Notícias da Argentina

 

FORTALECIMENTO NA CADEIA DO TRIGO

As exportações de trigo da Argentina em janeiro aumentaram 167% em comparação com o mesmo mês do ano passado. Foram embarcados 2,3 milhões de toneladas. O fato representa o retorno ao cenário internacional do produto depois de muitos anos em que a cadeia sofreu com o peso das retenções (23% de direitos de exportação) e restrições severas oriundas das licenças estatais. “Parabenizo e agradeço a vocês em nome do Governo Nacional pela disposição que demonstraram e porque comprovamos que não estávamos equivocados sobre o que significava eliminar as retenções”, afirmou o ministro da Agroindústria, Ricardo Buryaile, aos produtores presentes na Festa Nacional do Trigo. Dados da Bolsa de Comércio de Rosário projetam que as exportações de fevereiro devem fechar em 1,6 milhões de toneladas, o que representaria 3,9 milhões de toneladas embarcadas no primeiro bimestre. O volume é 2,1 milhões de toneladas superior em comparação com 2016. A estimativa é de que o país possa exportar 8,7 milhões de toneladas de uma colheita total de 17 milhões de toneladas. Segundo o ministro da Agroindústria de Buenos Aires, Leonardo Sarquís, a cadeia trabalha para melhorar a qualidade do trigo e buscar nichos de mercado específicos.

IMPOSTOS AINDA AFETAM O CAMPO

Os impostos ao produtor agropecuário seguem altos na Argentina. O país vem passando por mudanças importantes com a troca de Governo, mas a pressão sobre as contas ainda é grande. De acordo com pesquisa sobre as seis principais taxas aplicadas sobre a atividade, realizada pelo Instituto de Estudos Econômicos sobre a Realidade Argentina e Latinoamericana (Ieral), a carga tributária representou 84% dos lucros de um estabelecimento rural de referência no ciclo agrícola 2014/2015. Esses custos são ainda maiores em zonas distantes dos portos. A situação também é preocupante em propriedades que enfrentam problemas como quebra de safra. Os impostos podem acabar com todo o excedente do produtor e, o pior, com parte do capital do empreendimento. Há alguns anos, mais da metade dessa transferência de recursos ao Estado se dava por meio dos direitos de exportação, o imposto mais questionado pelo setor. O principal produto do campo, a soja, paga um direito de exportação de 30%.


TRIGO

Segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, a colheita de trigo este ano apresentou incremento de 39% em comparação com o ciclo 2015/2016 e alcançou 15 milhões de toneladas. Para o Ministério da Agroindústria, a produção foi ainda maior, e chegou a 17 milhões de toneladas. Os produtores aumentaram em 45% o uso de fertilizantes nesta safra, o que ajudou a ampliá-la, dizem os especialistas.

SOJA

As chuvas de fevereiro fizeram muito bem às lavouras de soja, e os representantes da cadeia produtiva estão bastante otimistas em relação à produtividade das áreas. A Bolsa de Comércio de Rosário projeta uma colheita de 54,5 milhões de toneladas para a oleaginosa. O rendimento médio deverá ficar próximo de 2,9 mil quilos por hectare.

LEITE

A Argentina vende ao Brasil a metade do leite em pó exportado pelo Uruguai. O fato tem gerado reclamações por parte dos representantes da indústria argentina, já que o Brasil estipula cotas para a compra do produto da Argentina. Em 2016, o Brasil importou 48.941 toneladas de leite em pó da Argentina e 101.693 toneladas do produto do Uruguai.

CARNE

A boa notícia para a cadeia veio do Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa). Os campos de cria não precisarão mais de registro para produzir terneiros cujo destino final seja a exportação, assim como a venda para campos de engorda registrados para a União Europeia não precisará ser acompanhada pelo cartão de registro individual. A medida amplia a oferta de gado apto para exportação e dá um passo a mais para a desburocratização interna do setor.