Agrishow

  

Otimismo, a marca da MEGAFEIRA de Ribeirão Preto

A 24ª edição do Agrishow, de 1º a 5 de maio, no interior de São Paulo, tem estimativa de movimentar mais de R$ 2 bilhões em negócios. A expectativa positiva se baseia no bom momento da agricultura

Leonardo Gottems

Otimismo – essa é a palavra de ordem e o sentimento geral de quem se prepara para a 24ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação, a Agrishow. Considerada um dos maiores e mais completos do mundo, o evento, de 1º a 5 de maio, em Ribeirão Preto/ SP, vai reunir 800 expositores nacionais e internacionais para um público projetado de 150 mil visitantes. Os organizadores esperam superar o faturamento do ano passado, que chegou a R$ 1,95 bilhão.

Com o tema “A Rota Oficial do Agronegócio”, a edição deste ano terá como foco a tecnologia e a sustentabilidade em um cenário de recuperação do cenário econômico- financeiro e retomada dos investimentos. “Pretendemos reunir toda a cadeia produtiva em um ambiente ideal para disseminação de conhecimento e demonstração do avanço tecnológico do agronegócio no País e como essa evolução tem contribuído para o protagonismo do setor na economia nacional e, também, na produção de alimentos no mundo”, afirma José Danghesi, diretor da Agrishow 2017.

O evento é idealizado pelas principais entidades do agronegócio brasileiro, como Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), Federação da Agricultura e da Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) e Sociedade Rural Brasileira (SRB), e organizado pela Informa Exhibitions.

Luiz Cornacchioni, diretor executivo da Abag, justifica todo esse otimismo ao ressaltar os números bastante aquecidos de vendas de máquinas agrícolas e de alguns insumos (como, por exemplo, fertilizantes) neste início de ano. Segundo ele, as boas perspectivas de uma safra recorde nesta temporada deverão estimular os negócios na feira. “Cada uma das companhias possui estratégias de vendas próprias, fica difícil antecipar suas projeções. Apesar disso, acreditamos que, em decorrência da boa safra esperada e também da melhora nos números da economia brasileira – marcada por queda na inflação, acompanhada por cortes nos juros básicos – as vendas deste ano na feira deverão superar as do ano passado”, estima.

Cornacchioni, da Abag: em razão da boa safra esperada e da melhora nos números da economia brasileira, as vendas deverão superar as do ano passado

João Carlos Marchesan, presidente do conselho de administração da Abimaq, vai ainda além e projeta que essa será “a melhor Agrishow dos últimos dois anos”, retomando os ótimos níveis de 2013 e 2014. Lembrando o momento importante do agronegócio, ele afirma sem vacilar que as perspectivas para a feira são as melhores. Marchesan prevê um crescimento do faturamento com máquinas agrícolas na ordem de 15%, acompanhando o ritmo da expansão desse segmento projetado para o ano de 2017.

A mesma expectativa otimista é compartilhada pela vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Ana Helena de Andrade. Segundo ela, o setor deve crescer 13% neste ano. “O mercado de tratores e colheitadeiras vem em um ritmo crescente desde julho do ano passado. Neste mês de fevereiro nós divulgamos os dados das vendas internas, e novamente tivemos aumento comparado com o mês de janeiro, também sobre fevereiro 2016 e no acumulado do ano. Então essa recuperação das vendas do setor deverá ser intensificada durante a Agrishow”, prevê.

Crédito farto e facilitado — Um fator- chave para essa perspectiva positiva é a melhor oferta de crédito neste ano em relação aos anteriores. De acordo com Ana, os financiamentos agrícolas estão funcionando normalmente, sem interrupção, e a expectativa do setor é de que o Governo ofereça um Plano Agrícola e Pecuário com os recursos e as taxas de juros que permitam a continuação da mecanização agrícola. “Hoje temos uma interlocução muito positiva com o Ministério da Agricultura e trabalhamos principalmente para que haja recursos suficientes para o próximo Plano Safra também”, destaca a dirigente.

Marchesan corrobora que há crédito acessível e disponível, sem nenhuma restrição. Ele salienta, porém, que é necessário que o Governo continue suplementando a verba do programa Moderfrota, para que não falte dinheiro ao produtor. “Estamos trabalhando para que haja uma suplementação de mais R$ 1,5 bilhão, pois entendemos que o que temos (de verba) agora deverá acabar até o final deste mês de março. Precisamos desse acréscimo até o próximo Plano Safra, que será lançado em junho, quando podemos ter melhora”, sugere o dirigente.

Marchesan, da Abimaq, prevê um crescimento do faturamento com máquinas agrícolas na ordem de 15%, acompanhando o ritmo da expansão do segmento

Será realmente importante que produtor tenha crédito suficiente, porque a Agrishow 2017 promete trazer muita inovação e tecnologia. Marchesan adianta que haverá muitas novidades por parte das empresas, que estão investindo forte para apresentar ao agricultor avanços tecnológicos, mais ferramentas de agricultura de precisão e o que há de mais moderno em termos de aplicação rural do Big Data.

Ana Helena de Andrade, da Anfavea: “O mercado de tratores e colheitadeiras vem em um ritmo crescente desde julho do ano passado”

Uma das novidades preparadas é a “Arena do Conhecimento”, um palco de apresentações de novas tecnologias, conhecimento e tendências. Serão palestras, seminários e congressos com o objetivo de levar informação relevante para o dia a dia e para os negócios dos profissionais do campo, ministrados por importantes organizações como, por exemplo, o Grupo de Líderes Empresariais (Lide), de Ribeirão Preto. Outra atração é a “Arena de Demonstrações de Campo”, com um novo formato e curadoria da Coopercitrus, que vai apresentar tecnologias para o “agronegócio em ação”.

Todo o otimismo dos participantes da Agrishow 2017 é calcada nos números promissores da agropecuária brasileira e nas projeções de expansão em praticamente todos os elos da cadeia. Segundo Cornacchioni, da Abag, deverá ocorrer um expressivo aumento na produção agrícola neste ano, com incremento entre 10% e 15% na oferta de grãos. A confiança se baseia em alguns fatores, mas, sobretudo, nas projeções de um ano de ciclo climático normal. Confirmando as projeções, a volta da pujança do campo não ajudará só o País, que terá efetivas condições de recompor a economia, reduzir a inflação (com garantia de oferta de alimentos), gerar empregos e brindar o produtor com melhores margens de lucro, pois a perspectiva é de manutenção da tendência de alta nos preços das principais commodities. Os indicadores são realmente alvissareiros às vésperas da grande feira do agronegócio brasileiro.