Fitossanidade

 

A PRECISÃO usada na proteção de plantas

Na agricultura de precisão aplicada em fitossanidade são realizadas amostragens georreferenciadas e em pontos amostrais que são prédeterminados em softwares específicos, talhão por talhão

Profa. Dra. Marisa Renaud Faulin, professora da área de Fitopatologia Fatec Shunji Nishimura

Você já ouviu falar sobre Precisão em Proteção de Plantas? Certamente você já se deparou com os problemas que esse tema aborda. A precisão em proteção de plantas nada mais é do que a Fitossanidade em Agricultura de Precisão, ou seja, como manejamos os problemas provenientes de pragas. Aqui estamos tratando como praga tudo o que interfere no desenvolvimento da cultura, podendo ser plantas daninhas, insetos, nematoides ou doenças de plantas.

Primeiramente, gostaria que pensássemos como ocorrem essas pragas no campo. Se observarmos a lavoura, podemos perceber que a distribuição dos problemas não é igual, existem doenças que ocorrem de maneira agregada, distribuídas como reboleiras, e também existem aquelas que ocorrem de modo geral no talhão ou na propriedade. De maneira simplificada, os insetos, quando possuem asas, podem afetar qualquer parte da lavoura e os nematoides crescem e atacam as plantas próximas umas das outras, em forma de reboleiras, característica típica desse microrganismo.

Entendido esse contexto, podemos avançar em como amostrar então essa lavoura. Sempre a amostragem é um ponto-chave para o bom controle das Fotos: Divulgação pragas. Em precisão em proteção de plantas, ou seja, em agricultura de precisão, fazemos as amostragens georreferenciadas e em pontos que chamamos de determinados. Portanto, os pontos amostrais são pré-determinados em softwares específicos e podem levar em consideração os modelos de amostragens já conceituados como, por exemplo, em “M”; “X” e “Ziguezague”, ou podem ser em modelos de grade. Porém, as amostragens são feitas por talhão e cada talhão é tratado individualmente.

Posteriormente, esses pontos são passados para aparelhos com sistemas de navegação global por satélite (GNSS do inglês: Global Navigation Satellite System), popularmente conhecidos como GPS. Assim, o pragueiro correrá o campo e fará as amostragens nos pontos determinados.

Em uma lavoura, a distribuição dos problemas não é igual, pois existem doenças e pragas que ocorrem de maneira agregada, distribuídas como reboleiras, e também aquelas que ocorrem em um talhão

Embora façamos assim, devemos ter em mente que uma amostragem bem feita independe das amostras serem georreferenciadas. Na verdade, para ser bem feita, depende muito da qualidade das informações coletadas. Por isso, o treinamento dos amostradores também conhecidos como “pragueiros” é fundamental em qualquer tipo de manejo, convencional ou agricultura de precisão. Temos verificado em trabalhos a campo que as informações geradas pelos pragueiros estão muito abaixo do esperado, muitas vezes, não sendo representativa do que realmente está ocorrendo no campo, e é claro que isso gera uma tomada de decisão equivocada. Percebam que essa decisão está baseada em informações não representativas e não em função de ser georreferenciada ou não.

Previsão e avisos — Outra maneira de se monitorar as doenças é pelo uso de sistemas de previsão e avisos. Esses sistemas levam em consideração as condições climáticas ideais para o crescimento de patógenos, como temperatura e horas de molhamento foliar. Para isso, diariamente, o programa avalia esses parâmetros e gera um resultado para o produtor, indicando se há a necessidade de controle ou não. Então, a pulverização só será realizada no momento certo e não mais por calendário fixo ou por receio ou precaução do produtor. O problema é que esses sistemas ainda são pouco utilizados, por existirem apenas para poucas culturas e para algumas doenças.

Após a tomada de decisão de pulverizar a área, podemos lembrar a distribuição das pragas citada no início deste artigo. Então, como vamos fazêla? Se o nosso problema for localizado, trataremos apenas onde há o problema. No caso de reboleiras causadas por patógenos de solo ou por nematoide, faremos a aplicação apenas nas partes doentes do talhão. Para isso, devemos fazer após a amostragem um mapa de aplicação também realizado em softwares específicos. Posteriormente esse mapa é inserido no equipamento para a aplicação localizada na lavoura, o que podemos chamar de controle localizado.

Como exemplo, podemos citar que, em uma pulverização convencional, em média apenas 0,01% do produto atinge o alvo, os outros 99,9% são perdidos no solo, no ar ou na água. Assim o controle localizado é muito mais eficiente (Miller, 2004).

Após a amostragem, fazer mapas de aplicação em softwares específicos, e os mapas são inseridos no equipamento para a aplicação localizada na lavoura, o chamado controle localizado

Em compensação, quando o problema ocorre de maneira generalizada no talhão, ou seja, o talhão está homogêneo, como no caso de uma doença de parte aérea, tratamos todas as plantas da gleba. Esse mesmo tratamento é realizado para insetos que possuem armadilhas de monitoramento. Então, quando determinado inseto- praga chega ao nível de controle recomendado no talhão, é feita a pulverização de todas as plantas do espaço. Lembrando que em agricultura de precisão as armadilhas são instaladas por talhão. No caso de plantas daninhas, existem sensores que detectam a presença da planta e na mesma operação a pulveriza, fazendo o controle. Esses sensores são popularmente conhecidos como sensores de verde.

Um conceito muito valioso e fundamental de ser aplicado no campo é o Manejo Integrado de Pragas (MIP). Além de tudo o que foi exposto neste artigo, esse tema também deve ser discutido. Estamos verificando que os produtores que fazem uma agricultura de precisão bem feita estão entendendo e buscando realizar, cada vez mais, um manejo integrado de pragas bastante criterioso.

Se a propriedade tiver um MIP bem implantado, aliado aos conceitos, técnicas e às tecnologias de agricultura de precisão, mais sucesso o produtor terá no cultivo da sua lavoura. Por fim, a agricultura de precisão nada mais é do que ter um olhar carinhoso com a propriedade. Assim, quando é feita uma gestão da lavoura consciente, criteriosa, com estudos e apontamentos, buscando soluções inteligentes, teremos diminuição de desperdícios e de custos para o produtor, entre outros benefícios.