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Nova formação ACADÊMICA para agricultura

A demanda de profissionais para atuarem em agricultura de precisão tem levado à criação de cursos na área. Desde curta duração de algumas horas e também a distância, até especialização e pós-graduação. E o único de graduação em AP da América Latina está em Pompeia/SP

Professora e doutora Susi Meire Maximino Leite, docente da disciplina de Tecnologia na Aplicação de Insumos Agrícolas e coordenadora do Curso de Tecnologia em Mecanização em Agricultura de Precisão da Fatec Shunji Nishimura

Acredita-se que a agricultura surgiu da necessidade do homem em se instalar e produzir seu alimento ao invés de colhê-lo na natureza. Isso há mais de 8.500 anos a.C.. Segundo evidências, após instalarem as primeiras lavouras, levaram ainda mais de mil anos para começarem a domesticar animais e, assim, deixaram de ser caçadores- colhedores para se tornarem agricultores e criadores. Esse período como caçadores-colhedores teria ocupado mais de 90% da história da espécie humana.

Das 2.400 horas de disciplinas para formação de tecnólogo em Mecanização em Agricultura de Precisão na Fatec, aproximadamente 70% envolve gestão, mecanização e AP

Acredita-se que a agricultura surgiu da necessidade do homem em se instalar e produzir seu alimento ao invés de colhê-lo na natureza. Isso há mais de 8.500 anos a.C.. Segundo evidências, após instalarem as primeiras lavouras, levaram ainda mais de mil anos para começarem a domesticar animais e, assim, deixaram de ser caçadores- colhedores para se tornarem agricultores e criadores. Esse período como caçadores-colhedores teria ocupado mais de 90% da história da espécie humana.

A capacidade do ser humano de observar e aprimorar o que ocorre à sua volta sempre o diferenciou de outras espécies. E no surgimento da agricultura isso foi fundamental, assim como foi fundamental o desenvolvimento da agricultura para o surgimento das primeiras civilizações humanas. Com o passar dos séculos e milênios, o homem foi aprimorando o conjunto de técnicas que envolve a produção agrícola. E se analisarmos os avanços do último século nesse setor, é fácil se chocar.

A agricultura mundial está passando por um momento de grande transformação. Com o advento de novas tecnologias, torna-se viável a aplicação de fertilizantes e agroquímicos de forma localizada e precisa em cada metro quadrado da área de produção. As máquinas e os equipamentos disponíveis hoje têm a capacidade de direcionamento automático e a possibilidade de operação ou aplicação com precisão de até 2,4 centímetros. Além da disponibilidade de máquinas e equipamentos, passam a ser utilizados softwares de sistemas de informações que permitem uma análise muito mais detalhada da área produtiva, oferecendo um grau de resultado na atividade agrícola como nunca visto antes.

Para essa nova realidade da agricultura, em que máquinas e implementos apresentam alto grau de automação, com a geração e o gerenciamento de grande quantidade de dados georreferenciados baseados nos princípios da variabilidade de solo e clima, atribuiuse o nome de agricultura de precisão (AP). Essa é a ciência em que a informação deverá ser utilizada para se obter maior eficiência dos processos agrícolas, buscando maior produtividade no campo, com menor custo e baixo impacto ambiental. Devido à importância do setor de agronegócio para o País e a demanda de profissionais para atuarem nessa nova área da agricultura moderna, diferentes modalidades de formação em agricultura de precisão são oferecidas no Brasil. Desde cursos de curta duração de 20 a 40 horas, presenciais ou a distância, assim como cursos de especialização e pós-graduação, que podem ser realizados em faculdades públicas ou privadas.

Em se tratando da formação profissional de graduação, atualmente o único curso nessa área oferecido na América Latina encontra-se na Faculdade de Tecnologia de Pompeia/SP, a Fatec Shunji Nishimura. Essa faculdade surgiu de uma parceria público-privada entre o Centro Paula Souza, ligado à Secretaria de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, a Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia e a prefeitura de Pompeia, em 2010. Essa parceria resultou em um curso superior de Tecnologia em Mecanização em Agricultura de Precisão com duração de três anos, sendo oferecido gratuitamente aos alunos.

Alunos do curso de Big Data em aula prática de manuseio de drones na Fatec: Big Data é a possibilidade de gerar, coletar, armazenar e analisar enormes quantidades de dados

Das 2.400 horas de disciplinas para formação de tecnólogo em Mecanização em Agricultura de Precisão, aproximadamente 70% envolvem gestão, mecanização e agricultura de precisão, já que AP tem como base a utilização dos recursos e informações proporcionados pelas máquinas agrícolas com tecnologia embarcada e gerenciamento das variabilidades no campo. Uma importante curiosidade sobre esse curso é que, além da parceria público-privada que lhe deu origem, ao longo do tempo novas parcerias com diversas empresas dos mais variados setores agrícolas foram se somando, fazendo com que máquinas agrícolas de diferentes marcas e tecnologias, softwares de AP, sensores e acessórios de AP hoje estejam disponíveis para os alunos do curso para uso em aulas práticas, realização de pesquisas e atividades extracurriculares.

Das 2.400 horas de disciplinas para formação de tecnólogo em Mecanização em Agricultura de Precisão, aproximadamente 70% envolvem gestão, mecanização e agricultura de precisão, já que AP tem como base a utilização dos recursos e informações proporcionados pelas máquinas agrícolas com tecnologia embarcada e gerenciamento das variabilidades no campo. Uma importante curiosidade sobre esse curso é que, além da parceria público-privada que lhe deu origem, ao longo do tempo novas parcerias com diversas empresas dos mais variados setores agrícolas foram se somando, fazendo com que máquinas agrícolas de diferentes marcas e tecnologias, softwares de AP, sensores e acessórios de AP hoje estejam disponíveis para os alunos do curso para uso em aulas práticas, realização de pesquisas e atividades extracurriculares.

Entre as atribuições do profissional formado nesse curso pode-se listar a aptidão para utilizar sistemas de imagens por satélite e de informações geográficas, monitorando os equipamentos a distância, por sinais de GPS, mapeando as fontes de variabilidade de fatores que afetam a produção e determinando o manejo dessas áreas, com objetivo de otimizar recursos e reduzir custos de produção. Também poderá analisar resultados e desenvolver soluções para problemas no processo produtivo. Tem formação para coordenar equipes de profissionais que operam tratores e máquinas agrícolas, e dessa forma podendo atuar em grandes fazendas, como vendedor técnico e com assistência técnica em indústrias de máquinas agrícolas e de tecnologias de AP, inclusive oferecendo treinamento aos usuários dos equipamentos adquiridos.

Sendo assim, quando se analisam as atribuições desse profissional, percebese facilmente que a agricultura moderna envolve a busca de maior precisão na agricultura para otimização máxima dos recursos disponíveis, além de todas as atividades pertinentes à agricultura tradicional. Nessa busca pela precisão na agricultura, os equipamentos têm sido cada vez mais eficientes na geração de dados, nas diversas operações agrícolas em uma safra. Isso tem levado à geração de um grande banco de dados que é humanamente impossível de ser analisado eficientemente de maneira que gere informação prática no campo, permitindo a máxima otimização de todos os recursos disponíveis atualmente para a maior eficiência da produção agrícola.

Explanação sobre as tecnologias embarcadas em pulverizadores na Fatec Shunji Nishimura: é fundamental que a formação de mão de obra qualificada seja rápida

Big Data no agronegócio — Percebendo esse entrave, a Fatec Shunji Nishimura inovou mais uma vez lançando neste ano o primeiro curso de Big Data no Agronegócio. Big Data é a possibilidade de gerar, coletar, armazenar e analisar enormes quantidades de dados, e, a partir deles, gerar informações relevantes para tomadas de novas escolhas e decisões. Como grande aliada a Big Data, encontra-se a Internet das Coisas (IoT – Internet of Things). É uma tendência clara que tudo terá vida na Internet e estará interligado entre si: celulares, computadores, carros, televisores, sensores de temperatura, tratores, colhedoras de grãos, pulverizadores e muito mais. Tudo sendo localizado, monitorado e controlado, gerando grande volume de dados e a uma velocidade nunca vista antes.

Por esse motivo, o curso superior de Tecnologia de Big Data no Agronegócio visa formar profissionais que sejam capazes de manusear e gerar enormes volumes de dados de maneira rápida e eficiente. Mas que também tenham a competência de saber analisar e inter- Gastão Guedes pretar esses dados, a fim de fornecer informações importantes para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro e mundial.

Parece uma versão futurista do cenário agrícola mundial, mas a demanda por profissionais com as competências de atuação nas áreas de AP e Big Data é cada vez mais clara, de maneira que novos cursos para suprir essa demanda deverão surgir em outras universidades. A modificação de grades curriculares de cursos de Agronomia, com maior carga horária do que a tradicional sobre os assuntos relativos à AP, também é observada. Porém, devido à já tão ampla formação desses profissionais, acreditamos que a formação mais aprofundada nas áreas de AP ficará mesmo por parte de cursos específicos de graduação ou pós-graduação. Seja como for, é importante que a resposta a essa demanda do mercado em relação à formação de mão de obra qualificada seja rápida, para que o principal setor da nossa economia possa ser cada vez mais competitivo e eficiente.