Energia Solar

 

Possibilidade de uso da ENERGIA SOLAR

O sol abundante no Brasil facilita seu aproveitamento para gerar energia em propriedades agrícolas. O Pronaf Mais Alimentos pode financiar o investimento para essa energia alternativa e ambientalmente sustentável

Dr. Rodrigo Lopes Sauaia, presidente executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar)

A agricultura familiar no Brasil tem um importante incentivo para tornar sua produção mais eficiente sustentável e competitiva. Trata-se da linha de financiamento Mais Alimentos, do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que viabiliza projetos e instalação de sistemas de geração de energia a partir de fonte solar fotovoltaica. O financiamento de sistemas de energia solar fotovoltaica via Pronaf Mais Alimentos é fruto de um termo de cooperação técnica estabelecido entre o Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA) e a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), entidade nacional que representa as empresas e profissionais do setor.

As condições disponibilizadas pelo Pronaf Mais Alimentos aos agricultores familiares e assentados são especiais: financiamento de até 100% do sistema solar fotovoltaico, com taxas de juros entre 2,5% e 5,5% ao ano, carência de até três anos e prazo de pagamento de até dez anos. Uma das grandes vantagens do financiamento de sistema de energia solar fotovoltaica via Pronaf Mais Alimentos é o planejamento com o gasto de eletricidade nas propriedades rurais. Com a tecnologia, o produtor assume o controle de sua conta de luz, pois paga uma parcela de financiamento fixa com até três anos de carência. Ou seja, pode economizar nesse período e depois começa a pagar o que deve com juros subsidiados.

Com um recurso solar privilegiado, em média duas vezes maior do que o de países europeus de clima temperado, o potencial de geração de energia solar fotovoltaica no Brasil é surpreendente e estratégico, podendo beneficiar tanto o setor agrícola como os demais segmentos do setor produtivo nacional. Segundo levantamento da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), divulgado em 2016 no novo livro eletrônico Energia Renovável, enquanto o potencial técnico hidrelétrico nacional é de 172 Gigawatts (GW) e o eólico é de 440 GW, o potencial técnico da geração centralizada solar fotovoltaica supera 28.500 GW, sendo maior do que o de todas as demais fontes de geração de energia combinadas.

Adicionalmente, o potencial técnico da geração distribuída solar fotovoltaica foi parcialmente mapeado pela EPE, representando mais de 164 GW (32,8 GW médios) quando consideramos apenas os telhados de residências. Isso significa que, se aproveitarmos os telhados de residências brasileiras com geração distribuída solar fotovoltaica, a energia elétrica gerada seria capaz de abastecer 2,3 vezes toda a demanda residencial do País. Se adicionarmos a esses cálculos os edifícios comerciais, industriais, públicos e rurais, o potencial técnico da geração distribuída solar fotovoltaica será multiplicado e crescerá diversas vezes. Ou seja, tanto pelo potencial da geração centralizada quanto da geração distribuída, no que depender da fonte solar fotovoltaica, não ficaremos sem energia elétrica tão cedo.

Apesar da desaceleração da economia brasileira, os próximos anos serão de crescimento acelerado para a fonte solar fotovoltaica. Estudo recente elaborado pela EPE projeta que a participação da fonte solar fotovoltaica na matriz elétrica deverá atingir 4% em 2024, ante os atuais 0,02%, um crescimento de 200 vezes em menos de dez anos. Segundo projeções da Absolar, a fonte poderá chegar a um percentual de mais de 8% em 2030.

O País conta atualmente com poucas usinas solares de grande porte, menos de 30 MW ao todo. O segmento da geração centralizada solar fotovoltaica começa a dar sinais de fortes mudanças. Até 2018, entrarão em operação 99 empreendimentos de grande porte já contratados em leilão, elevando assim a presença da geração centralizada solar fotovoltaica para mais de 3.300 MW, um crescimento de 110 vezes no período. Para tanto, os empreendedores de geração centralizada investirão mais de R$ 12,5 bilhões no País até 2018 na construção de suas usinas solares fotovoltaicas. Esse grande volume de recursos ajudará no processo de reaquecimento das economias de estados e municípios, contribuindo sensivelmente para a recuperação do crescimento do Brasil.

Potencial de telhados e fachadas — Além das usinas de grande porte, é possível aproveitar a energia solar fotovoltaica em telhados e fachadas de edifícios residenciais, comerciais, industriais, públicos e rurais ao redor de todo o País, por meio de sistemas de micro e minigeração distribuída solar fotovoltaica. Nesse segmento, o setor registrou um crescimento anual de mais de 300% em 2015 e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) projeta um crescimento de cerca de 800% em 2016, resultado da entrada em vigor da Resolução Normativa nº 687/2015, que aprimorou a Resolução Normativa nº 482/ 2012, ambas da Aneel. Apesar do importante avanço, o País possui atualmente menos de 1% de suas unidades consumidoras com sistemas de micro e minigeração distribuída.

O crescimento da micro e da minigeração solar fotovoltaica é impulsionado por dois fatores principais: a redução no preço da energia solar fotovoltaica, que nos últimos dez anos tornouse entre 70% e 80% mais econômica no mundo, e o expressivo aumento nas tarifas de energia elétrica no País nos últimos dois anos. Apenas em 2015, esses aumentos atingiram mais de 50% na média nacional, sendo muito superiores à inflação do período. Ou seja, a energia elétrica passou a pesar mais no bolso da população e das empresas. O resultado dessa combinação foi um ganho de competitividade da fonte solar fotovoltaica, com uma redução expressiva no tempo de retorno sobre o investimento em um sistema solar fotovoltaico. Ou seja, já é mais barato gerar sua própria energia elétrica no seu telhado ou edifício, através do sol, do que comprá-la de terceiros.

Além de seus conhecidos benefícios ambientais por ser uma fonte renovável, limpa e de baixo impacto, a energia solar fotovoltaica possui também uma característica social estratégica nas áreas de emprego e renda. Para cada megawatt solar fotovoltaico instalado por ano, poderão ser gerados entre 25 e 30 empregos. Com isso, somando- se os segmentos de geração centralizada e geração distribuída no Brasil, a Absolar projeta que o setor solar fotovoltaico será responsável pela geração de entre 20 mil e 60 mil novos postos de trabalho até 2020. Adicionalmente, vale lembrar que os empregos gerados nessa área estão relacionados a postos de trabalho de qualidade, principalmente profissionais dos níveis técnico e superior. A energia solar fotovoltaica contribui ainda para o desenvolvimento regional de estados e municípios, na medida em que os empreendimentos são mais competitivos quando construídos com uso de mão de obra local.