas pelos traficantes de crack, droga de alta concentração e toxidade, mistura de cocaína, bicarbonato de sódio, etc., geralmente apresentada em forma de cristais para ser fumada em uma espécie de cachimbo. A exemplo da heroína, o crack vicia na primeira dose. Com uma diferença: a heroína é muito cara e o crack é muito barato.

Portanto, no mesmo estado em que a capital tem uma porção de cracolândias, regiões dominadas pelos traficantes e usuários de drogas, e o crack ameaça 558 das 645 cidades, tivemos o comercial de um trator sem pedais, comandos manuais, cabine, tratorista, tudo inteiramente computadorizado. Só falta ser orgânico...

A onda orgânica tomou conta do mercado par...

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