Glauber em Campo

 

UM PAÍS REFÉM DE EGOS

GLAUBER SILVEIRA

Tenho acompanhado a política externa brasileira e o marketing que fazemos de nosso País mundo afora. Nos últimos 20 anos, o que observei foram muitas lideranças políticas em fóruns internacionais falarem mal de nosso próprio País. Na questão ambiental, fomos campeões em ficarmos refém de ONGs que se prestavam a acusar o Brasil de culpado pelas mudanças climáticas, apesar de termos mais de 60% de todas nossas florestas preservados. Ou seja, fomos eficientes em contribuir com aqueles que denegriam nossa imagem, o que deveria ser o contrário.

Sempre critiquei aqueles que se prestavam ao desserviço à nossa nação. Mesmo o Governo brasileiro de forma geral foi muito ineficiente em abrir mercados e vender nossa imagem positiva e de nossos produtos mundo afora. Dessa forma, o setor privado, de maneira organizada com suas associações e representações, fizeram esse trabalho junto aos mercados internacionais, haja vista o exemplo do algodão, da laranja e de outros produtos.

Neste último ano, o Governo brasileiro iniciou um excelente trabalho buscando abertura de mercado externo através do Ministério da Agricultura. O ministro Blairo Maggi e uma comitiva de representantes de diversos setores exportadores como milho, soja, algodão, carnes, frutas, etc., se esforçaram por meses mostrando para os principais importadores, em particular o mercado asiático, o potencial e a qualidade dos produtos brasileiros.

Infelizmente, assistimos todo esse trabalho e, pior, a imagem dos produtos e a imagem da seriedade brasileira serem expostos negativamente em nível mundial devido à divulgação, pela Polícia Federal, da Operação Carne Fraca. As investigações apontam para irregularidades na fiscalização da carne brasileira, a denúncia de um esquema entre frigoríficos e fiscais agropecuários federais para a comercialização de alimentos adulterados.

Essa operação Carne Fraca causou um estrago na imagem do nosso País. Não que a investigação não deva ser feita, que os envolvidos não devam ser punidos. Porém, a forma com que se foi noticiado generalizou e viralizou uma falsa impressão de que toda carne do Brasil está adulterada e é danosa à saúde pública. Infelizmente, foram casos isolados e que não representam a imensa cadeia produtiva, e a carne brasileira foi denegrida de forma irresponsável.

A corrupção não está apenas nesse setor. Infelizmente, o País vinha sendo conduzido por um esquema generalizado de corrupção em muitos setores importantes da sociedade. Felizmente, estamos vendo um processo de fiscalização e averiguação a fim de coibir essas corrupções. Porém, o que não podemos aceitar é que, em uma infecção do dedo, se corte o braço, um problema identificado em 21 empresas dentre mais de 4 mil, 33 fiscais corruptos entre mais de 10 mil, ou seja, é preciso ter mais responsabilidade em se expurgar o câncer.

Infelizmente, no Brasil, as notícias se multiplicam, se generalizam. O brasileiro parece ficar feliz com sua própria tragédia, e sem nenhum estudo ou conhecimento mais sério passa a multiplicar e contribuir em denegrir mesmo aquilo que nem sabe direito o que realmente é. Por outro lado, vemos instituições como, no caso, a Polícia Federal, que devia zelar pelas informações de forma criteriosa e responsável, passar a jogar pena no ventilador. O estrago causado é grande, mesmo com a própria PF vindo se justificar que não é como se está noticiando.

Precisamos de um País que fiscalize e puna. Atualmente parecemos aquela mãe que grita e grita, mas o filho não se corrige. Precisamos sim de sistemas de controle eficiente e penalidades severas que sejam educativas e de exemplos para que se iniba a corrupção. A apuração deve ser feita, mas a forma de divulgação deve ser criteriosa a fim de causar o menor impacto possível, para que não seja generalista e prejudique toda a imagem de um País e cause um efeito cascata no setor.

Passada a euforia brasileira de divulgar a tragédia e de jogar a gasolina na brasa, temos agora que consertar e resgatar a imagem da carne brasileira. Afinal, ela é fundamental para a segurança comercial e econômica do País. O setor de grãos, como soja e milho, pode ser muito afetado, afinal, para a produção de carnes consumimos mais de 60% do milho consumido no Brasil, que é superior a 55 milhões de toneladas.

Vamos torcer para que essa operação tenha como resultado punir os corruptos e ensinar aos órgãos de controle a importância das informações. Que se consiga no futuro que as operações da PF sejam cirúrgicas e retirem apenas o tumor e não mate o corpo. E que saibamos reverter o negativo em positivo, mostrando ao mundo que aqui no Brasil nós fiscalizamos e punimos quem fizer o errado. Vamos torcer para que o ministro Blairo Maggi consiga reverter essa imagem negativa e os impactos sejam os menores possíveis.

Presidente do Sindicato Rural de Campos de Júlio/MT, presidente da Câmara Setorial da Soja, presidente da Associação de Reflorestadores do MT, vice-presidente da Abramilho e diretor conselheiro da Aprosoja