Agricultura Familiar

 

Familiares em evidência na EXPOAGRO AFUBRA

A feira dedicada à agricultura familiar Expoagro Afubra, realizada no mês passado, no distrito de em Rincão Del Rey, em Rio Pardo/RS, reuniu um público de 92 mil pessoas, 15% a mais do que a edição anterior, e teve a movimentação financeira de R$ 53,8 milhões, 38% superior à edição passada. As agroindústrias familiares comercializaram R$ 603 mil, incremento de 21%. Para o presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Benício Werner, a expectativa foi alcançada e o incremento nos número se deve ao trabalho sério de todos os parceiros. Já para o coordenador geral da feira, Marco Antonio Dornelles, o evento teve “resultados para serem comemorados”. E para a próxima edição, a ideia é promover melhorias com base, especialmente, a partir da pesquisa feita com expositores e visitantes.

Nos três dias de Expoagro Afubra, o público pode conferir as novas tecnologias apresentadas pelos mais de 400 expositores e ver in loco demonstrações de máquinas em operação e lavouras demonstrativas e participar das palestras e seminários sobre questões relacionadas com a agricultura. Também foram promovidas palestras com temas de total relevância para os agricultores, como a do consultor Carlos Cogo, que abordou os mercados de carne, soja, milho, trigo e outros. No caso do milho, lembrou que a tendência é de o mercado ficar mais complicado no restante da temporada 2016/ 17 visto a crise com as carnes. O milho, que deverá ter safra recorde e é matéria-prima básica para rações, vai ter grande concentração de oferta no mercado interno. “Além de uma safra gigante, temos a pressão da volta da Argentina ao mercado, ofertando 27 milhões de toneladas para exportar pouco antes da nossa maior safra – de inverno, que foi o que exportamos na temporada passada, e mais o câmbio que não nos tem sido favorável”, avaliou.

Diversificação — A Expoagro Afubra sempre incentivou a diversificação das propriedades, e nesta edição a floresta foi um tema trabalhado. A coordenação da feira e o Conselho de Desenvolvimento do Vale do Rio Pardo (Corede), promoveram o 9º Fórum de Diversificação e Atividades Rurais. O presidente da Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor), Diogo Leuck, falou das vantagens de plantar floresta na agricultura familiar, pois é uma colheita que já pode ser efetuada após sete anos quando for para a celulose e de 15 anos ao ser destinada à serraria. Ele orientou que, antes de plantar, o produtor precisa tomar algumas precauções como, por exemplo, escolher o espaço, pesquisar para quem vai vender (mercado) e buscar alternativas de parcerias com empresas. “Existem hoje, muitas empresas instaladas e que têm capacidade para absorver a matéria- prima madeirável existente”, frisou.

A energia fotovoltaica, gerada a partir de painéis solares, foi destacada no Espaço Casa da Emater como alternativa para alimentar um sistema de irrigação por gotejamento em olerícolas, duas cercas elétricas para criação de ovinos e bovinos, além de um aerador para um açude e um alimentador automatizado para os peixes. A intenção do exemplo foi mostrar que pode ser uma alternativa sustentável, capaz de reduzir os custos de produção e aumentar a renda e a qualidade de vida no meio rural. “Estamos mostrando uma das formas mais eficientes de produzir energia na propriedade, já que, em comparação com a eólica, por exemplo, o sol está presente em todos os lugares, enquanto que o vento nem sempre é registrado em algumas regiões”, comentou o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar José Claudio Motta.

De acordo com ele, a implantação de um sistema bem planejado para as necessidades de consumo da unidade produtiva permite ao produtor pagar para a concessionária apenas a taxa básica, já que o excedente produzido pelas suas placas pode ser “jogado” na rede pública. “Essa energia gerada além do que o agricultor necessita para fazer funcionar seu maquinário e para o uso doméstico pode ser compensada em até 60 meses, no inverno, quando os dias são menos ensolarados, ou nas épocas de secagem do fumo aqui na região, momentos em que as estufas geram grandes picos de consumo”, explicou Motta.

A Emater/RS-Ascar ainda apresentou no evento um modelo de silo secador que utiliza ar natural para a secagem, além de ter disponibilizado informações sobre o processo e a construção da estrutura, além de outros equipamentos utilizados antes desse processo. Afinal, a possibilidade de secar e armazenar os grãos na propriedade rural é uma alternativa mais econômica para o produtor. E ainda é capaz de manter a qualidade dos grãos, sem oferecer riscos à saúde do consumidor.

De acordo com o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar Ricardo Martins, o silo de alvenaria exposto na feira foi feito com um tipo de cola que substitui a alvenaria convencional, o que torna sua construção mais fácil, podendo ser executada pelo próprio agricultor. “Esse silo utiliza ar natural para a secagem dos grãos, como arroz, milho, soja, feijão e outras culturas sem o uso de lenha. Quando o combustível é a madeira, como a queima é difícil, é gerada fumaça, que contamina os produtos com substâncias comprovadamente cancerígenas. Desse modo, além de mais econômico, proporciona alimentos mais seguros para o consumo”, descreveu Martins.

Invenções para a agricultura — Os inventos que facilitam a atividade no campo também recebem destaque com a entrega do Prêmio Afubra/Nimeq de Inovação Tecnológica em Máquinas Agrícolas para Agricultura Familiar. A quarta edição da premiação destacou os três melhores inventos na categoria Inventor e os três primeiros colocados na categoria Empresa. Marcílio Drescher, tesoureiro da Afubra, disse que o prêmio oportuniza a valorização dos produtores que fazem invenções de máquinas para facilitar seu trabalho. “Temos a intenção de promover a difusão das tecnologias que podem ser aproveitadas na atividade agrícola”, comentou. E Roberto Lilles, professor- doutor do Nimeq/Ufpel, acrescentou que o prêmio foi criado para mostrar o que é desenvolvido para facilitar o trabalho do produtor rural. “O que se deseja é que o agricultor possa fazer seu trabalho com menor esforço”, falou, lembrando que isso, algumas vezes, pode ser conseguido com simplicidade.


Prêmio Afubra/ Nimeq de Inovação Tecnológica

Categoria Inventor:

1º lugar: Romeu José Unser, de Santa Cruz do Sul/RS – “Estufa de verduras automatizada”

2º lugar: Djalmo Egídio Hensel, de Capela de Santana/RS – “Equipamento para espichar cerca”

3º lugar: Renato Augusto Faust, de Santa Cruz do Sul/RS – “Dispositivo de acoplamento de motosserra e eletrosserra”

Categoria Empresa:

1º lugar: Empresa Jacto, com o equipamento “DJB20”, um dosador pulverizador costal com bateria

2º lugar: Rovler Indústria de Agroequipamentos, com a “Máquina de colher mandioca”, que confere mais rapidez e menos esforço à atividade

3º lugar: Empresa Piccin Máquinas Agrícolas, com o equipamento “Master 2500 DH EI com kit eletrônico”, uma máquina para aplicação de corretivos de solo com georreferenciamento, com mapeamento da área e controle da quantidade a ser aplicada