Pulverizacão

 

AUTOPROPELIDOS para todas as exigências

Os modelos de pulverizadores variam, sobretudo, em relação a tecnologia embarcada, tamanho da barra de pulverização, potência do motor e consumo de combustível, tipo de transmissão, resistência do chassi e volume do reservatório da calda

Alfran Tellechea Martini, Marcelo Silveira de Farias, Juan Paulo Barbieri, Luis Fernando Vargas de Oliveira e Giácomo Müller Negri, do Núcleo de Ensaios de Máquinas Agrícolas (Nema), da Universidade Federal de Santa Maria/RS

O desenvolvimento e o aperfeiçoamento dos pulverizadores autopropelidos se deram com o crescimento do uso das tecnologias na agricultura, com vistas a atender a necessidade de realizar as pulverizações no momento ideal e, assim, obter como resultado o eficiente controle do alvo biológico, bem como a redução do impacto ao meio ambiente.

Além da velocidade de trabalho, do tamanho da barra de pulverização, da capacidade do reservatório de calda e dos tempos de manobra e reabastecimento, o sistema de transmissão de potência dos pulverizadores autopropelidos também é responsável pelo desempenho e pela eficiência da máquina em campo. Esse sistema pode ser de dois tipos: mecânico e hidrostático. As máquinas com transmissão hidrostática geralmente são dotadas de tração 4x4 e, em alguns casos, cruzada, isto é, um sistema que traciona a roda dianteira esquerda em conjunto com a roda traseira direita e vice-versa.

Ao fazer uma análise geral das máquinas disponíveis no mercado brasileiro, observa-se que, quanto maior a potência nominal do motor, maior o número de modelos equipados com transmissão hidrostática. Essa transmissão proporciona melhor adequação da velocidade de trabalho e independência entre eixo e chassi e, por consequência, maior estabilidade da máquina e conforto e segurança do operador.

O sistema de suspensão de um pulverizador agrícola é de suma importância, pois é responsável pela absorção de impactos gerados durante os deslocamentos. Em pulverizadores autopropelidos, um sistema de suspensão bem projetado irá proporcionar maior estabilidade das barras e maior conforto durante a operação. O sistema de suspensão das máquinas comercializadas no mercado brasileiro é dividido em dois tipos: pneumático e mecânico e, ainda quanto à sua localização. No sistema pneumático, o amortecimento do impacto é realizado por molas pneumáticas posicionadas sobre o eixo dos rodados, fazendo com que o chassi permaneça nivelado ao solo. Já o sistema mecânico utiliza molas independentes posicionadas rodado a rodado que realizam o amortecimento dos impactos.

No Brasil, são utilizadas, basicamente, duas estruturas de chassi nos pulverizadores autopropelidos, e que se diferem entre si pela sua estrutura e a adesão adesão de componentes sobre o mesmo. Um dos pontos que os distingue é a utilização de solda ou de parafusos para a união dos componentes. O chassi, cuja união dos componentes se dá por parafusos, torna-se mais flexível, pois possibilita que o mesmo seja maleável no caso de a máquina transpor algum obstáculo. Já o chassi que utiliza a união de seus componentes por meio de soldas é considerado mais rígido, necessitando de um bom sistema de suspensão, para que, ao passar por obstáculos, não ocorra excesso de esforço na máquina, que possam causar falhas estruturais.

Barra de pulverização — A barra de pulverização é um dos principais componentes dos pulverizadores agrícolas, pois é responsável pela sustentação e pelo posicionamento das pontas de pulverização, sendo que o seu tamanho (largura de trabalho) tem relação direta com a capacidade operacional do equipamento (hectares/hora). A conformidade entre o espaçamento e a altura entre bicos é um parâmetro importante para proporcionar uniformidade da aplicação, visto que estas dimensões são fundamentais para o desenvolvimento das pontas de pulverização. Para que essas variáveis sejam mantidas ao longo da operação, alguns modelos de pulverizadores podem ser equipados com sensores de altura nas barras, para manter a estabilidade da barra e a distância correta entre a ponta de pulverização e o alvo.

A maioria das barras de pulverização encontradas no mercado brasileiro é construída com materiais metálicos, como o aço carbono, aço inox e alumínio, montadas em um sistema de treliça, para aumentar sua rigidez. No entanto, barras fabricadas em fibra de carbono são montadas em pulverizadores com largura de trabalho superior a 30 metros, por se tratar de um material leve e com alta resistência mecânica.

No mercado, são diversos os modelos de autopropelidos para atender os principais cultivos, em médias e grandes áreas, devido à sua elevada capacidade operacional e relação custo/benefício

O posicionamento da barra de pulverização na estrutura do pulverizador dependerá da marca e do modelo da máquina, podendo ser disposta em três posições distintas: frontal, central e traseira, apresentando vantagens e desvantagens em relação ao local de sua fixação. A vantagem de utilização da barra na parte traseira do pulverizador está relacionada à menor deposição do produto em partes estruturais da máquina, o que irá resultar em maior deposição das gotas no alvo. No entanto, a barra poderá sofrer maiores impactos gerados pelo eixo traseiro do pulverizador, necessitando, dessa forma, atenção para a manutenção do sistema de estabilidade da barra para que a variação da topografia do terreno não interfira na qualidade da pulverização.

Um ponto importante, adotado por alguns fabricantes, é a utilização de uma ponta de pulverização atrás de cada uma das rodas traseiras do pulverizador

O posicionamento da barra na parte frontal do pulverizador facilitará sua visualização total, porém, ocorrerá maior deposição dos produtos na estrutura do pulverizador, o que, além de reduzir a deposição na cultura, poderá afetar a eficácia da aplicação, bem como reduzir a vida útil das partes estruturais da máquina pelo efeito corrosivo que alguns agrotóxicos apresentam. Outro ponto importante, adotado por alguns fabricantes, é a utilização de uma ponta de pulverização atrás de cada uma das rodas traseiras do pulverizador para compensar a perda dos agrotóxicos que ficam aderidos aos rodados pelo deslocamento da máquina. No entanto, na maioria dos casos, essas pontas não possuem regulagem de altura, o que poderá afetar a qualidade da aplicação, principalmente quando as culturas se encontram no estádio reprodutivo.

Ao considerar os pulverizadores autopropelidos que utilizam barras centrais, esses podem apresentar maior estabilidade das barras, visto que as oscilações dos eixos poderão afetá-las de forma amena. Outro ponto favorável é a melhor distribuição de peso entre os eixos dessas máquinas. Contudo, de forma muito semelhante aos pulverizadores que utilizam barras frontais, a desvantagem desse sistema é a deposição do produto nas partes estruturais da máquina. Além disso, utilizam uma pequena barra na parte traseira do pulverizador, para que ocorra a aplicação de produto químico na área que compreende a bitola da máquina.

Agricultura de precisão na pulverização — A agricultura de precisão está ganhando cada vez mais espaço no setor agrícola. Sistemas como DGPS (Differential Global Positioning System), RTK (Real Time Kinematic), piloto automático, fluxômetro de calda, desligamento automático de seção, bem como o desligamento bico a bico, se tornaram muito importantes para a utilização correta dos defensivos agrícolas por permitirem a realização da atividade de forma mais segura e eficiente.

O DGPS utilizado em grande parte dos pulverizadores autopropelidos é um sistema acurado semelhante ao RTK, o qual possui erro de até 0,05 metro entre passadas paralelas, diferentemente da utilização do GPS (Global Positioning System), que possui erro de até 0,30 metro. Essa diferença existe visto que o DGPS utiliza a correção diferencial por sinal pago. Os sistemas DGPS ou RTK, na maioria dos casos, estão acoplados ao piloto automático, buscando melhorar o paralelismo das linhas de tráfego dos pulverizadores, admitindo trabalhar com faixas previamente definidas, em um software específico.

O fluxômetro é um dispositivo responsável por adequar o fluxo de calda em função da velocidade de trabalho da máquina, permitindo aumentar ou diminuir o volume de aplicação para atender os parâmetros pré-estabelecidos no sistema eletrônico do pulverizador. Com isso, permite evitar super ou subdosagens de produtos nos alvos desejados.

Os pulverizadores autopropelidos fazem uso de outros dispositivos eletrônicos, que permitem o desligamento de seções da barra de pulverização e o controle da aplicação bico a bico, cujo objetivo é reduzir o desperdício de produtos em áreas já tratadas, bem como diminuir a contaminação ambiental por evitar sobreposição nas aplicações. Esse desligamento é possível pela utilização de sensores eletrônicos em conjunto com solenoides acoplados à barra de pulverização.

No mercado brasileiro são ofertados aos agricultores diversos modelos de pulverizadores autopropelidos, cujo objetivo é atender as principais commodities agrícolas, em médias e grandes áreas de cultivo, devido à sua elevada capacidade operacional e relação custo/benefício. Os pulverizadores variam, principalmente, quanto à tecnologia embarcada, ao tamanho da barra de pulverização, à potência desenvolvida pelo motor e ao consumo de combustível, ao tipo de transmissão, à resistência do chassi, ao volume do reservatório de calda, à forma de ajuste de bitola e quanto ao vão livre.