Agribusiness

 

CAFÉ

Lessandro Carvalho - lessandro@safras.com.br

COMERCIALIZAÇÃO DA SAFRA 2016/17 DO BRASIL ATINGE 85%

A comercialização da safra de café do Brasil 2016/17 (julho/junho) chegou a 85% até 7 de março. O dado faz parte de levantamento de Safras & Mercado. O avanço em relação ao mês imediatamente anterior foi de quatro pontos percentuais. As vendas estão levemente atrasadas em relação ao ano passado, quando 88% da safra 2015/16 estava comercializada até então. Há avanço em relação à média dos últimos cinco anos, que aponta que 81% da produção normalmente já está negociada no período. Com isso, já foram comercializados 46,86 milhões de sacas de 60 quilos, tomando-se por base a estimativa de Safras & Mercado, de uma safra 2016/17 de 55,1 milhões de sacas.

Segundo o analista de Safras & Mercado Gil Barabach, a comercialização de café no Brasil manteve uma cadência lenta, o que é bastante natural nesse período de entressafra. “E a queda nas cotações ajudou a afastar os vendedores, tirando ainda mais liquidez do mercado. Algumas cooperativas, diante da dificuldade de fechar posições com café da safra atual, aproveitaram o momento para desovar cafés remanescentes de safras passadas” comentou. Além dos preços, outro fator que justifica o ritmo mais lento dos negócios é que a demanda externa está bem comprada de origem brasileira, aponta Barabach. E, com isso, volta o seu interesse de curto prazo para a Colômbia, América Central e ao robusta do Vietnã. A firmeza dos diferencias no FOB exportação brasileiro inibe uma maior presença desses compradores, explica. A demanda doméstica também reduziu o seu fluxo de compras, como analisa Barabach. “Os preços altos das bebidas mais fracas (de qualidade) têm levado o comprador a adotar uma postura mais cautelosa. O fato é que essas descrições sustentam uma cotação muito próxima dos cafés voltados à exportação, ficando, relativamente, muito caras”, conclui.


ARROZ

Rodrigo Ramos - rodrigo@safras.com.br

AVANÇO DA COLHEITA SEGUE PRESSIONANDO COTAÇÕES

O mercado brasileiro de arroz manteve sua trajetória de queda na terceira semana de março. Na média do Rio Grande do Sul, principal referencial nacional, a saca do grão em casca era cotada a R$ 42,01 no dia 20. Frente a igual período do mês passado, quando valia R$ 48,91, acumulava perda de 14,11%. Ante o mesmo período de 2016, a elevação ainda era de 3,78%, quando valia R$ 40,48 por saca. “A tendência atual é que os preços sigam recuando enquanto houver a evolução dos trabalhos de colheita no País, momento em que há grande concentração de arroz entrando no mercado interno, em um curto espaço de tempo”, explica o analista de Safras & Mercado Jonathan Pinheiro. Por outro lado, “é importante lembrar que os preços tendem a apresentar recuperação, passado este período de entrada de safra, já que o País apresenta baixos volumes de estoques, que consequentemente favorecem a formação de preços ao longo do restante da temporada, com a gradual redução da oferta no âmbito doméstico”, pondera o analista.

O sexto levantamento da Conab para a safra brasileira 2016/17 indicou produção de 11,966 milhões de toneladas, acréscimo de 12,9% sobre os 10,603 milhões de toneladas de 2015/16. A área foi estimada em 1,991 milhão de hectares, ante 2,008 milhões. A produtividade foi estimada em 6,010 mil quilos/ hectare, superior em 13,8% aos 5,280 quilos. O RS deverá colher 8,475 milhões de toneladas, avanço de 15,2%. A área prevista é de 1,100 milhão de hectares, ganho de 2,3% ante 1,076 milhão, com rendimento esperado de 7.700 quilos/ hectare, ante 6.837 quilos.


SOJA

Dylan Della Pasqua - dylan@safras.com.br

REVISÕES INDICAM QUE BRASIL DEVE COLHER AINDA MAIS DO QUE O ESPERADO

Com a colheita da soja chegando ao final, consultorias e instituições oficiais refazem as contas e indicam que a safra brasileira 2016/17 não só será a maior da história, como ficará bem acima das expectativas iniciais, beirando a casa de 110 milhões de toneladas. Já em fevereiro, Safras & Mercado apontava para uma produção superior a 107 milhões de toneladas, bem acima das estimativas que dominavam o mercado naquele momento. A partir dali os cálculos começaram a ser refeitos. As condições climáticas ficaram próximas do ideal. As produtividades obtidas com o avanço da colheita surpreenderam os produtores e o rendimento elevado assegurou a produção recorde do Brasil.

No levantamento de março, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou sua projeção para 107,6 milhões de toneladas, com aumento de 13% sobre o ano anterior. Posteriormente, o Usda elevou sua estimativa de 104 milhões para 108 milhões de toneladas. Recentemente, foi a vez da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) aumentar sua previsão, de 104,6 milhões para 107,3 milhões de toneladas. Algumas consultorias indicam safra de 111 milhões de toneladas. Em contatos recentes com produtores e cooperativas, Safras já indica que a produção ficará próxima dos 109 milhões de toneladas.

A perspectiva de uma safra cheia no Brasil se soma a uma série de fatores de pressão para os preços da oleaginosa no mercado internacional. Na Argentina, os prejuízos causados pelo excesso de chuvas de janeiro foram superdimensionados. Mesmo com queda no potencial produtivo, o país vizinho colherá uma safra cheia, em torno de 55 milhões de toneladas. No Paraguai, a colheita está estimada em 10 milhões de toneladas, também recorde. E mesmo com toda essa pressão, os americanos deverão plantar a maior área da história. O cenário é de desequilíbrio com muita soja disponível. Como consequência, os preços estão cedendo.

Na Bolsa de Chicago, referência para a formação dos preços mundiais, os contratos com vencimento em maio, os mais negociados, atingiram níveis abaixo de US$ 10 por bushel em março. Foi a primeira vez em cinco meses que o preço futuro ficou nesses níveis. Atentos ao movimento do mercado e com foco nos trabalhos de colheita, os produtores saíram do mercado e aguardam por preços melhores. Como consequência, os negócios escassearam. Não é para menos, afinal, a saca chegou a ser cotada abaixo de R$ 70 nos portos, patamares que não motivam a comercialização.


ALGODÃO

Rodrigo Ramos - rodrigo@safras.com.br

maior parte dos vendedores de algodão seguiu firme nas pedidas ao final da terceira semana de março. “A valorização da bolsa de Nova York e a volatilidade do dólar frente ao real contribuíram para isso”, explica o analista de Safras & Mercado Cezar Marques da Rocha Neto. Por causa da quebra de safra, muitos vendedores acreditam em uma valorização nas cotações internas da pluma, o que faz com que, na sua maior parte, comercialize somente sob necessidade de fazer caixa. “Os compradores, por sua vez, continuam buscando oportunidades abaixo do pedido pela maior parte dos vendedores”, frisa. Essa diferença nas pedidas faz com que a liquidez diminua no mercado disponível.

O baixo estoque de passagem de uma safra para outra tem feito com que alguns importadores se adiantem e demandem algodão norte-americano. Contudo, o preço encontra- se mais alto. Por isso, é possível que haja algum benefício de importação. As exportações renderam US$ 37 milhões nas três primeiras semanas de março (13 dias úteis), com média diária de US$ 2,8 milhões. A quantidade total exportada chegou a 22 mil toneladas, com média diária de 1,7 mil toneladas.

O preço médio da tonelada ficou em US$ 1.683,10. Na comparação com fevereiro, houve alta de 34,2% no valor médio diário exportado, alta de 31,2% na quantidade média e valorização de 2,2% no preço médio. Em relação a março de 2016, houve baixa de 43,6% no valor médio diário da exportação, perda de 51,4% na quantidade média diária exportada e valorização de 16% no preço médio. No Cif de São Paulo, a pluma era indicada a R$ 2,73 centavos por librapeso em 20 de março. No mês anterior, valia R$ 2,72, alta de 0,37%. Em relação ao ano anterior - R$ 2,41 -, a alta é de 13,28%.


MILHO

Dylan Della Pasqua - dylan@safras.com.br

BRASIL DEVE COLHER 38,5% MAIS EM 2016/17

A produção brasileira de milho deverá totalizar 97,998 milhões de toneladas na temporada 2016/17, com elevação de 38,5% sobre a safra anterior, de 70,754 milhões de toneladas. A projeção faz parte de levantamento divulgado por Safras & Mercado, que projeta uma elevação de 3,7% na área, para 17,39 milhões de hectares. No ano anterior, ocupou 16,765 milhões. O levantamento projeta rendimento médio de 5.635 quilos/hectare, ante os 4.220 quilos anteriores. A safra de verão da Região Centro-Sul deverá subir de 22,701 milhões para 33,469 milhões de toneladas, (+47,4%). A área, de 3,902 milhões para 5,243 milhões de hectares. O levantamento indica plantio de 10,697 milhões de hectares na segunda safra contra 11,319 milhões do ano anterior. Com rendimento de 5.446 quilos por hectare, a produção da safrinha no Centro-Sul está estimada em 58,264 milhões de toneladas, 30,5% acima do que a obtida em 2015/16, de 44,659 milhões.

“Naturalmente, a projeção de uma safra recorde e muito acima das estimativas iniciais nos leva a avaliar o quadro do mercado neste ano comercial de forma bem mais preocupante para os preços do milho. Mesmo que tenhamos ainda quase três meses de expectativa climática sobre a safrinha para definir esse perfil de produção, devemos avaliar que o Brasil precisa começar a vender mais agressivamente milho na exportação”, explica o analista de Safras Paulo Molinari. “Sem dúvida, sempre há chance de que a Bolsa de Chicago e o câmbio nos ofereçam condições melhores de negociação, contudo, os volumes serão altos e há necessidade de se equalizar essa exportação no ambiente internacional”. Na avaliação de Molinari, o Brasil precisa colocar volumes superiores a 32 milhões de toneladas nas exportações neste ano.


TRIGO

Gabriel Nascimento - gabriel.antunes@safras.com.br

FOCO EM SAFRAS DE VERÃO INIBE COMERCIALIZAÇÃO DO CEREAL NO BRASIL

O mercado brasileiro de trigo iniciou a penúltima semana de março ainda apresentando ritmo lento de comercialização para as principais regiões produtoras. Segundo o analista de Safras & Mercado Jonathan Pinheiro, os preços nacionais seguiam significativamente pressionados pelos praticados no mercado internacional, impossibilitando qualquer recuperação interna. No Rio Grande do Sul, os movimentos seguiam lentos, principalmente em decorrência da colheita da safra de verão, que deverá se estender ao menos pelos próximos 30 a 45 dias. No Paraná, a situação é semelhante, com moinhos bem abastecidos, e compras antecipadas ainda chegando à indústria, fator que deve manter a baixa liquidez ao longo do próximo mês.

A Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) ainda não divulgou data para novo leilão de subvenção, enquanto as importações seguem bastante favorecidas com um dólar cada vez mais próximo dos R$ 3, fator que tende a manter o volume de compras no mercado externo elevado. “Vale ressaltar que a média de importações mensais nesta temporada chega a 590 mil toneladas”, disse. No curto prazo, achatadas pela pressão sazonal de ingresso de safra, “as cotações já atingiram o fundo do poço para a atual temporada”. Conforme o analista, com o Governo no mercado, essa pressão é aliviada, mas não há motivos que sustentem uma recuperação mais consistente. “Além da boa safra nacional, o mercado conta com ingresso de produto do Paraguai, do Uruguai e, principalmente, da Argentina. O dólar volátil segue sendo uma variável-chave”, explica.

A moeda norte-americana a R$ 3,35 garantiria a chegada de trigo argentino no Cif de São Paulo por volta de R$ 738 por tonelada. “Para competir no mesmo mercado, o trigo do Norte Paraná poderia ser negociado por até R$ 635 a tonelada. Essa paridade de importação será a principal referência para os preços domésticos durante a entressafra. No mercado internacional, os preços seguiam em baixa e, com estoques de passagem recordes, não há espaço para grandes elevações”, indica Pinheiro. No Brasil, no longo prazo, a safra nacional de 6,2 milhões de toneladas e o saldo exportável de 8,65 milhões de toneladas nos parceiros do Mercosul devem garantir o abastecimento interno sem grandes solavancos. Pinheiro explica que o dólar deve continuar sendo uma variável-chave, determinando a que preço o cereal importado chegará ao Brasil.