Expodireto

 

Negócios indicam momento de RECUPERAÇÃO

Com incremento de comercialização de 34%, Expodireto Cotrijal, no mês passado, em Não-Me-Toque/RS, refletiu tendência de retomada dos investimentos no campo

Denise Saueressig
denise@agranja.com

A Expodireto Cotrijal, em Não-Me- Toque/RS, entre 6 e 10 de março, retomou o caminho do crescimento este ano. A movimentação de negócios durante a 18ª edição da feira registrou incremento de 34% sobre 2016, quando a retração foi de 28% sobre 2015. O resultado, que somou R$ 2,1 bilhões, superou a expectativa inicial, que era de uma elevação de 15% em relação à feira anterior. As instituições financeiras representaram R$ 1,6 bilhão do total negociado. Os bancos de fábrica somaram R$ 259 milhões, enquanto as vendas com recursos próprios ficaram em R$ 189 milhões.

Parte do incremento deste ano se deve aos bons resultados obtidos pelos produtores no campo. Durante a feira, a Emater/RS divulgou sua previsão de safra recorde para o Rio Grande do Sul, estimada em 30,86 milhões de toneladas. Entre os destaques do ciclo do verão 2016/2017, está a produtividade inédita do milho, de 6,7 mil quilos por hectare. Já o rendimento da soja deverá ser ampliado em 2,25%, para 3 mil quilos por hectare.

O público visitante também aumentou este ano na Expodireto. Foram 240,6 mil pessoas em 2017 contra 210 mil no ano passado. Participaram do evento 511 expositores que apresentaram em 84 hectares o que há de mais moderno em tecnologias, serviços e soluções para a produção rural.

O presidente da cooperativa Cotrijal, Nei César Mânica, destaca que a Expodireto ajudou a trazer otimismo e esperança para a economia brasileira. Na avaliação dele, fica agora o desafio para que a edição de 2018, agendada para entre 5 e 9 de março, seja igual ou melhor do que a feira deste ano.

Produtores Neudy e Daniel Azzolini adquiriram colheitadeira nova para a propriedade em Santa Catarina

Além das novidades demonstradas nos estandes das empresas, universidades e instituições de pesquisa, a Expodireto foi palco mais uma vez para importantes discussões sobre a realidade do setor. “Os fóruns que abordam culturas como milho, soja, trigo e leite, assim como os eventos voltados às mulheres e aos jovens e até a audiência pública sobre a reforma da Previdência concedem à feira um status importante”, ressalta o vice-presidente da Cotrijal, Enio Schroeder.

Hora de renovar a frota — Entre os fabricantes de máquinas agrícolas, a expectativa era grande por um resultado positivo, já que os sinais de retomada estão nos números da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). No primeiro bimestre deste ano, as vendas de máquinas somaram 6 mil unidades, número 50% acima do computado no mesmo período de 2016. A comercialização de tratores aumentou 64% e a de colheitadeiras, 25,6%.

Pela primeira vez na Expodireto, os produtores Neudy e Daniel Azzolini aproveitaram a feira para comprar uma colheitadeira mais moderna. O equipamento financiado em dez anos pelo programa Mais Alimentos vai operar na propriedade da família em Faxinal dos Guedes/ SC, onde pai e filho trabalham em 90 hectares em uma produção diversificada com cultivo de eucalipto, criação de gado de leite e lavouras de soja, milho, feijão e trigo. “Precisávamos de uma máquina com mais recursos, que possa nos garantir menos perdas na colheita e economia de combustível”, declara Neudy, lembrando que a última colheitadeira havia sido adquirida em 1985.

O clima foi favorável à produtividade, e a família espera conseguir média de 180 sacas por hectare no milho e entre 60 e 65 sacas por hectare na soja na safra de verão. Os preços, no entanto, não entusiasmam. “A saca de soja, que valia em torno de R$ 80 no ano passado, agora está em cerca de R$ 65. Para o milho, esperávamos um valor de pelo menos R$ 35, mas a saca já caiu para R$ 26”, relata Daniel.

Produtoras Marizete e Carolina Artuso aproveitaram condições facilitadas na feira para concretizar negócio

As produtoras Marizete e Carolina Artuso também encontraram na Expodireto uma boa oportunidade para renovar a frota das fazendas na região do Planalto Médio gaúcho. A aquisição de uma nova colheitadeira foi planejada há bastante tempo, e as condições simplificadas disponíveis na feira ajudaram na concretização do negócio. “Estávamos terceirizando a colheita há três anos, mas o serviço se tornou caro. Além disso, sabemos que precisamos modernizar as operações para alcançarmos maior rentabilidade, justifica Marizete.

Mãe e filha produzem soja, trigo e aveia nas propriedades da família nos municípios de Passo Fundo e Coxilha. Nesta safra, a combinação de clima positivo e o uso de ferramentas da agricultura de precisão deverão resultar em uma produtividade em torno de 70 sacas por hectare nas lavouras da oleaginosa.

Atenção às boas práticas — Palco para o lançamento de tecnologias e produtos, a Expodireto também é fonte de conhecimento para os produtores que visitam a feira. No espaço da Emater, onde foram instaladas diversas parcelas demonstrativas, o engenheiro agrônomo e extensionista Elder Dal Prá explicou a forma correta de combate às principais pragas da lavoura, como os percevejos marrom e barriga-verde, e as lagartas falsamedideira, helicoverpa, das vagens e do cartucho. “Conhecendo o comportamento e o modo de ataque de cada um desses insetos, o produtor pode tomar a melhor decisão quanto à tecnologia de aplicação do defensivo”, explica.

Para detalhar o manejo mais adequado, o especialista apresentou as diferentes pontas utilizadas nos pulverizadores e os respectivos tamanhos de gotas e intensidade da penetração. “Quando esses detalhes deixam de ser observados, ocorrem o desperdício e a ineficiência do processo”, descreve.

Em outro espaço, por meio de um simulador de chuva cedido pela Embrapa Trigo, a Emater mostrou o que ocorre quando a água entra em contato com duas situações diferentes: o solo protegido por uma densa camada de palha em plantio em nível, e o solo onde a palha está aquém do indicado, em um sistema de plantio mais simplificado, ou “morro acima/morro abaixo”. Os engenheiros agrônomos responsáveis pela demonstração, Rafael Goulart Machado e Dejair Burtet, observam que é nítida a perda de nutrientes, de solo, de água e de matéria orgânica no segundo caso, onde são favorecidos os processos de compactação e erosão.

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Agrônomos Rafael Machado e Dejair Burtet demonstram duas condições diferentes de solo e aproveitamento de água